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04 de outubro de 2018
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Concreto / Marco na paisagem

Para o diretor do grupo, Alexandre Allard, assim “como a Lina Bo Bardi nos anos 50, Jean Nouvel tem um olho estrangeiro contemporâneo e novo, que vai revelar e destacar a beleza única desta ilha poética e abandonada por mais de 30 anos”. “Ele vai enfrentar o desafio de inovar, criando uma extensão moderna e, ao mesmo tempo, respeitando os edifícios históricos tombados do local”, diz o executivo. “O complexo Matarazzo é uma área que precisa ser preservada e rejuvenescida. Sua alma nos alimenta e, hoje, nós queremos valorizar este patrimônio de forma audaciosa e criativa.”

CORPO DE TRABALHO

Para Maurício Bianchi, diretor de construção do grupo, a obra também traz grandes inovações para a construção. “O esquema clássico de construção possui apenas 20% de especialistas, enquanto o projeto do Matarazzo prevê 40%. Para isso, estamos implementando um novo treinamento e uma nova cultura de luxo que não é importada, nem padrão, mas sim pensada a partir dos melhores artesãos, ferreiros, serralheiros e marceneiros brasileiros”, diz ele. “Assim, as obras do Matarazzo não são somente uma construção, mas um trabalho minucioso e artesanal de restauro”.

Devido a essa peculiaridade do projeto, a sua concretagem também constitui uma etapa de grande complexidade, tanto em relação aos materiais empregados, como ao impacto ambiental na região e, sobretudo, às especificidades e cargas previstas. Aliás, um dos principais aspectos da obra está justamente na opção pelo uso do concreto, tanto para execução das estruturas quanto para fechamentos e fachadas.

O edifício terá amplas áreas em que o concreto ficará aparente, em segmentos do teto, paredes e pisos. Quando estiver pronto, será como uma escultura em concreto ornamentada por telas de madeira e muito verde. De acordo com Ricardo Soares de Andrade, gerente geral da área de concreto da Votorantim Cimentos, especialmente dois pontos chamaram a atenção no projeto. Um deles é a preocupação dos empreendedores com o impacto sobre o meio ambiente. “Todo o concreto utilizado é do tipo autoadensável, uma tecnologia usada apenas pontualmente devido ao seu alto custo”, explica. “Essa referência ambiental foi uma decisão do cliente, uma vez que esse tipo de concreto evita o emprego de aparelhos de vibração e traz um ganho considerável na redução dos ruídos durante a obra. Mas é uma obra atípica, pois nunca tivemos um desafio como esse.”

Ademais, o projeto solicitou várias características específicas para o concreto. Junto à Engemix, a Votorantim Cimentos está fornecendo para a obra um concreto arquitetônico pigmentado, além do Adensamix, um material autoadensável que permite o preenchimento integral das fôrmas sem a necessidade de adensamento mecânico ou espalhamento manual.