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08 de abril de 2010
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Transposição do rio São Francisco / Obras avançam no sertão nordestino

Com um custo estimado em R$ 5 bilhões, o projeto está sob responsabilidade do Ministério da Integração Nacional e figura como prioridade para o governo Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê sua conclusão em 2025. Ele consiste basicamente na construção de dois canais principais – os eixos Norte e Leste – que se ligarão a uma série de canais secundários, adutoras e reservatórios, interligando o São Francisco a outras bacias do Nordeste setentrional. Para que a água transportada possa vencer os desníveis topográficos, o empreendimento contempla a construção de nove estações de bombeamento, ainda não licitadas.

As travessias de rios, estradas e ferrovias serão realizadas por meio de aquedutos, além de alguns túneis previstos em projeto. Ao longo dos dois eixos principais e de seus ramais, serão construídas 30 barragens para a formação de reservatórios, de forma a permitir o fluxo de água nos períodos em que algumas estações de bombeamento estiverem fora de operação. O projeto contempla que elas fiquem desligadas durante um período do dia, para reduzir custos de energia. A construção do primeiro trecho dos eixos Norte e Leste, denominado de canal de aproximação, está sob responsabilidade do Exército Brasileiro. O restante da obra foi licitado a consórcios de construtoras.

Escavações em rocha
Os dois eixos do projeto envolvem a escavação de canais em seção trapezoidal e sua concretagem. Nos dois primeiros lotes do Eixo Norte, o canal conta com 6 m de largura de fundo e 24 m de largura de superfície, apresentando uma altura variável de 5,5 m a 6 m. “Estamos executando o serviço pelo sistema de compensação por corte e aterro, sendo que em algumas áreas prevalece a realização de aterros e, em outras, as escavações”, explica Cássio Vittori de Campos, do Consórcio Construtor Águas do São Francisco.

Por esse motivo, ele diz que a obra se destaca pelo equilíbrio na movimentação de solos, dispensando a necessidade de importação de materiais. “Temos apenas algum excedente que é destinado a bota-foras especificados em projetos.” Ao todo, o consórcio está escavando, nos dois lotes sob sua responsabilidade, mais de 8,4 milhões m³ de materiais de 3ª categoria (rocha) e 7,8 milhões m³ de materiais de 1ª e 2ª, além de movimentar mais de 6,8 milhões m³ em aterro (veja quadro na pág. 16).

Devido às características geológicas do terreno, que é formado por um solo saprolítico, as escavações são realizadas com o uso de escavadeiras hidráulicas. Em muitas áreas, o afloramento de material rochoso impõe a necessidade de outra etapa de escavação, por sistema a fogo, com o emprego de carretas de perfuração pneumáticas e de explosivos. “Após as detonações, rompedores hidráulicos são mobilizados para a remoção de irregularidades e o acabamento dos taludes”, diz Campos.