FECHAR
FECHAR
15 de novembro de 2018
Voltar
Coluna do Yoshio

O teste da crise

Atualmente, ainda vivemos um ambiente de grandes desafios para as empresas e os negócios. A crise econômica afeta a quase todos, desde pequenas empresas familiares a grandes corporações com capital aberto. Algumas já não conseguem sobreviver e desaparecem, enquanto outras se ajustam à situação como podem.

Já estamos vivendo um período relativamente longo de situação de crise, pelo menos desde o segundo semestre de 2014, período este marcado pela destruição da ilusão que se formou em torno da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil. Aliás, para os que se recordam mais de fatos corriqueiros, o fracasso da Seleção Brasileira na Copa de 2014 ficou marcado como a causa deste período desfavorável.

Mas o que de fato foi aprendido ao longo destes quatro anos de provações? A maioria das empresas está sobrevivendo à crise, aprendendo a lidar com as dificuldades e ajustando-se às condições no dia-a-dia do mercado. E tem de ser assim. Afinal, temos a obrigação de, no mínimo, colher aprendizados importantes para o nosso futuro.

Nesse sentido, um dos aspectos que mais saltam aos nossos olhos é que muitas empresas que crescem e prosperam em tempos mais favoráveis simplesmente desaparecem ou sofrem muito nas crises. Então, é de se perguntar se teriam construído um sucesso autêntico ou apenas tiveram um lampejo momentâneo de sorte.

Costumamos creditar os sucessos ao nosso esforço pessoal, justificando os insucessos por motivos extemporâneos. Mas a experiência nos ensina que mesmo as empresas que nasceram de oportunidades e ideias inovadoras devem desenvolver uma estratégia sustentável com o tempo. Empresas maiores e com mais tempo de existência não sobrevivem melhor apenas porque são maiores. Elas sobrevivem porque valorizam o aprendizado e acumulam reservas para os “tempos bicudos”.

Outro aspecto interessante é que existem negócios e setores – que antes não eram tão atrativos ou interessantes – sobrevivem e até mesmo crescem durante as crises. Os setores básicos continuam atendendo a uma demanda que cresce com a população e evolui lentamente com as mudanças de hábitos. Talvez não tenham o “sex-appeal”, o encanto das inovações e a sedução da modernidade, mas são consistentes.

Um estudo sobre as 20 empresas familiares mais longevas de diversos países do mundo indica que um dos fatores fundamentais para a sua prolongada existência está no fato de atuarem em setores básicos da sociedade. Muitas vezes, não têm uma presença empresarial glamorosa, mas são naturalmente resistentes às crises.