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30 de setembro de 2010
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Método não-destrutivo

O impacto da tecnologia nas redes públicas

Concessionárias de serviços públicos como a Sabesp e Comgás adotam o método não-destrutivo como padrão em obras de instalação e manutenção de redes subterrâneas

Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), aproximadamente 17% das tubulações de água e esgoto têm, em média, cerca de 50 anos de existência, enquanto outros 56% estão em operação há cerca de três ou quatro décadas. A idade avançada dessas redes é a responsável pelo alarmante índice de vazamento de água registrado pela concessionária local, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). A cada 100 km de dutos, ela conta com 140 pontos que necessitam de reparos, índice muito superior ao recomendado pelos especialistas, que é de no máximo 0,13 vazamentos por quilômetro de rede.

Esse cenário se torna ainda mais preocupante ao se analisar a rede coletora de esgoto da empresa, que conta com cerca de 200 km de tubulações instaladas nas décadas de 1920 e 1930 e que, por consequência, operam em situação caótica. Por esse motivo, a empresa mantém um programa para o reparo e substituição dessas linhas de dutos, no qual os métodos não-destrutivos (MND) figuram como principal sistema construtivo.

Segundo Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp, a reabilitação de 4 mil km de redes de água demandará investimentos anuais de R$ 42 milhões em um período de 20 anos. Esse valor será aplicado na substituição de 70% dos dutos antigos e na troca de revestimento dos outros 30%. No caso das linhas coletoras de esgoto, o investimento previsto até 2018, de R$ 27 milhões/ano, será o suficiente para a substituição de 100% dessas redes, inclusive com o aumento de diâmetro para expansão da capacidade.

No rol de investimentos da Sabesp se incluem ainda outros grandes programas, como a despoluição das praias da Baixada Santista e do rio Tietê. A fase III deste último projeto, por exemplo, soma investimentos da ordem de US$ 1,05 bilhão, sendo que o método não-destrutivo norteará a maior parte das redes instaladas até 2015. Atualmente, 80% dos coletores-tronco previstos no programa estão sendo construídos com o uso intensivo de equipamentos de perfuração de microtúneis (Microtunneling Boring Machine – MTBM).

Frota insuficiente
“No total, 22 máquinas de sete fornecedores trabalham nas obras, sendo nove com diâmetros até 400 mm e treze com diâmetros entre 500 e 600 mm, que operam com uma produtividade média de 140 m/mês”, explica Flávio Durazzo, coordenador de empreendimentos da Sabesp para a área de esgotos/sul. Entre os benefícios obtidos com essas máquinas, ele destaca que os recalques na superfície foram reduzidos a níveis mínimos, além do baixo custo ambiental e social da obra, do alto grau de precisão nas perfurações e da menor movimentação de solos.