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04 de outubro de 2018
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Concreto

Marco na paisagem

Conheça os desafios enfrentados na concretagem da Torre Rosewood, uma estrutura em formato piramidal que se transformará em um jardim suspenso em plena avenida Paulista

Projetada pelo arquiteto francês Jean Nouvel – vencedor do prêmio Pritzker de 2008, o Oscar da arquitetura –, a construção da Torre Rosewood vem exigindo um elevado padrão tecnológico para as empresas envolvidas na obra, sobretudo no campo da concretagem, tendo em vista as especificações singulares do projeto quanto a dimensões de lajes, tipo de concreto empregado e necessidades de ocupação.

Construída na região da Avenida Paulista, em São Paulo, a torre integra o projeto da Cidade Matarazzo, um complexo que irá reunir hotel, edifício comercial e áreas residenciais no mesmo local onde, no passado, funcionou o Hospital Matarazzo (construído em 1904 e também conhecido como Umberto I). Projetado em estilo neoclássico, o conjunto de 27 mil m² está completando 114 anos e esteve em vias de ser demolido, até ser tombado em 1986 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) como patrimônio arquitetônico da cidade.

Depois disso, a construção ficou abandonada por mais de 20 anos, até ser adquirida pelo grupo francês Allard, que desenvolveu um projeto de características únicas para sediar o primeiro hotel-palácio de seis estrelas da marca internacional Rosewood na América Latina. Quanto estiver pronta, a torre chegará a 100 m de altura e terá 24 andares com diferentes volumetrias e tipologias, que abrigarão 151 quartos de hóspedes e 122 suítes residenciais, além de restaurantes e áreas de lazer.

MARCO

Com investimento total de 2 bilhões de reais, o projeto obteve aprovação do Condephaat em janeiro deste ano, além da chancela do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental). Responsável pelo projeto executivo da Torre Rosewood, o escritório franco-brasileiro Triptyque Architecture também se encarregará do retrofit das edificações já existentes, além de outras duas construções na mesma área, para uso corporativo.

A torre de 100 m de altura será um marco na paisagem urbana paulistana, recuperando a memória arquitetônica modernista da Avenida Paulista dos anos 50. Com


Projetada pelo arquiteto francês Jean Nouvel – vencedor do prêmio Pritzker de 2008, o Oscar da arquitetura –, a construção da Torre Rosewood vem exigindo um elevado padrão tecnológico para as empresas envolvidas na obra, sobretudo no campo da concretagem, tendo em vista as especificações singulares do projeto quanto a dimensões de lajes, tipo de concreto empregado e necessidades de ocupação.

Construída na região da Avenida Paulista, em São Paulo, a torre integra o projeto da Cidade Matarazzo, um complexo que irá reunir hotel, edifício comercial e áreas residenciais no mesmo local onde, no passado, funcionou o Hospital Matarazzo (construído em 1904 e também conhecido como Umberto I). Projetado em estilo neoclássico, o conjunto de 27 mil m² está completando 114 anos e esteve em vias de ser demolido, até ser tombado em 1986 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) como patrimônio arquitetônico da cidade.

Concretagem constituiu uma etapa de grande complexidade para a obra na futura Cidade Matarazzo

Depois disso, a construção ficou abandonada por mais de 20 anos, até ser adquirida pelo grupo francês Allard, que desenvolveu um projeto de características únicas para sediar o primeiro hotel-palácio de seis estrelas da marca internacional Rosewood na América Latina. Quanto estiver pronta, a torre chegará a 100 m de altura e terá 24 andares com diferentes volumetrias e tipologias, que abrigarão 151 quartos de hóspedes e 122 suítes residenciais, além de restaurantes e áreas de lazer.

MARCO

Com investimento total de 2 bilhões de reais, o projeto obteve aprovação do Condephaat em janeiro deste ano, além da chancela do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental). Responsável pelo projeto executivo da Torre Rosewood, o escritório franco-brasileiro Triptyque Architecture também se encarregará do retrofit das edificações já existentes, além de outras duas construções na mesma área, para uso corporativo.

A torre de 100 m de altura será um marco na paisagem urbana paulistana, recuperando a memória arquitetônica modernista da Avenida Paulista dos anos 50. Com formato piramidal em um dos lados, o projeto prevê amplas varandas emolduradas por brises de madeira. Por meio do uso de helicópteros, serão instaladas árvores de até 13 m nas varandas, compondo a paisagem de um jardim suspenso. “A arquitetura pode ser um caminho para melhorar o caráter de um bairro ou de uma cidade”, diz Jean Nouvel sobre o papel da arquitetura na transformação de seu entorno. Interconectada à maternidade Filomena Matarazzo, construída em 1943 e já tombada, a torre será um espaço de convivência, encravado na principal artéria do projeto Cidade Matarazzo.

Para o diretor do grupo, Alexandre Allard, assim “como a Lina Bo Bardi nos anos 50, Jean Nouvel tem um olho estrangeiro contemporâneo e novo, que vai revelar e destacar a beleza única desta ilha poética e abandonada por mais de 30 anos”. “Ele vai enfrentar o desafio de inovar, criando uma extensão moderna e, ao mesmo tempo, respeitando os edifícios históricos tombados do local”, diz o executivo. “O complexo Matarazzo é uma área que precisa ser preservada e rejuvenescida. Sua alma nos alimenta e, hoje, nós queremos valorizar este patrimônio de forma audaciosa e criativa.”

CORPO DE TRABALHO

Para Maurício Bianchi, diretor de construção do grupo, a obra também traz grandes inovações para a construção. “O esquema clássico de construção possui apenas 20% de especialistas, enquanto o projeto do Matarazzo prevê 40%. Para isso, estamos implementando um novo treinamento e uma nova cultura de luxo que não é importada, nem padrão, mas sim pensada a partir dos melhores artesãos, ferreiros, serralheiros e marceneiros brasileiros”, diz ele. “Assim, as obras do Matarazzo não são somente uma construção, mas um trabalho minucioso e artesanal de restauro”.

Devido a essa peculiaridade do projeto, a sua concretagem também constitui uma etapa de grande complexidade, tanto em relação aos materiais empregados, como ao impacto ambiental na região e, sobretudo, às especificidades e cargas previstas. Aliás, um dos principais aspectos da obra está justamente na opção pelo uso do concreto, tanto para execução das estruturas quanto para fechamentos e fachadas.

O edifício terá amplas áreas em que o concreto ficará aparente, em segmentos do teto, paredes e pisos. Quando estiver pronto, será como uma escultura em concreto ornamentada por telas de madeira e muito verde. De acordo com Ricardo Soares de Andrade, gerente geral da área de concreto da Votorantim Cimentos, especialmente dois pontos chamaram a atenção no projeto. Um deles é a preocupação dos empreendedores com o impacto sobre o meio ambiente. “Todo o concreto utilizado é do tipo autoadensável, uma tecnologia usada apenas pontualmente devido ao seu alto custo”, explica. “Essa referência ambiental foi uma decisão do cliente, uma vez que esse tipo de concreto evita o emprego de aparelhos de vibração e traz um ganho considerável na redução dos ruídos durante a obra. Mas é uma obra atípica, pois nunca tivemos um desafio como esse.”

Ademais, o projeto solicitou várias características específicas para o concreto. Junto à Engemix, a Votorantim Cimentos está fornecendo para a obra um concreto arquitetônico pigmentado, além do Adensamix, um material autoadensável que permite o preenchimento integral das fôrmas sem a necessidade de adensamento mecânico ou espalhamento manual.

Retrofit das edificações já existentes foi um dos desafios encontrados

Como explica Andrade, trata-se de um concreto de alta resistência, com segmentos em coloração cinza-escura. Por isso mesmo, exigiu um nível de acabamento superficial superior ao empregado em concretos convencionais. “Para atender a todas essas necessidades, a Engemix estudou mais de 70 traços de concreto”, informa o engenheiro. “E, com o apoio de consultores especializados, chegamos ao concreto autoadensável pigmentado de 60 Mpa, que também permite uma produtividade mais elevada na etapa de lançamento. A maioria dos empreendimentos na cidade é feita com concreto de 30 ou 35 Mpa.”

Para chegar ao mix ideal, foram testados diversos aditivos e componentes, inclusive com a produção de protótipos submetidos a ensaios, principalmente do concreto pigmentado que, além da qualidade, terá função aparente, até chegar à tonalidade desejada pelo cliente. “Tinha de ficar totalmente liso, sem bolhas nem fissuras, com um acabamento final perfeito após a desforma”, diz Andrade. “Assim, chegamos a esse concreto de 60 Mpa, empregado, sobretudo, nas áreas expostas da estrutura.”

Já na execução das grandes lajes, diz ele, os volumes chegam a 500 m3 em uma única concretagem, sendo necessário adicionar fibras ao concreto para alcançar a resistência desejada. “Tivemos de estudar não somente o concreto, mas também como ele reagia, por exemplo, com a fôrma e o desmoldante”, explica. “Para obter um concreto sem bolhas, é preciso usar um tipo de desmoldante adequado. De modo que realizamos esses testes ao longo de quase um ano, até chegarmos a um resultado satisfatório.”

CONCRETAGEM

O planejamento também levou em consideração todo o processo industrial de concretagem, desde o transporte do material da usina até o local, chegando aos equipamentos a serem utilizados na sua execução. De acordo com Maurecir de Almeida, gerente comercial da Votorantim, as lajes da torre chegam a ter cerca 2.500 m². Em alguns casos, foram empregados 520 m³ de concreto nas lajes, mas esses volumes variam, pois não são lajes do tipo convencional.

As concretagens são planejadas em minúcias, envolvendo desde o estacionamento de caminhões para inserção de aditivos, até a realização de ajustes do traço do concreto, passando pelo local de estacionamento das bombas e manobra dos caminhões para descarga. Com isso, o objetivo foi otimizar o número de caminhões betoneira mobilizado na obra, reduzindo o impacto da operação, sem comprometer a concretagem. Para a concretagem das lajes, a Engemix utiliza uma frota de até 30 caminhões betoneira, formada por equipamentos de diversas marcas, além de dois pontos de carga na usina do Jaguaré.

Com base na produtividade desejada – e com a ajuda de um software específico de logística para concreto –, a Engemix determina a quantidade de caminhões alocada em cada concretagem, especificando o horário previsto de carregamento de cada caminhão na usina com base nas condições de trânsito em cada momento do processo.

Também é utilizado um sistema de monitoramento com base em GPS (Global Positioning System), que é instalado nos caminhões e no sensor de rotação, que monitora se a carga já foi descarregada ou não. Com isso, pode-se acelerar ou reduzir o ritmo de carregamento, conforme a necessidade em cada momento. “Esse planejamento e acompanhamento em tempo real são fundamentais para as concretagens das lajes, sendo previstas até 70 cargas de concreto em um único dia”, destaca Almeida.

Concreto arquitetônico pigmentado ficará aparente em segmentos do teto, paredes e pisos

Em uma decisão conjunta com toda a cadeia envolvida (ou seja, concreteira, empreiteira, construtora e empresa responsável pelo bombeamento), optou-se por uma combinação de soluções tecnológicas que incluíram um mastro com extensão de 30 m, uma bomba de alta pressão com capacidade de 120 m3/h (note-se que uma bomba convencional produz 80 m3/h) e um spider, um mastro separado para distribuição de concreto em locais onde que o mastro comum não alcança. “Tudo isto, aliado à utilização do concreto autoadensável, permite uma produtividade muito acima das concretagens alcançadas em obras convencionais”, destaca o engenheiro.

O número de viagens também varia conforme o volume de concreto solicitado, mas a logística segue sempre o procedimento definido no planejamento, visando à produtividade previamente definida. Como se trata de um concreto de alta fluidez e as ruas próximas possuem inclinação elevada, a carga foi limitada a 7 m3 por caminhão (contra uma carga padrão de 8 m3), para evitar que o concreto caísse nas ruas mais íngremes.

DIFERENCIAL

Segundo Andrade, a instalação de uma planta de concreto no canteiro poderia facilitar toda a logística e, de quebra, traria ganhos importantes de produtividade. “Mas há sempre dois fatores a considerar para essa opção”, recomenda. “Primeiro, instalar uma planta de concreto no canteiro demanda uma área significativa para a colocação do ponto de carga, baias, manobra de caminhões etc., sendo que não havia essa área disponível nesse projeto. Além disso, há a questão do licenciamento da planta, que é um processo bastante demorado e complexo, principalmente considerando a [extensa] área desse empreendimento.”

Segundo ele, todavia, o desenvolvimento do concreto ideal e o planejamento minucioso da concretagem de fato constituem o grande diferencial desta obra sem paralelos recentes no país. Afinal, contar com os melhores equipamentos (caminhões, bombas e mastros, dentre outros) e estudar o posicionamento das bombas para permitir um abastecimento constante por parte das betoneiras – sem interrupções para manobras – são requisitos fundamentais que fazem a diferença em uma obra construtiva desse porte. “Além de tudo isso, é preciso avaliar e planejar toda a operação com antecedência, em um trabalho conjunto entre a concreteira e a construtora”, comenta Andrade. “Mas o fundamental é estar preparado para atender ao ritmo da obra e ser capaz de tomar medidas corretivas em tempo real, para não atrapalhar o fluxo do trabalho.”

PROJETO CELEBRA A DIVERSIDADE CULTURAL DA CIDADE DE SÃO PAULO

Tombado como patrimônio histórico da cidade pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), foi o valor arquitetônico do hospital Umberto I que atraiu as atenções do grupo internacional Allard, que viu ali um “tesouro” a ser resgatado. Não por acaso, o grupo convidou Jean Nouvel – um dos principais nomes da arquitetura mundial, chamado de Niemeyer francês – para desenvolver o projeto.

Projeto absorve elementos da cultura brasileira, valorizando o concreto como elemento estrutural

Sob o lema “A Sense of Place” (uma percepção de espaço, em tradução livre), o projeto de Nouvel procurou absorver os elementos da cultura e da arquitetura brasileira, tão valorizados no exterior e que se expressaram em diversos pontos deste projeto. Os mais visíveis incluem detalhes arquitetônicos, mobiliário, design, materiais e paisagismo com base na flora brasileira. A torre, por exemplo, foi concebida como um edifício-paisagem, com amplos terraços e brises de madeira. Quanto estiver pronta, terá 100 m de altura e 24 andares, com diferentes volumetrias e tipologias para abrigar 151 quartos de hóspedes, 122 suítes residenciais e dois restaurantes, além de bar e caviar lounge.

Um dos destaques técnicos do projeto está na valorização do concreto como elemento estrutural e arquitetônico, retomando uma característica que consagrou Oscar Niemeyer (1907-2012). Mais que isso, também há uma retomada da identidade multicultural da cidade. “Para nós estrangeiros, São Paulo é um exemplo mundial do sucesso da diversidade e da integração de todas as comunidades”, afirma Jacques Brault, executivo do Grupo Allard. “E nossa ideia com o projeto é justamente criar uma grande passarela pública para promover essa diversidade.”

Saiba mais:

Cidade Matarazzo: www.cidadematarazzo.com.br/site/pt/groupe-allard

Engemix: www.engemix.com.br

Grupo Allard: www.allardgroup.com

Votorantim Cimentos: www.votorantimcimentos.com.br