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31 de março de 2017
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Fabricante

O motor da retomada

No lastro da supersafra agrícola, FPT projeta avanço de 13% nos negócios puxado pelo setor de caminhões; biocombustíveis e hibridização estão no horizonte da marca
Por Marcelo Januário (Editor)

A FPT Industrial tem pressa, mas não é afoita. Vivendo um bom momento, tendo em vista a conjuntura desafiadora do país, a empresa do Grupo CNHi faz planos para brigar pela ponta em todos os mercados em que atua, inclusive aqui. Globalmente, a fabricante disputa a segunda posição nos chamados mercados “emissionados”, mais regulamentados, para motores de 2 a 20 l. Na América Latina, afirma estar se aproximando dos dois líderes, crescendo em volume e market share, até por possuir uma carteira de clientes dentro do próprio grupo e, ainda, fornecer propulsores para outros fabricantes OEM a partir de duas unidades fabris, em Sete Lagoas (MG) e em Córdoba (Argentina). “Saímos de um momento de desenvolvimento interno para um de desenvolvimento global”, avalia Marco Rangel, presidente da FPT Industrial para a América Latina.

No mercado interno, o executivo diz que a empresa já esperava uma recuperação gradual, mas não deixa de comemorar os bons resultados do setor agrícola, que volta a movimentar o segmento de caminhões, atualmente responsável por metade da demanda. “Nos últimos dois meses de 2016, o mercado agrícola recuperou um ritmo bem melhor do que vinha sendo projetado”, diz ele, já vislumbrando um aumento de 13% nos negócios em relação a 2016. “Se olharmos para o resultado do fechamento do ano passado, já é possível detectar sinais dessa recuperação.”

Neste ano, a FPT projeta um mercado de 63 a 65 mil caminhões, com o setor agrícola consumindo quase 50 mil unidades. Em 2011, por exemplo, o mercado total chegou a 120 mil caminhões. “Temos mercado para voltar a isso, mas precisamos de estímulos para o transportador voltar a investir”, comenta Rangel. “A recuperação não está acontecendo ainda, pois o mercado está meio confuso, ainda sem saber quais são as regras de financiamento.”

Na mesma linha, o executivo clama por uma retomada mais forte dos projetos de infraestrutura, cuja morosidade prejudica o agronegócio e a própria economia. “Os três mil caminhões parados no Mato Grosso, onde sempre foi difícil passar, mostram que não houve investimento para escoar a produção”, analisa. “Construir estradas, hidrovias, portos... tudo isso pode trazer movimento ao país.”

Desse modo, não é surpresa que o mercado para máquinas de construção continue “muito complicado”, como reconhece Rangel, pois a infraestrutura foi o setor que mais sofreu os efeitos da retração econômica. “Ainda temos um cenário de incertezas”, frisa. “De modo que o mercado deve ter uma pequena recuperação, mas ainda sem uma tendência clara.”