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06 de agosto de 2018
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A ERA DAS MÁQUINAS

Explosivos avançam na demolição

Por Norwil Veloso

Cena de desmonte de rocha com o uso de explosivos, no início do século XX

Quando se fala em demolição de edifícios, a primeira imagem que vem à mente é a de um prédio explodindo e descendo numa nuvem de poeira e entulho. Na verdade, o prédio não explode (nem implode) nesse processo, embora tenhamos visto diversas estruturas “desaparecerem”.

Mesmo com toda a publicidade, a demolição estrutural com explosivos continua sendo uma atividade mal-entendida. Isso torna difícil estabelecer uma linha do tempo ou mesmo uma evolução do processo que, por sua vez, está vinculado à evolução dos explosivos.

Seja como for, o primeiro explosivo utilizado foi a pólvora negra, cuja utilização se iniciou no século XIII e cujo primeiro uso registrado em demolição ocorreu no início do século XVII, inicialmente em pedreiras na Hungria, minas da Inglaterra e, logo depois, construção rodoviária na Suíça. Um fato importante ocorreu em 1773, quando foram usados aproximadamente 70 kg de pólvora para demolir a Catedral da Santíssima Trindade em Waterford, na Irlanda.

Na América, os explosivos começaram a ser usados por volta de 1850, quando São Francisco sofreu uma série de incêndios. Numa tentativa desesperada de interromper o avanço das chamas, a cidade aprovou a demolição de alguns edifícios que estavam na trajetória de avanço, de modo a reduzir o suprimento de material a ser queimado. As unidades de bombeiros passaram então a manter estoques de pólvora para esse fim.

DETONAÇÕES

Nessa mesma época, após a descoberta por Ascanio Sobrero de um novo explosivo, a nitroglicerina, muitos químicos procuraram torná-la menos instável por meio da combinação com outras substâncias.

Nesse processo, Alfred Nobel conseguiu desenvolver um explosivo mais seguro e mais resistente ao choque, a dinamite. Inicialmente usada para escavação de valas de irrigação e ruptura de rochas em minas, teve sua aplicação bastante diversificada. Em 1883, foram usadas cinco detonações sucessivas para demolição de uma chaminé octogonal de alvenaria com altura de 65 m, no que pode ser considerada a primeira aplicação de dinamite para demolição de uma estrutura. Em 1889, foi usada para romper uma estrutura de um milhão de metros cúbicos de entulho em uma ponte na Pensilvânia, destruída em uma inundação.

Em 18 de abril de 1906, ocorreu o mais devastador terremoto da história de São Francisco, causando centenas de mortes e mais de 50 incêndios. A rede de água totalmente danificada impedia o combate eficaz do fogo pelos bombeiros. Quarteirões inteiros foram dinamitados durante os dias seguintes para tentar bloquear o avanço das chamas.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral