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02 de março de 2012
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Manutenção

Motores elétricos: os passos para uma operação mais eficiente

A adoção de medidas preventivas, como a medição da resistência ao isolamento as análises de vibração e temperatura, ajudam a aumentar a vida útil dos equipamentos

No Brasil, um grande parque de motores elétricos antigos permanece em operação, após 20, 30 ou até 40 anos de uso. Como foram produzidos numa época em que a economia de consumo de energia não era uma prioridade, esses equipamentos se caracterizam pela baixa eficiência energética. Além disso, após tantos anos de utilização, é natural que eles tenham passado por diversos processos de queima e rebobinagem, o que contribui ainda mais para sua baixa eficiência.

Esse cenário, que pode ser constatado no quadro da página 62, serve para justificar a adoção de critérios para priorizar a manutenção desses equipamentos. Ao se deparar com um parque de motores elétricos, o profissional do setor deve programar sua manutenção de acordo com padrões de criticidade, considerando suas condições operacionais como a idade, por exemplo, e o seu nível de importância para a produção.

Dessa forma, motores de nível “A” seriam aqueles vitais para o processo e cuja parada interrompe a produção. Os classificados como nível “B”, por sua vez, seriam igualmente importantes, mas com menor impacto na produção diante de uma eventual parada, enquanto os da série “C” se classificariam entre os que podem parar a qualquer momento para manutenção sem afetar diretamente a produção. Partindo desse princípio, é possível estabelecer procedimentos de manutenção adequados a cada modelo de motor e a sua criticidade para o processo.

A manutenção de freios, por exemplo, normalmente requer que o motor seja apenas retirado de operação, mas pode ser executada com o equipamento instalado no local. Por isso, podemos presumir que, no caso de motores de nível “C” e “B”, essa intervenção pode ser realizada sem grandes programações prévias. Nos equipamentos de nível “A”, entretanto, sua execução requer um plano de redundância para se evitar impactos na produção.

No caso do sistema de refrigeração a água, se o equipamento for dotado de trocador de calor pode ser viável mantê-lo instalado na base durante a manutenção. Entretanto, se o sistema de arrefecimento do motor for de circulação de água por canais na carcaça, ele deverá ser deslocado para uma oficina na eventualidade de uma manutenção. Por esse motivo, motores com esse último tipo de arrefecimento não são indicados para operar como nível “A”.

Calculando a proteção

O motor elétrico possui dois componentes-chave que merecem atenção especial para se evitar falhas na operação: o enrolamento (bobinado) e os rolamentos. Para ambos, a presença de contaminantes significa um fator de redução da vida útil. Em especial a umidade, que reduz a eficiência do isolamento elétrico e, com o tempo, pode ocasionar falhas. Nos rolamentos, a umidade acaba comprometendo a lubrificação e leva o conjunto a falhas prematuras. Os contaminantes sólidos também são prejudiciais ao sistema, principalmente aos rolamentos, onde, em contato com a graxa, prejudicam a qualidade da lubrificação e elevam o nível de desgaste dos elementos móveis.