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28 de abril de 2010
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Demolição / Por que aproveitamos tão pouco os resíduos da construção?

Artur Granato, da Nortec, explica que grandes construtoras imobiliárias de São Paulo já contemplam o uso de materiais reciclados em seus empreendimentos. A iniciativa é acompanhada de um rigoroso controle tecnológico, uma vez que o entulho chega às usinas muito contaminado com pedaços de papel, madeira e outros materiais não aproveitáveis. Mesmo assim, pesquisas acadêmicas e testes de campo comprovam que uma reciclagem cuidadosa, com a separação prévia dos materiais e a adoção de processos adequados, possibilita a produção até mesmo de concreto estrutural.

Material heterogêneo

“A tendência do mercado é adotar valores diferenciados para a caçamba de entulho, de acordo com a qualidade desse resíduo, ou seja, pelo seu nível de contaminação”, explica Granato. Como exemplo, ele cita a prefeitura de Americana (SP), onde o rigor na fiscalização conseguiu reduzir os índices de destinação ilegal dada ao entulho. Nesses casos, a operação requer cuidados devido à heterogeneidade do material. “É preciso conscientizar os geradores de entulho quanto à importância de uma separação prévia no canteiro, evitando a contaminação com pedaços de papel, de madeira e outros resíduos não aproveitáveis”, completa o professor Chaves.

A questão da heterogeneidade não se resume apenas à presença desses materiais, o que pode ser solucionado com uma separação manual na entrada da usina de reciclagem. O maior problema é que o entulho pode conter resíduos de demolição de concreto misturados com porções de areia, de argamassa, pedaços de gesso, amianto e cerâmica. De acordo como os especialistas, a presença de materiais de diferentes densidades impede que a reciclagem resulte em produtos mais nobres, como concreto estrutural, por exemplo.

A saída, nesses casos, pode ser a adoção de britagem a úmido e de jigues, equipamentos usados para a separação de materiais por densidade, conforme propõe o professor Chaves. Mas essa solução acaba impondo elevados custos operacionais e ambientais às usinas, exigindo a instalação de sistemas de deslamagem, de tratamento de efluentes, ciclones e classificadores de espiral. Por esse motivo, as instalações existentes no país adotam um procedimento operacional mais simples: a reciclagem de materiais misturados gera apenas bica corrida e resíduos compostos somente por concreto encontram aplicação mais nobre, como a produção de brita, blocos de concreto e outros.

Modelos indicados

Quando o material reciclado se destina a uma aplicação de maior responsabilidade, os especialistas alertam para a necessidade de uma etapa de britagem secundária. Nesses casos, o equipamento mais indicado é o britador de impacto, cuja operação produz uma fratura intergranular dos materiais, resultando em melhor separação entre o concreto e a argamassa. Além disso, o equipamento produz brita de maior qualidade granulométrica - em formato arredondado e não lamelar - permitindo o seu uso na produção de concreto.