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03 de abril de 2018
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Plataformas

Mudança de perfil

Com a retração do mercado da construção, fabricantes prospectam outras áreas de atuação para seus equipamentos, que agora também adentram a era da eletrificação
Por Antonio Santomauro

Concebidas para a produtividade e a segurança de atividades em locais elevados, as plataformas de trabalho aéreo têm presença relativamente recente no Brasil, onde sua chegada intensificou-se em uma época na qual proliferavam grandes obras, como as vinculadas à Copa do Mundo e às Olimpíadas realizadas no país. Por isso mesmo, até há pouco tempo eram destinadas quase exclusivamente à construção civil, mas a subsequente crise econômica fez minguarem os grandes projetos na área. Hoje, a saída para as locadoras – as principais compradoras desses equipamentos – é expandir seu uso para uma gama maior de setores, incluindo também manutenção industrial e predial, logística, decoração de shopping centers, eventos e outros.

Todavia, são setores que impõem aos fornecedores uma realidade comercial distinta daquela vigente no período dos grandes projetos. Como ocorreu na recente reforma do aeroporto do Galeão, por exemplo, na qual em determinado momento operavam cerca de 300 plataformas. “Por outro lado, a decoração natalina de um shopping center exige apenas alguns dias de uma plataforma elétrica de menor porte”, compara Arthur Lavieri, presidente da Solaris, locadora que atualmente dispõe de uma frota com cerca de 3 mil plataformas, de diferentes marcas e modelos.

Novos nichos de atuação impõem uma realidade comercial desafiadora aos fabricantes de plataformas

DEMANDA

De fato, a diversificação definitivamente se impôs a esse mercado. Na locadora Mills – cuja frota supera 6 mil plataformas – a participação da construção no total de locações era de 80% em 2014, mas agora está reduzida a 30%. “Hoje, nosso maior cliente individual é a Vale, onde esses equipamentos são usados para manutenção das vias de transporte de minérios”, especifica Daniel Brugioni, diretor comercial e de marketing da empresa, que considera a crise no mercado das grandes obras a principal causa dessa mudança no perfil dos usuários brasileiros de plataformas (que, ademais, aconteceria dentro de algum tempo, como decorrência natural do desenvolvimento dessa indústria).

Menos esperada, a crise realmente teve impactos profundos. Em 2017, como relata Marcelo Nottolini Racca, executivo de vendas da Haulotte, o mercado brasileiro demandou pouco mais de 400 plataformas novas, além de aproximadamente outras 200 em operações trade in – um tipo de operação na qual o fabricante recebe um equipamento usado como parte do pagamento de um novo. Cerca de três anos antes, essa demanda chegou a 1.500 unidades. “No Brasil, um mercado saudável equivaleria a quase 2,5 mil novas plataformas por ano”, pondera Racca.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral