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15 de janeiro de 2019
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Entrevista / LUIZ MARCELO DANIEL

Crise impactou potencialidade dos equipamentos no país, diz Daniel

  • Pode detalhar o tamanho dessa queda?

Já tivemos uma participação histórica em torno de 55% a 60% e, durante o auge da crise, em 2015 e 2016, chegamos a 33%. Isso ilustra o tamanho do encolhimento do mercado. Obviamente, o nosso equipamento (ou do nosso concorrente) deveria estar lá [nos canteiros]. Por outro lado, é de se lamentar quando você vê sua participação crescer, mas, traduzindo isso em números absolutos, percebe a potencialidade muito maior que há por trás de cada equipamento.

  • Isso mudou o cenário do setor? De que forma?

Em parte, o espaço que está sendo tomado por players sem o mesmo padrão de qualidade e produtividade. Saber que tudo está lá e, ao mesmo tempo, não poder trabalhar isso também é difícil, sem falar que há um contingente de pessoas desempregadas, que podiam estar na atividade econômica colaborando ativamente para fazer essa engrenagem girar, mas estão fora. A meu ver, essas são as questões mais complicadas.

  • Como o mercado se comportou em 2018?

No Brasil, nosso crescimento acumulado em 12 meses foi de 80% na Linha Amarela. Esse resultado extremamente positivo se deu em todas as divisões, com uma expansão no volume de vendas de determinados produtos com produção menor, mas que oferecem margens acima da média. Nas demais regiões, a América do Norte continua em uma batida consistente, um crescimento sustentável próximo a 3%. E uma economia de 18 trilhões de dólares é muito robusta dentro da nossa área de atividade. A Europa, apesar do viés de crescimento, mostra que tem potencialidade para melhorar ainda mais. Mas ainda vivemos um momento de recuperação global, principalmente no segmento de máquinas de médio e grande porte para construção em geral – como escavadeiras e pás carregadeiras –, que recém-obteve um crescimento de 25% na América Latina e segue com viés de alta.

  • Aliás, como vê a situação dos países latinos?

A crise da Argentina tem origem estrutural, pois houve demora em algumas decisões que, quando finalmente foram tomadas, permitiram a entrada do componente especulativo, o que pode degenerar qualquer economia rapidamente. Mas, assim como os brasileiros, os argentinos são resilientes, rápidos em voltar. A economia chilena, por sua vez, está indo muito bem, não está mais 100% ligada ao cobre como foi até algumas décadas atrás. É uma economia mais diversificada, aberta, com uma abertura bem dosada. Com alguns projetos robustos de mineração, o Peru também tem mostrado uma força importante em equipamentos de construção e caminhões. Já o México surge como uma força para o ano.