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05 de outubro de 2018
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A Era das Máquinas

O reinado das escavadeiras fora dos trilhos

Por Norwil Veloso

A Erie Steam Shovel Company foi pioneira na construção de escavadeiras de pequeno porte, como este modelo GA-2 movido a petróleo, com capacidade de 0,8 m3 e dotado de motor pneumático e compressor

Na primeira metade do século XX, três fatores foram de grande influência na tecnologia de construção de máquinas: o motor diesel, os pneus de grande porte e a saída dos trilhos. Na década de 20, o acionamento elétrico também deu maior flexibilidade às escavadeiras.

Em conjunto com a General Electric, a Marion Power Shovel desenvolveu um sistema de controle que teve larga utilização e foi usado durante muito tempo com o nome “Ward-Leonard”. Na verdade, era uma variação de um sistema de controle contínuo de rotação de motores elétricos de corrente contínua, já utilizado em outras aplicações como elevadores, radares, equipamentos de proteção antiaérea, locomotivas e outras.

Um motor (que podia ser CA, CC ou a explosão) trabalhava em rotação constante, acionando um gerador CC e controlando a tensão no enrolamento de campo, o que faz variar a voltagem de saída e, portanto, a rotação de um motor CC acoplado a ele (pode-se até mesmo inverter o sentido). Pequenas variações da corrente aplicada no campo do gerador resultam em variações amplificadas na tensão de saída, permitindo o controle suave da rotação do motor.

Além de portar descarga ajustável, o shovel O&K 16 possuía um único motor a vapor para todas as funções

INDEPENDÊNCIA

O motor diesel e o uso de pneus de grande porte deram independência às máquinas, que não precisavam mais ter seu deslocamento limitado a uma rede de trilhos. Antigos implementos deixaram de ser tracionados e ganharam propulsão própria, como as motoniveladoras e os motoscrapers. De modo geral, graças a essa solução mecânica, as máquinas se tornaram menores e mais compactas.

A eliminação dos trilhos também reduziu significativamente as equipes vinculadas às escavadeiras, pois eram necessários ao menos 15 operários para instalar trilhos e dormentes que permitissem a locomoção de uma escavadeira, o que aliás levava várias horas e tinha um alto custo. As derradeiras máquinas sobre trilhos foram produzidas pela Marion em 1929.

Por outro lado, uma escavadeira a vapor de 30 t, considerada pequena, consumia 400 l de água e 60 kg de carvão por hora. Assim, os motores a explosão permitiram que as máquinas se deslocassem sem a necessidade desse suprimento constante, ou mesmo de cabos elétricos.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral