FECHAR
29 de abril de 2010
Voltar
Internacional

Novos players acirram a competição no mercado

Pressionados pela queda nas vendas em seus países de origem, fabricantes estrangeiros descobrem o potencial do mercado brasileiro

Diferentemente da situação vivida pela indústria brasileira, os fabricantes de equipamentos para construção dos demais países do mundo enfrentam uma turbulência sem precedentes na história, com quedas superiores a 30% no ritmo das atividades desde 2006. “Trata-se da maior crise que já presenciei em mais de 30 anos de experiência no setor”, afirma o britânico David Phillips, diretor de instituto Off-Highway Research, especializado em pesquisas no mercado internacional de equipamentos.

Segundo levantamentos da sua empresa, o volume de negócios no mercado mundial de máquinas para construção diminuiu de US$ 100 bilhões por ano, em 2006, para cerca de US$ 87 bilhões, em 2008. Este ano, a previsão é que as vendas no setor totalizem aproximadamente US$ 68 bilhões, contabilizando uma queda de 28% no mercado norte-americano e de 32% na Europa em relação a 2008.

Como a crise tem origem no mercado financeiro, Phillips destaca que a redução das atividades se deve mais à falta de crédito que à paralisação do setor de construção. “Cerca de 80% das vendas da indústria de máquinas depende de financiamento e, em janeiro deste ano, apenas 5% dos contratos fechados contaram com linhas de crédito.” Com um estoque excedente de equipamentos no mercado e a ausência de financiamentos, os fabricantes se deparam com uma situação complexa, na qual as promoções se mostram infrutíferas na geração de novos negócios.

De acordo com Israel Celli, vice-presidente de vendas e marketing da Case Construction na Europa, a queda nas vendas atinge índices dramáticos em países como a Espanha (redução de 85%) e não faz distinção quanto aos tipos de equipamentos, abrangendo tanto os modelos de escavação de solos como os usados em obras rodoviárias, os guindastes e outros. Mesmo assim, ele acredita que o pior já passou e vislumbra uma luz no fim do túnel. “Na Polônia e demais países do leste europeu há uma grande demanda por obras de infraestrutura e esse será o caminho para a nossa retomada no continente.”

Avanço chinês

Menos traumática é a situação enfrentada pelos fabricantes chineses, que após um crescimento nas vendas de 26%, em 2008, tiveram que se contentar com uma expansão de “apenas” 5% nos negócios em 2009. Mesmo assim, como estão operando abaixo da capacidade instalada, eles aceleram os planos de internacionalização que permeiam o projeto de expansão da economia chinesa. “A China não vai se contentar em ser apenas o maior mercado consumidor de equipamentos de construção; ela se prepara para se tornar também o maior fornecedor mundial desse setor nos próximos cinco anos”, avalia Phillips.