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15 de janeiro de 2019
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Entrevista / LUIZ MARCELO DANIEL
  • Como avalia o desempenho geral do mercado brasileiro?

Em 2018, chegamos a cerca de 10 mil unidades no setor de máquinas, mas já foram 30 mil unidades, oscilando de 18 a 20 mil unidades em anos normais. Mesmo assim, chegamos a 50% da média dos últimos 10 ou 12 anos, o que é um número ótimo, mas apenas uma fração do que é necessário para explorar a potencialidade e a vocação do país. Ainda estamos nessa situação, mas há uma clara condição para sairmos dela.

Para o executivo, função do poder público é de regulação, garantindo compliance e atendimento às demandas ambientais

  • De que modo a situação política atrapalhou a recuperação?

Antes do processo eleitoral, havia uma visão de cataclismo, qualquer que fosse o caminho escolhido. Mas, independentemente da opção, agora já há uma definição do quadro e a economia tem de seguir seu rumo. Se a atividade econômica for deixada em paz, permitindo-se que ela se desenvolva, é possível engajar parte da população novamente e, com isso, a vida segue seu rumo. Precisamos tocar nossas vidas, independentemente da política, pois a nossa resiliência é surpreendente, a nossa capacidade de reagir e retornar é espantosa.

  • Como o setor público pode ajudar em uma retomada mais forte?

Existem questões envolvendo marcos regulatórios que são cruciais. Para você desenvolver uma obra de médio e grande porte, há questões de ordem ambiental, estrutural e legal que exigem definição. Assim, do lado público só se demanda essa regulação. Em termos financeiros, já seria muito bom se tivéssemos só parcerias privado-privado, pois existe capital disponível para se investir, de modo que a presença pública não é necessária. Assim, o setor público tem de estar presente para regular e garantir compliance, certificar que atendemos às demandas ambientais, que são importantes, pois não se deve perder o amanhã de olho no hoje. Em resumo, contar com regras claras, bom gerenciamento de processos, definição de prioridades e demandas, cumprimento de tarefas. Essa é a função do poder público. Ou seja, definir sem criar dificuldades, deixando a iniciativa privada tocar o negócio, pois não é preciso subsídio de nenhum tipo, nem mesmo mudanças na matriz tributária, mas apenas definir o marco e deixar os players trabalhando. É só regular, esse é o ponto principal.