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15 de novembro de 2018
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Fabricante

O futuro tem de vir

Em visita ao Brasil, presidente mundial da Dynapac conta com exclusividade à Revista M&T como a indústria de máquinas pesadas para construção está sofrendo no país
Por Marcelo Januário (Editor)

A indústria nacional de máquinas pesadas para construção precisa se recuperar rápido. Cortante, tal alerta vem do principal executivo de uma das maiores fabricantes de rolos compactadores e pavimentadoras do mundo, o belga Paul Hense, presidente mundial da Dynapac. “Desde 2014 estamos em crise muito profunda e, mesmo assim, continuo confiante, pois acredito que mercado brasileiro seja muito sólido”, afirmou.

Todavia, o executivo avalia que, pelo importante papel que desempenha na América Latina, o país não pode ficar “escondido atrás do muro”, devendo se esforçar mais para participar da economia internacional. “No momento, o Brasil não tem mercado, não é competitivo”, dispara. “A China compete com a Alemanha, sendo 40% mais barato produzir lá. Se as coisas não melhorarem logo, para muitas empresas ficará difícil justificar sua presença aqui. E muitas companhias pensam o mesmo.”

Paul Hense: busca por rentabilidade

Segundo ele, o Brasil continua sendo um país fechado economicamente, sem competitividade com os fundos internacionais. “Para competir com o resto do mundo, o mercado brasileiro precisa ser mais aberto, adotando soluções de longo prazo”, disse. “Isso de administrar custos é loucura, além do que existem muitos encargos, taxas, burocracia etc. O fato é que hoje não faz sentido ter uma fábrica no Brasil, mas não temos qualquer intenção de fechar a planta.”

De fato, a queda no mercado brasileiro de equipamentos tem sido profunda e continuada nos últimos anos. Para ficar apenas no carro-chefe da companhia, desde 2014 o mercado interno de rolos compactadores caiu 80% em apenas 2 anos. No ano passado, quando todos pensaram que o cenário iria melhorar, repetiu-se o mesmo desempenho. “Ninguém vê com bons olhos o que está acontecendo no Brasil, mas a matriz aprova as ações que temos feito para redução de custos de produção e prospecção de fornecedores”, comentou a esse respeito o gerente regional de vendas da Dynapac do Brasil, Paulo Henrique Caetano Bruno (leia Entrevista a partir da pág. 119).

Para Hense, todavia, tal situação é passageira, pois o país é realmente “fantástico”. “O povo brasileiro é formado por pessoas com ambições e muito competitivas, por isso valorizamos gerentes locais que têm um bom relacionamento com o mercado internacional e apostamos nesse capital humano”, contrapôs. “Acreditamos que 2019 será um ano bom para o mercado brasileiro.”