FECHAR
FECHAR
29 de abril de 2010
Voltar
Motores a diesel

O impacto do B4 na frota brasileira

Motores brasileiros já saem de fábrica adaptados para o uso de até 4% de biodiesel (B4), mas os ganhos ambientais só virão quando o diesel sair de todas as refinarias com 50 ppm de enxofre (S-50), em 2014

A legislação ambiental que determinou, a partir do mês de julho, a adição de 4% de biodiesel ao combustível que abastece os veículos brasileiros movidos a diesel (B4) não produziu impacto na industria de motores instalada no pais. Graças a uma serie de desenvolvimentos e testes conduzidos pelos fabricantes, iniciada desde que a redução de emissões de poluentes e a produção de biodiesel entraram na pauta de discussão do setor, as adaptações realizadas capacitaram os motores a suportar ate 20% de biodiesel (B20) sem comprometimento ao seu desempenho.

Ha cerca de quatro anos, a viabilidade de se utilizar bicombustível era muito discutida no país, mas pouco se fazia para colocá-la em pratica. Apenas em janeiro de 2008 se estabeleceu a obrigatoriedade do uso de B2, que foi ampliada para B3 em julho do mesmo ano e agora para o B4. “Provavelmente o B5 será exigido a partir de 2010”, prevê Luis Chain Faraj, gerente executivo de marketing e engenharia de clientes da Cummins. “Ate o final de 2008, o Brasil já computava 61 usinas responsáveis pela produção de 3 bilhões de litros anuais de biodiesel, cenário que contrastava com as 28 usinas existentes em 2007, então com capacidade total de 876 milhões de litros por ano”, ele compara.

Para aferir o resultado das adaptações promovidas em seus motores, a Cummins realizou testes que acusaram uma redução de ate 20% na emissão de hidrocarbonetos (combustível não queimado) e de 16% na de material particulado (MP). As pesquisas conduzidas pela fabricante também concluíram que os motores suportam bem o uso de B20. “Constatamos que ele não terá os intervalos de manutenção reduzidos, alem de dispor de total capacidade para fazer a separação da água”, explica Faraj.

Segundo ele, esses motores podem ser equipados com aquecedor para que a temperatura do fluido se mantenha nos níveis ideais, especialmente nas operações em regiões de clima mais frio. Faraj diz que alguns materiais usados nos motores não são compatíveis com o biodiesel, como cobre, bronze, estanho, chumbo e zinco, mas que as vedações não serão afetadas ate o índice B20. Isso porque a empresa já substituiu o emprego da borracha nitrílica ou natural na confecção desses componentes por elastômeros e borrachas viton, indicados para o uso de bicombustíveis.

O gerente de projetos especiais da Delphi Automotive Systems, Vicente Pimenta, diz que ate o momento não constatou agressões a vedações, a borrachas e aos sistemas de injeção eletrônica dos motores, desde que o biodiesel usado seja de boa qualidade. “A utilização dele puro pode ser mais severa e, para esse emprego, e necessária uma autorização da Agencia Nacional de Petróleo (ANP), já que não ha permissão para se comercializar o fluido nessa condição.” Ele ressalta que a adequação dos motores não implicou adaptações profundas e que os motoristas não constataram diferenças no desempenho de motores abastecidos com B4.