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16 de julho de 2018
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A ERA DAS MÁQUINAS

Os primeiros guindastes “modernos”

Por Norwil Veloso

Antecessor dos guindastes da Manitowoc, o “Moore Speedcrane” se deslocava sobre roletes de aço e não sobre trilhos

A Revolução Industrial iniciada no final do século XIX só veio a afetar a indústria da construção muitos anos depois. E, na área de guindastes, esse atraso foi ainda maior. Embora os guindastes já viessem sendo usados há muito tempo na construção de navios e no manuseio de carga em portos, seu uso na construção ainda era extremamente limitado, principalmente na execução de fundações e na abertura de valas e canais.

Muito tempo se passaria antes que a mecanização fosse introduzida na construção de edificações. Nessa época, era difícil encontrar em uma obra uma talha, uma betoneira ou mesmo uma motosserra. Portanto, a evolução dos guindastes não ocorreu devido à indústria da construção. Os principais impulsionadores desse processo foram indústria, portos e estaleiros.

DEMANDA

No início do século XX, a maior parte do transporte de materiais era feita por rios ou ferrovias. Por essa razão, guindastes sobre trilhos eram frequentemente usados nos serviços de carga e descarga.

Uma novidade interessante nessa área foram os guindastes sobre locomotivas, que surgiram na Inglaterra na segunda metade do século XIX. Eram locomotivas a vapor sobre as quais foi montada uma estrutura de guindaste. O fabricante mais conhecido foi Andrew Barclay & Sons, que chegou a fornecer o maior guindaste sobre locomotiva do mundo, com capacidade de 8 t a um raio de 4,9 m.

Embora a maioria desses guindastes fosse montada sobre locomotivas a vapor, houve quem preferisse soluções elétricas, como os ingleses Cowans & Sheldon, por exemplo. A maioria dessas máquinas utilizava baterias como fonte de energia.

Os guindastes convencionais, montados sobre trilhos, na maioria movidos a vapor e, posteriormente, também por eletricidade, começaram a aparecer mais, tanto na Europa como nos Estados Unidos. Alguns desses guindastes eram montados sobre trechos curtos de trilhos, para uso na construção.


Antecessor dos guindastes da Manitowoc, o “Moore Speedcrane” se deslocava sobre roletes de aço e não sobre trilhos

A Revolução Industrial iniciada no final do século XIX só veio a afetar a indústria da construção muitos anos depois. E, na área de guindastes, esse atraso foi ainda maior. Embora os guindastes já viessem sendo usados há muito tempo na construção de navios e no manuseio de carga em portos, seu uso na construção ainda era extremamente limitado, principalmente na execução de fundações e na abertura de valas e canais.

Muito tempo se passaria antes que a mecanização fosse introduzida na construção de edificações. Nessa época, era difícil encontrar em uma obra uma talha, uma betoneira ou mesmo uma motosserra. Portanto, a evolução dos guindastes não ocorreu devido à indústria da construção. Os principais impulsionadores desse processo foram indústria, portos e estaleiros.

Com capacidade de içamento de 40 ton, o guindaste giratório movido a vapor possuía trilhos defronte às caldeiras que davam uma ideia do porte da máquina

DEMANDA

No início do século XX, a maior parte do transporte de materiais era feita por rios ou ferrovias. Por essa razão, guindastes sobre trilhos eram frequentemente usados nos serviços de carga e descarga.

Uma novidade interessante nessa área foram os guindastes sobre locomotivas, que surgiram na Inglaterra na segunda metade do século XIX. Eram locomotivas a vapor sobre as quais foi montada uma estrutura de guindaste. O fabricante mais conhecido foi Andrew Barclay & Sons, que chegou a fornecer o maior guindaste sobre locomotiva do mundo, com capacidade de 8 t a um raio de 4,9 m.

Embora a maioria desses guindastes fosse montada sobre locomotivas a vapor, houve quem preferisse soluções elétricas, como os ingleses Cowans & Sheldon, por exemplo. A maioria dessas máquinas utilizava baterias como fonte de energia.

Os guindastes convencionais, montados sobre trilhos, na maioria movidos a vapor e, posteriormente, também por eletricidade, começaram a aparecer mais, tanto na Europa como nos Estados Unidos. Alguns desses guindastes eram montados sobre trechos curtos de trilhos, para uso na construção. Um especialista da época escreveu: “Tendo em vista sua versatilidade, a demanda por esse tipo de máquina é muito maior que a de qualquer outro guindaste”.

Este guindaste da Maschinen-und Kranbau AG (posteriormente Gottwald) foi descrito na época como um “guindaste-locomotiva com capacidade de içamento de até 10 toneladas”

PLAYERS

Na Alemanha, as fusões ocorriam com rapidez. A Gottwald (fundada em 1906 com o nome de Mukag) teve sua linha de telescópicos transferida inicialmente para a Krupp e depois para a Grove, enquanto a linha treliçada passou para a Demag, que começou a tomar forma em 1910. Outras empresas se destacaram na Alemanha, como Menck & Hambrock e Mohr & Federhalf.

Na Inglaterra, os nomes Coles e Priestman se destacavam como fabricantes desse tipo de guindaste. Em 1913, a Coles produziu o maior guindaste do mundo, com capacidade de 40 t, acionado por motor a explosão.

Nos Estados Unidos, esses guindastes eram fabricados por empresas como American Hoist & Derrick, Bay City, Bucyrus, Harnischfeger, Koehring, Link-Belt, Marion e outros. A Brown Hoist Machinery fabricava guindastes desde 1880, com sua caçamba clamshell patenteada. A versão de quatro eixos, a maior, tinha capacidade de 15 t.

Os guindastes da Link-Belt, por sua vez, tinham um projeto compacto e com boa visibilidade do operador, além de usarem caldeiras a óleo em vez de carvão, mais comuns. E, graças à disponibilização dos implementos, os guindastes puderam ser usados como bate-estacas, eletroímãs ou escavadeiras a vapor.

POPULARIZAÇÃO

A partir de 1912, apareceram nos Estados Unidos as primeiras escavadeiras sobre esteiras, que chegaram à Europa nos anos 20. Logo ficou claro que essa alternativa era muito mais versátil e rápida que os guindastes sobre trilhos e, em poucos anos, essas máquinas evoluíram dos trilhos para as esteiras e para as escavadeiras a cabo, muito populares nos anos 60.

Na verdade, ambas as máquinas evoluíram de modo independente, uma influenciando a outra, até um ponto em que não havia mais distinção entre os modelos. Como disse um jornalista especializado alguns anos depois, “de certo modo, os guindastes se tornaram tão padronizados que seus componentes principais são idênticos aos das escavadeiras shovel de capacidade correspondente, e as máquinas são produzidas na mesma linha. Esse é o caso dos Estados Unidos, onde ambas as máquinas tiveram um extraordinário aumento de popularidade”.

É dessa época o Moore Speedcrane, montado sobre rolos de aço, que também não dependia dos trilhos. Em 1916, três acionistas do estaleiro Manitowoc adquiriram uma empresa de fornecimento de areia e cascalho, onde foram usados oito desses guindastes. Como os resultados foram muito bons, decidiu-se produzir os guindastes sob licença na Manitowoc. O projeto foi modernizado, com ênfase no uso de motor a explosão e esteiras, surgindo em 1925 a primeira máquina com a marca Manitowoc.

Os guindastes não eram semelhantes aos atuais. Eram derivados de máquinas tipo locomóvel, operados como locomotivas a vapor fora dos trilhos. As lanças eram fixas e o giro de 180 graus já foi uma grande evolução, pois antes disso os guindastes de lança fixa tinham de executar uma série de manobras para carregar e descarregar.

ENGENHOSIDADE

Os caminhões começaram a ser desenvolvidos no século XIX, mas a ideia de colocar um guindaste sobre um deles demorou a aparecer. Em 1915, foi produzido o Jeffery-Quad nos Estados Unidos, com tração e direção nas quatro rodas, no qual um inventor desconhecido instalou um pequeno guindaste de lança fixa em uma das extremidades, uma solução simples e engenhosa para aumentar a gama de utilização desses veículos.

Finalmente, um guindaste com giro total foi produzido pela International Crane, montado sobre um chassi Mack, tornando-se o primeiro guindaste autopropelido sobre pneus do mundo. Essa ideia nasceu da necessidade de guindastes de alta produtividade para manuseio de carga nos portos franceses durante a Primeira Guerra Mundial.

Os Estados Unidos precisavam de 125 unidades, mas não conseguiram fornecedor, partindo para a solução sobre trilhos. O conceito, contudo, foi considerado muito promissor pela equipe da Lorain, e acabou resultando nesse guindaste, que recebeu o nome de “No 1”. Nos anos 20, empresas como Coles, Harnischfeger P&H e outras produziram guindastes similares para atender à demanda do pós-guerra. E o crescimento foi lento, mas constante.

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