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31 de outubro de 2012
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Transportes Especiais

Mercado em ascensão impulsiona introdução de novas tecnologias

Soluções inéditas ampliam possibilidades para a realização de transporte de cargas especiais no país

Antes restrito ao segmento portuário, o volume de transportes especiais realizados no Brasil dobrou nos últimos 10 anos, movido principalmente pela demanda na área de energia eólica. Essa é a avaliação de Rogério Passini, engenheiro da AGR Passini, representante de alguns fabricantes de equipamentos para o segmento.

Segundo ele, o salto quantitativo pode ser constatado pelo fato de que há uma década o mercado detinha entre 800 e mil linhas de eixo e, atualmente, esse total ultrapassa as duas mil unidades. Esse cenário de crescimento tem impulsionado a atuação de fabricantes e prestadores de serviços de transportes especiais, que passam a oferecer soluções cada vez mais específicas e tecnologicamente inovadoras ao mercado nacional.

A Rimac, por exemplo empresa que representa fabricantes internacionais de peso como a Kamag e a Scheuerle apresenta uma série de soluções para esse fim. Rodrigo Svec, coordenador comercial da empresa, reforça a percepção de que a demanda do mercado está em plena ascensão. “As vendas de equipamentos para transporte horizontal de cargas excedentes ou indivisíveis cresce, em média, 15% ao ano, mas a quantidade de transportes realizados cresce bem acima disso, pois temos de considerar as empresas que improvisam sistemas de transporte em vez de adquirirem máquinas específicas”, diz ele.

Transportadores

Svec cita equipamentos específicos como os transportadores autopropelidos, cuja utilização está crescendo exponencialmente devido à sua aplicação em estaleiros navais.

“No que tange à divisão de carga por eixo, esses transportadores são equipamentos com princípio semelhante ao das linhas de eixo para transporte rodoviário, porém, partem de capacidades totais maiores, acima de 150 t, além de serem guiados por controle remoto”, explica ele, salientando que a principal vantagem da solução é a versatilidade, pois, apesar da alta taxa de carga que suportam, apresentam facilidade de manobras.

Quem também confirma o aumento na demanda de soluções para operações off-shore é a Locar. Segundo seu diretor de transportes, Júlio Cezar Teixeira Pereira, a empresa tem registrado um aumento na disponibilização de equipamentos autopropelidos com capacidade para movimentar cargas com mais de mil t em diferentes configurações.

A AGR Passini é outra empresa focada no mercado de plataformas e reboques autopropelidos par


Antes restrito ao segmento portuário, o volume de transportes especiais realizados no Brasil dobrou nos últimos 10 anos, movido principalmente pela demanda na área de energia eólica. Essa é a avaliação de Rogério Passini, engenheiro da AGR Passini, representante de alguns fabricantes de equipamentos para o segmento.

Segundo ele, o salto quantitativo pode ser constatado pelo fato de que há uma década o mercado detinha entre 800 e mil linhas de eixo e, atualmente, esse total ultrapassa as duas mil unidades. Esse cenário de crescimento tem impulsionado a atuação de fabricantes e prestadores de serviços de transportes especiais, que passam a oferecer soluções cada vez mais específicas e tecnologicamente inovadoras ao mercado nacional.

A Rimac, por exemplo empresa que representa fabricantes internacionais de peso como a Kamag e a Scheuerle apresenta uma série de soluções para esse fim. Rodrigo Svec, coordenador comercial da empresa, reforça a percepção de que a demanda do mercado está em plena ascensão. “As vendas de equipamentos para transporte horizontal de cargas excedentes ou indivisíveis cresce, em média, 15% ao ano, mas a quantidade de transportes realizados cresce bem acima disso, pois temos de considerar as empresas que improvisam sistemas de transporte em vez de adquirirem máquinas específicas”, diz ele.

Transportadores

Svec cita equipamentos específicos como os transportadores autopropelidos, cuja utilização está crescendo exponencialmente devido à sua aplicação em estaleiros navais.

“No que tange à divisão de carga por eixo, esses transportadores são equipamentos com princípio semelhante ao das linhas de eixo para transporte rodoviário, porém, partem de capacidades totais maiores, acima de 150 t, além de serem guiados por controle remoto”, explica ele, salientando que a principal vantagem da solução é a versatilidade, pois, apesar da alta taxa de carga que suportam, apresentam facilidade de manobras.

Quem também confirma o aumento na demanda de soluções para operações off-shore é a Locar. Segundo seu diretor de transportes, Júlio Cezar Teixeira Pereira, a empresa tem registrado um aumento na disponibilização de equipamentos autopropelidos com capacidade para movimentar cargas com mais de mil t em diferentes configurações.

A AGR Passini é outra empresa focada no mercado de plataformas e reboques autopropelidos para canteiros navais, mas chama a atenção ainda para a utilização de linhas de eixo modulares em transporte rodoviário, outro segmento altamente demandante nos últimos anos. “Nesse caso, a empresa oferece equipamentos que vão de três a oito linhas de eixos direcionais por módulos”, diz ele.

Transporte Rodoviário

Rodrigo Svec, da Rimac, retoma a palavra para explicar que a vantagem das linhas de eixo para transporte rodoviário reside justamente na modularidade, ou seja, na possibilidade de acoplar quantas linhas forem necessárias para a realização de um transporte especial, seja para atender a classificação de carga dividida por eixo como para adequar o transporte a cargas que excedam o comprimento tradicional de transporte (veja quadro explicativo ao lado).

Ainda sobre o transporte rodoviário, a Saraiva empresa que presta serviços de transportes especiais horizontais e verticais destaca que o segmento de energia eólica é atualmente um dos principais demandantes de transportadores. “Para essa situação, oferecemos pranchas extensivas de quatro eixos direcionáveis”, diz Ricardo Teixeira, diretor regional da empresa. “São equipamentos que chegam a 60 m de comprimento e suportam peso razoável, o que os torna devidamente aplicáveis ao transporte de pás e outros segmentos de torres eólicas.” Geralmente, explica o diretor, as pás eólicas medem entre 33 e 55 m de comprimento.

Rodrigo Svec, da Rimac, também considera o segmento de energia como um dos maiores demandantes de transportadores especiais no país. Para esse mercado, o especialista explica que os equipamentos se caracterizam principalmente pela extensão. “As pás que são os segmentos mais transportados na construção de um parque eólico pesam entre oito e 15 t, o que não representa uma carga alta”, enfatiza. “Por outro lado, como têm extensões de até 55 m, sua movimentação exige a configuração de diversos módulos de linhas de eixo, o que encarece o transporte.”

Evolução

Nesse sentido, os fabricantes de transportadores autopropelidos têm desenvolvido soluções mais específicas. “Um exemplo são as carretas estendidas”, frisa Svec. Ele explica que, estruturalmente, tais equipamentos são carretas-padrão dotadas de uma extensão metálica na qual a pá é transportada em balanço. “No final dessa extensão, acrescenta-se o módulo de quatro ou seis linhas de eixo, permitindo que a empresa transportadora realize a operação com segurança e disponha do menor investimento possível com o equipamento transportador”, diz ele, explicando que o acréscimo de cada linha de eixo corresponde a um aumento de custo de transporte, pois gasta-se componentes das máquinas (como pneus), além de implicar em um maior custo com pedágios.

Segundo o executivo da Rimac, os equipamentos para transportes especiais principalmente para atender o setor de energia têm avançado a tal ponto que a Scheuerle desenvolveu um equipamento especialmente para trafegar em regiões sinuosas. “A sinuosidade das vias nos Alpes Suíços impedia o transporte de pás eólicas por meio de linhas de eixos tradicionais e, por isso, a solução foi desenvolver um equipamento que permitisse o levantamento da carga a cada curva realizada”, detalha. Nesse caso, o transportador é dotado de um acionamento hidráulico, que move a carga para a posição perpendicular sempre que necessário. “Ao final da curva, é feito o acionamento contrário, voltando a carga para a posição de transporte horizontal”, complementa o executivo, salientando que a nova tecnologia já está disponível para o mercado brasileiro e, inclusive, há interessados na sua aquisição.

Quando classificar o transporte como especial

O transporte de cargas que excedem os limites estipulados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) exige a obtenção de Licença Especial de Transporte (AET), um documento que pode ser emitido tanto pelo órgão executivo rodoviário da União (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – Dnit), quanto pelos órgãos rodoviários estaduais (Departamento de Estradas de Rodagem - DER) e até mesmo municipais.

Confira abaixo os principais itens que classificam a necessidade de obtenção da AET para transporte rodoviário de cargas:

Veículos com comprimento superior a 23 m;

Veículos com largura superior a 3,20 m;

Veículos com altura superior a 4,40 m;

Veículos cujo Peso Bruto Total Combinado (PBTC) exceda a 57 t.

Saiba mais sobre a licença especial de transporte

Além da necessidade de Licença Especial de Transporte, em algumas situações é necessário cumprir outras exigências para a locomoção de cargas excedentes. Quando a carga ultrapassar 5 m de largura, por exemplo, é preciso escolta com dois batedores e acompanhamento da Polícia Militar.

O mesmo acontece se a carreta tiver mais de 35 m de comprimento, caso típico no transporte de pás de torres eólicas. Em transportes cujo Peso Bruto Total Combinado ultrapassa 100 t, também são necessárias as escoltas policial e de batedores.

No caso de cargas excedentes a 175 t, além dos batedores e todo o processo convencional para requisição de licença especial, é necessário realizar um laudo estrutural da pista. Esse procedimento, segundo explica Alessandro Vivian, gerente de relacionamento da Saraiva, consiste em um estudo realizado por engenheiro especializado no qual se avaliam todas as obras de arte existentes no percurso, tanto antes quanto depois da passagem do equipamento.

“Esse é um procedimento que poderia ser mapeado melhor pelos DERs ou pelo DNIT”, avalia o gerente. Ele se refere ao fato de que, quando esse procedimento se mostra necessário, o laudo tem de ser feito a partir do zero, pois os órgãos competentes ainda não possuem um banco de dados dos estudos e modificações realizados anteriormente.