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08 de abril de 2010
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Transposição do rio São Francisco

Obras avançam no sertão nordestino

Antes mesmo de sua conclusão e de verter água para o semi-árido, o projeto já impulsiona a economia da região com a geração de empregos
Por Melina Fogaça

Considerada uma das obras de infraestrutura de maior impacto social em execução no Brasil, a transposição do rio São Francisco já começa a produzir resultados antes mesmo de estar próxima de sua conclusão. Apesar do avanço físico do projeto, ele ainda está longe de cumprir seu objetivo, de levar parte das águas do “Velho Chico” para os municípios do sertão do Nordeste e estimular a economia local. Mesmo assim, ele já impacta a economia do semi-árido e do agreste nordestino, que figuram entre as regiões mais carentes do País, por conta dos empregos gerados na sua implantação.

Uma visita ao projeto revela o acelerado ritmo do seu avanço e a transformação do cenário local. Foi o que fez a revista M&T ao percorrer os lotes 1 e 2, com cerca de 60% das obras executadas. Totalizando 63 km, esses dois lotes mobilizam 1.675 operários para a construção dos canais ao longo da sua extensão (Eixo Norte), além de gerar emprego para mais 720 profissionais terceirizados. “Devido à escassez de mão-de-obra especializada na região, trouxemos muitos técnicos de outras localidades do País, mas a maioria dos operários foi contratada na própria região”, diz Cássio Vittori de Campos, gerente de engenharia do Consórcio Construtor Águas do São Francisco, composto pelas empreiteiras Carioca Engenharia, Serveng Civilsan e S.A. Paulista.

O impacto sobre a economia da região é visível, principalmente em função das carências das populações locais, cuja principal atividade é o comércio e a agricultura de subsistência. Vale ressaltar que esse volume de empregos beneficia apenas alguns pequenos municípios ao longo do traçado dos lotes 1 e 2, como Cabrobó, Terra Nova, Salgueiro e outros, todos no interior do Pernambuco, que compõem a primeira parte da obra do Eixo Norte.

Mas esse eixo terá extensão muito maior que os 63 km dos lotes 1 e 2, atingindo 400 km de comprimento até o interior dos estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Além dele, o projeto contempla a construção de outro canal principal de 220 km (Eixo Leste), que avançará em direção à Paraíba, a partir da barragem de Itaparica, no município de Floresta (PE). Pelas estimativas do governo federal, o projeto deverá beneficiar uma população de 12 milhões de habitantes do Nordeste setentrional com a oferta assegurada de água.

O projeto
O projeto de transposição do rio São Francisco não é recente. As primeiras propostas datam de meados do século XIX, no período do Brasil Império, e se estenderam durante o século XX, sempre despertando muita polêmica (veja quadro na pág. 14). A ideia consiste em aproveitar parte da vazão do rio para abastecer áreas do “Polígono da Seca”, a região com menor disponibilidade de água do País. Com isso, seria possível sanar parte das mazelas sociais do Nordeste brasileiro, responsáveis pelo subdesenvolvimento econômico da região e pelas migrações impulsionadas pela seca.