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08 de junho de 2019
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Editorial

Para deslanchar a infraestrutura

É preciso que o país adote políticas de inovação e sustentabilidade, estimulando a adoção de tecnologias e ferramentas que tragam ganhos à nossa combalida produtividade, modernizando o setor em direção a um futuro mais competitivo e promissor.

Sair da maior crise econômica já registrada na história do país tem sido um desafio sem precedentes para o setor da construção, um dos mais atingidos pelo turbilhão que nos afeta a todos já há alguns anos. Para finalmente virar a página, o caminho a ser percorrido é conhecido, mas ainda não é possível afirmar que já tenha avançado o suficiente para trazer de volta a vitalidade das atividades, com reflexos na (ainda) baixa demanda de máquinas e equipamentos.

Como já comentado neste mesmo espaço, todos ainda esperam uma melhora macroeconômica, de preferência acompanhada por mudanças tributárias, segurança jurídica, qualificação da mão de obra e, como corolário, aumento da produtividade. São requisitos estruturantes para qualquer economia vibrante, mas que – a despeitodas mudanças de rumo ocorridas – até aqui ainda não logramos obter. É fato que o potencial permanece, tanto para construtoras como para fabricantes OEM, pois na área de infraestrutura temos gargalos inadiáveis a sanar, sendo que nem mesmo a manutenção do estoque existente tem sido feita a contento, com déficit – por vezes crescente – em setores estratégicos como logística, habitação, energia, saneamento e telecomunicações.

Nesse cenário, a redução dos riscos para o investidor é uma tarefa urgente para a retomada das obras. Voltar a tocar obras é o que, para a indústria de máquinas pesadas, realmente importa para alavancar os negócios. E como é de conhecimento, melhorar o cenáriomacroeconômico e diminuir as incertezas são os únicos caminhos para atrair os investimentos privados nesse segmento. Não há dúvidas sobre isso, mas há ainda outros pontos a avançar, como reduzir a burocracia e facilitar o acesso ao crédito.

No primeiro ponto, o país perde em eficiência ao, por exemplo, não conseguir agilizar os licenciamentos das obras, assim como é deletéria a demasiada dependência do setor em relação ao BNDES, o que requer a ampliação das fontes provedoras e de fomento. Não obstante, ainda há questões tributárias pendentes, com distorções que precisam ser sanadas para melhorar a competitividade das empresas que atuam no segmento.