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15 de janeiro de 2019
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Entrevista

LUIZ MARCELO DANIEL

“Nossa resiliência é surpreendente”
Por Marcelo Januário (Editor)

Engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o executivo gaúcho Luiz Marcelo Daniel iniciou sua carreira na área de planejamento de produto da antiga Volvo do Brasil, quando ainda não existiam as atuais divisões para caminhões, ônibus, motores e máquinas da Linha Amarela.

Em meados da década de 90, atuou no desenvolvimento de redes e marketing na Volvo Cars, seguindo na empresa após a aquisição pela Ford. A experiência foi bem curta, pois em pouco tempo retornaria à Volvo do Brasil para liderar a equipe de gestão de projetos e vendas que, no final daquela década, lançou o caminhão FH no país, um produto exportado para a Europa e que, por isso, exigiu uma adequação à plataforma global da fabricante, na qual se destacou.

Em nova saída, atuou como chefe de operações da Fischer America, diretor de marketing na Multipartner e diretor de marketing e vendas corporativas da Caterpillar, até retornar pela segunda vez à empresa sueca, dessa vez como responsável por contas de grandes clientes da Volvo Construction Equipment na América Latina, em um momento de oportunidades em vários segmentos, principalmente construção e infraestrutura, com projetos no Brasil, México, Chile, Peru e outros países. Posteriormente, com a divisão da Volvo International em operações continentais, o executivo assumiu a posição de VP para key accounts e remarketing da Volvo CE em Shippensburg, nos EUA, onde permaneceria por alguns anos, até assumir a atual posição.

Presidente da Volvo CE Latin America desde o ano passado, o executivo – que, entre idas e vindas, já soma 28 anos na empresa – chegou à liderança da divisão de equipamentos para construção em um dos momentos mais desafiadores dessa indústria no Brasil, mas não se intimidou. “Nenhuma economia está isenta de enfrentar crises, sendo que os processos críticos sempre oferecem um momento de balanço e também abrem oportunidades para se exercitar a resiliência”, reflete. Nesta entrevista exclusiva concedida à Revista M&T na sede da companhia em Curitiba (PR), Daniel discorre sobre esse e outros tópicos, como mercado, política, investimentos, exportações e tendências tecnológicas. Acompanhe.

  • Qual o seu balanço desses anos difíceis pelos quais passamos?

Foi um processo complexo, pois tivemos de realizar adaptações de estrutura física e de custos, colocados frente a frente com decisões complicadas, como se despedir de colaboradores. Em alguns momentos, isso exigiu até mesmo fazer o oposto do que normalmente seria feito em relação à performance. Mas não foi só a Volvo que passou por isso, pois todos os players tiveram de se adaptar. É difícil quando se percebe a redução das atividades, pois conhecemos a potencialidade do Brasil, sabemos o que é possível ser feito para contribuir – nós e nossos concorrentes –, quantos projetos existem e sua lógica econômica. Mas mantivemos nossa presença na indústria, infelizmente não a que já tivemos, pois houve uma redução bastante drástica na atividade industrial.