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09 de abril de 2012
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Mineração

Fabricantes miram o setor de rochas ornamentais

Produtores de mármores e granitos demandam equipamentos configurados para otimizar o manuseio das rochas com menos tombamento e danos à peça movimentada

Ostentando números de fazer inveja a muitos outros setores da economia, o mercado de rochas ornamentais vem despertando a atenção dos fabricantes de equipamentos, que desenvolvem modelos voltados à maior produtividade e eficiência nesse tipo de operação. Com um faturamento de US$ 845,6 milhões no período entre janeiro e outubro de 2011, o mercado brasileiro de rochas ornamentais é um dos maiores do mundo e o país já figura como 8º colocado entre os principais exportadores de blocos e como 5º em exportação de rochas acabadas.

Contando com mais de 1,2 mil empresas produtoras, das quais a maior parte instalada no estado do Espírito Santo (veja quadro na página 62), o setor vem buscando uma contínua modernização das operações. Devido ao nível de exigência dos clientes internacionais quanto à qualidade das rochas, essas empresas têm investido em tecnologia para melhorar o processo de extração e beneficiamento. Nesse cenário, os equipamentos de movimentação e carregamento utilizados nas minas, principalmente as carregadeiras de rodas e as escavadeiras de médio e grande porte, têm ocupado um papel de destaque nesse processo.

“O manuseio do bloco na jazida é o que define sua qualidade. No passado, a utilização de equipamentos inadequados para essa movimentação, que provocavam tombamentos excessivos dos blocos durante o manuseio, gerava um excesso de trincas internas e quebra nos cantos dos blocos, reduzindo o seu valor agregado”, diz José Carlos Buffon, diretor geral da Global Equipamentos, distribuidora da linha Hyundai nos estados do Espírito Santo e Bahia. De acordo com o especialista, essa prática tornou o setor de rochas ornamentais ‘mal visto’ internacionalmente há alguns anos, o que levou os produtores a investirem em tecnologias para melhorar a qualidade da produção.

Máquinas adequadas

Antes de apresentar os equipamentos mais adequados para o manuseio de rochas ornamentais, Buffon explica que o excesso de tombamento nas operações do passado, que resultavam em trincas nas rochas, representava um grande prejuízo para os produtores do setor. “Quando uma rocha de 40 t é transportada para o exterior, a incidência de trincas internas ou até mesmo de quebra nos cantos reduz o seu valor de mercado.” Ele explica que, nesse caso, apesar de o produtor arcar com o custo de frete terrestre e marítimo para um bloco de 40 t, por exemplo, se a trinca estiver n


Ostentando números de fazer inveja a muitos outros setores da economia, o mercado de rochas ornamentais vem despertando a atenção dos fabricantes de equipamentos, que desenvolvem modelos voltados à maior produtividade e eficiência nesse tipo de operação. Com um faturamento de US$ 845,6 milhões no período entre janeiro e outubro de 2011, o mercado brasileiro de rochas ornamentais é um dos maiores do mundo e o país já figura como 8º colocado entre os principais exportadores de blocos e como 5º em exportação de rochas acabadas.

Contando com mais de 1,2 mil empresas produtoras, das quais a maior parte instalada no estado do Espírito Santo (veja quadro na página 62), o setor vem buscando uma contínua modernização das operações. Devido ao nível de exigência dos clientes internacionais quanto à qualidade das rochas, essas empresas têm investido em tecnologia para melhorar o processo de extração e beneficiamento. Nesse cenário, os equipamentos de movimentação e carregamento utilizados nas minas, principalmente as carregadeiras de rodas e as escavadeiras de médio e grande porte, têm ocupado um papel de destaque nesse processo.

“O manuseio do bloco na jazida é o que define sua qualidade. No passado, a utilização de equipamentos inadequados para essa movimentação, que provocavam tombamentos excessivos dos blocos durante o manuseio, gerava um excesso de trincas internas e quebra nos cantos dos blocos, reduzindo o seu valor agregado”, diz José Carlos Buffon, diretor geral da Global Equipamentos, distribuidora da linha Hyundai nos estados do Espírito Santo e Bahia. De acordo com o especialista, essa prática tornou o setor de rochas ornamentais ‘mal visto’ internacionalmente há alguns anos, o que levou os produtores a investirem em tecnologias para melhorar a qualidade da produção.

Máquinas adequadas

Antes de apresentar os equipamentos mais adequados para o manuseio de rochas ornamentais, Buffon explica que o excesso de tombamento nas operações do passado, que resultavam em trincas nas rochas, representava um grande prejuízo para os produtores do setor. “Quando uma rocha de 40 t é transportada para o exterior, a incidência de trincas internas ou até mesmo de quebra nos cantos reduz o seu valor de mercado.” Ele explica que, nesse caso, apesar de o produtor arcar com o custo de frete terrestre e marítimo para um bloco de 40 t, por exemplo, se a trinca estiver no meio da rocha, ele será remunerado apenas pelo valor de uma peça de 20 t. O prejuízo, nesse caso, vai desde a ineficiência no processo de produção na mina até o transporte final.

A solução para esses produtores, segundo Buffon, é utilizar máquinas mais potentes e configuradas para uma operação com menor quantidade de tombamento das rochas. O especialista se refere basicamente a pás carregadeiras e escavadeiras, sendo que a operação dessa última é suportada por um colchão de areia sobre o solo. “Escavadeiras mais potentes realizam o tombamento de maneira mais suave, devido à sua maior força de desagregação”, diz ele. O assunto foi amplamente debatido entre os profissionais do setor durante a feira Vitoria Stone Fair, realizada em fevereiro, no município de Serra (ES).

Buffon explica que, além da mobilização de máquinas mais adequadas ao processo, os produtores do setor passaram a criar um colchão de areia sobre o solo para amortecer o impacto do tombamento. O especialista diz que a Hyundai tem oferecido escavadeiras a partir de 20 t de peso para o setor de rochas ornamentais, segmento no qual o carro-chefe é o modelo de 25 t, já utilizado por diversos produtores capixabas.

A utilização de carregadeiras de rodas, por sua vez, configura outro tipo de operação. Buffon explica que os produtores de rocha trabalham com blocos de 28 t a 40 t, o que abre o mercado para modelos capazes de carregar peças inteiras, da lavra até o ponto de estocagem ou de partida para o transporte. “No Brasil, a Hyundai oferece carregadeiras com capacidade para até 30 t de carga, equipadas com garfos especiais ou caçambas apropriadas para rochas.” Ele vislumbra uma tendência de os produtores trabalharem com blocos cada vez menores.

Manipulador de blocos

Quando o assunto é o transporte de grandes peças, a Caterpillar se destaca pela oferta da única pá carregadeira do mercado brasileiro capaz de transportar blocos de até 40 t. Por esse desempenho, a CAT 988H, produzida nos Estados Unidos, recebeu o codinome de “manipulador de blocos” e possui uma articulação especialmente projetada, com um braço de levantamento menor e contrapeso adicional para ampliar a estabilidade da operação. Ela também possui cilindros de levantamento e de inclinação maiores, o que otimiza o desempenho hidráulico em aplicações de manipulação de blocos.

O equipamento da Caterpillar mede mais de 4 m de altura e 12 m de comprimento e foi concebido especialmente para operar na extração de mármore e granito. “O setor de rochas ornamentais já respondeu por quase a metade dos nossos negócios no Espírito Santo, mas, devido à crise no mercado imobiliário norte-americano, um forte comprador do setor, sua participação caiu para menos de 10% do nosso faturamento no estado”, avalia Leonardo Renovato, gerente de máquinas da Sotreq, a distribuidora da Caterpillar.

O especialista vislumbra uma oportunidade de recuperação do mercado de mármores e granitos com o avanço da China, que está ultrapassando os Estados Unidos como principal cliente dos produtores brasileiros. “Isso tem feito com que as empresas do setor se modernizem rapidamente, buscando soluções que tragam ganho efetivo em produtividade”, diz ele ao justificar o incremento de novos modelos de equipamentos no mercado.

Mercado estacionado

A Volvo também oferece no mercado brasileiro uma carregadeira específica para esse tipo de operação. A L350F Block Handling carrega blocos de até 38 t e, segundo Luis Gustavo Pereira, vice-presidente da Tracbel, a distribuidora da marca, se enquadra na tendência de máquinas capazes de reduzir o tombamento no manuseio de blocos. “O segmento de rochas ornamentais é, realmente, bastante concentrado no Espírito Santo, mas Minas Gerais tem ampliado sua participação nessa área e isso nos permitiu comercializar 30 equipamentos voltados para esse setor no estado.

Em 2011, além desse volume de vendas para produtores mineiros, ele diz que as minas de mármores e granito do Espírito Santo consumiram 20 unidades de equipamentos da marca. Para 2012, Pereira enxerga um cenário de crescimento do setor, mas até o momento, a demanda desse mercado representa apenas 5% dos negócios da Tracbel no Brasil. A proporção é praticamente a mesma entre os demais fabricantes e distribuidores com atuação no país.

A PME Máquinas e Equipamentos, por exemplo, que representa a marca New Holland no mercado capixaba, encerrou 2011 com um total de 152 equipamentos comercializados. “Desse montante, cerca de 5% foram destinados ao setor de rochas ornamentais”, confirma Frederico Gava, supervisor de vendas da PME. Para 2012, a projeção do dealer é de vender 180 unidades, mantendo a representatividade do setor de mármore e granitos abaixo de 10% dos negócios da empresa.

Para esse segmento, a New Holland aposta nas carregadeiras da série W, sendo a maior com capacidade para 20 t e a menor, para 15 t. Elas são indicadas para realizar tombamento de rochas de maneira mais suave, também suportadas por colchão de areia. “Essas máquinas podem ser adquiridas com diversos implementos, incluindo caçambas para uso geral, caçambas para rochas, garfo porta-pallets e caçambas especiais para tombamento de blocos de granito”, diz Gava.

Equipadas com braço biarticulado, em formato Z, essas carregadeiras são mais compactas, o que facilita a manobrabilidade e proporciona ciclos mais rápidos. Mesmo assim, possuem elevada força de desagregação e tombamento. Assim como os demais fabricantes e distribuidores presentes nesse mercado, Gava vislumbra grandes oportunidades com a crescente mecanização e modernização nos processos de lavra de rochas ornamentais.