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08 de março de 2019
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Entrevista / PETER RIEGGER
  • Especialistas dizem que os melhores dias dos motores de combustão interna virão com a eletrificação. Concorda?

Definitivamente. No que tange ao desenvolvimento, a eletrificação está abrindo um amplo leque de possibilidades que simplesmente não tínhamos antes. Observe nossos geradores emergenciais de energia de alta potência. Mas para começarem a funcionar, foi preciso um enorme trabalho de desenvolvimendo. Eletrificação significa que não precisamos mais projetar tecnologias para cobrir a toda extensão de requerimentos, mas, por outro lado, traz muito mais liberdade para tornar nossos motores de combustão mais robustos, eficientes, limpos e econômicos.

  • Que tipos de sistemas híbridos são especialmente adequados para isso?

Os híbridos realmente chegaram a um ponto em que se tem um perfil de carga altamente intermitente, com frequentes mudanças entre cargas mais baixas e picos. Um exemplo clássico disto é a propulsão híbrida de trens, com suas entradas e saídas de estações com potência elétrica, passando a usar uma combinação de motores diesel e elétricos para acelerar, transitando com mais economia em seções niveladas de trilhos com o uso apenas de diesel, convertendo a energia de frenagem para carregar a bateria. A carga de pico pode ser suportada pelo motor elétrico. Mas, na minha visão, iates também são candidatos perfeitos para receber a propulsão híbrida, embora mais por razões de conforto do que econômicos, permitindo desligar os motores a diesel – em enseadas ou ancoragens – e manobrar silenciosamente com potência elétrica. A bateria também pode ser usada para suprir a alta demanda de energia elétrica que um iate moderno possui.

  • E sobre os equipamentos agrícolas?

Veremos os híbridos avançando neste segmento também, embora não imediatamente. Em operações agrícolas, a potência elétrica pode ser distribuída de maneira muito simples entre vários usuários. Aqui, penso em uma ampla combinação de colheitadeiras de grande porte, por exemplo, que têm uma multiplicidade de sistemas hidráulicos que – pouco a pouco – estão caminhando para a eletrificação. Mas este mercado tem um custo muito mais intensivo que o ferroviário ou o marítimo, razão pela qual esta tendência vai demorar mais para emplacar.

  • A MTU pensa em fornecer um sistema totalmente híbrido?

Sim, estamos aptos a oferecer uma linha de soluções inteligentes no futuro, lançando não apenas um motor, mas um pacote completo que incorpore acompanhamento e orientação, um sistema de entrega de energia e um acordo de longo termo para manutenção. Para os clientes, isso se tornará cada vez mais fácil, prático e econômico do que ocorre com os sistemas autoprojetados, em que é preciso comprar, integrar e manter todos esses componentes descontínuos.