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08 de março de 2019
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Mineração

Lavra sustentável

Fornecedores de equipamentos para cominuição e peneiramento de minérios aplicam esforços crescentes no desenvolvimento de soluções que minimizam o uso da água
Por Antonio Santomauro

Custos crescentes e preocupações ambientais tornam a água um recurso cada dia mais valorizado em todo o mundo, fazendo com que as tecnologias capazes de minimizar seu uso sejam cada vez mais necessárias. Atentos a esse movimento, os fornecedores de equipamentos para cominuição e peneiramento de minérios aplicam esforços – e recursos – crescentes na oferta e desenvolvimento de soluções nas quais a utilização de água seja otimizada.

A fabricante FLSmidth, por exemplo, como destaca seu diretor comercial para a indústria de mineração, Flávio Augusto Storolli, mantém diversas linhas de pesquisa destinadas a reduzir o uso da água nos processos de seus clientes, desde equipamentos que consumam menos esse insumo até tecnologias de beneficiamento a seco, que dispensem totalmente seu uso. Não obstante, alguns processos de mineração devem obrigatoriamente recorrer à água. “Mesmo com peneiras de alta frequência, a água ainda é fundamental para a eficiência de peneiramentos em frações inferiores a 1 mm”, especifica Storolli.

Na cominuição, a água é empregada basicamente na moagem, um processo de fragmentação destinado à obtenção de frações menores que as provenientes da britagem (em média, abaixo de 15 mm). Ou, mais especificamente, na “moagem a úmido”, que, embora demande esse precioso insumo, apresenta diferenciais favoráveis frente ao processo “a seco”, sendo ainda utilizada em ampla escala.

Isso se explica. O professor associado do Departamento de Minas e Petróleo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), José Renato Baptista de Lima, explica que a moagem a úmido consome cerca de 30% a menos de energia que o processo a seco, reduzindo ainda o problema da poeira. Já existem, como ele ressalta, tecnologias para a moagem de minérios em suas umidades naturais – e em tamanhos bastante reduzidos –, cujo consumo energético pode ser até mesmo inferior ao da moagem úmida (embora não eliminem problemas como a poeira). “É o caso, por exemplo, das chamadas roller press, ou prensas de rolo”, cita o professor.

Todavia, o acadêmico lembra que os processos seguintes à cominuição – como a flotação, destinada à concentração de minérios como cobre, chumbo, zinco e fosfatos –, podem exigir água, muitas vezes em grandes quantidades. Por isso, diz ele, a decisão sobre a moagem a seco ou úmida não decorre apenas da análise dos custos ou da economia de água na moagem. “Se o processo posterior de concentração e separação for úmido, quase necessariamente a moagem também o será, pois não haverá vantagem em moer a seco, com custos mais elevados de energia, operacionais e de controle de poeira, se o minério tiver de ser molhado na sequência”, argumenta.