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18 de outubro de 2019
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Manutenção

Evitando o desgaste prematuro de esteiras

Cuidados com o material rodante são fundamentais para garantir a sua vida útil máxima, permitindo que o equipamento obtenha a produtividade esperada em campo

Como ocorre em qualquer peça ou equipamento, o material rodante – notadamente as esteiras – de máquinas pesadas requerem manutenção e cuidados para que atinjam sua vida útil máxima prevista e não apresentem problemas inesperados durante a operação. E esse controle também é extremamente importante porque, em determinadas condições de aplicação, o material rodante pode representar até 60% do custo de manutenção da máquina.

Como sempre, é vital seguir as orientações do manual de operação do fabricante, que traz informações como quantidade máxima recomendada de deslocamento, cuidados com limpeza, lubrificação e tensionamento correto, por exemplo. De qualquer forma, problemas sempre podem ocorrer. E a maioria está relacionada ao desgaste prematuro do conjunto e ao efeito do acúmulo de material. “Para mensurar o desgaste, o horímetro e a distância percorrida são informações importantes”, diz Carlos Marques, especialista em escavadeiras hidráulicas da JCB do Brasil. “No entanto, há outros fatores que auxiliam na identificação do desgaste excessivo, como a tensão.”

No que se refere ao acúmulo de material, o risco está na entrada de terra, lama, minério ou qualquer outra substância depositada em excesso em meio às esteiras, alterando assim seu ‘passo’, ou seja, a relação harmoniosa entre os componentes relacionados do conjunto. “A alteração do passo traz como consequência um desgaste prematuro irregular e agressivo dos componentes”, explica Marques.

DESGASTES

Para Wilson Cardozo, consultor de vendas da Komatsu, um dos problemas mais comuns que ocorrem no material rodante é o desgaste irregular dos roletes superiores, devido a um detalhe que pode passar despercebi


Como ocorre em qualquer peça ou equipamento, o material rodante – notadamente as esteiras – de máquinas pesadas requerem manutenção e cuidados para que atinjam sua vida útil máxima prevista e não apresentem problemas inesperados durante a operação. E esse controle também é extremamente importante porque, em determinadas condições de aplicação, o material rodante pode representar até 60% do custo de manutenção da máquina.

Como sempre, é vital seguir as orientações do manual de operação do fabricante, que traz informações como quantidade máxima recomendada de deslocamento, cuidados com limpeza, lubrificação e tensionamento correto, por exemplo. De qualquer forma, problemas sempre podem ocorrer. E a maioria está relacionada ao desgaste prematuro do conjunto e ao efeito do acúmulo de material. “Para mensurar o desgaste, o horímetro e a distância percorrida são informações importantes”, diz Carlos Marques, especialista em escavadeiras hidráulicas da JCB do Brasil. “No entanto, há outros fatores que auxiliam na identificação do desgaste excessivo, como a tensão.”

Avarias estão relacionadas principalmente ao desgaste prematuro do conjunto e ao efeito do acúmulo de material

No que se refere ao acúmulo de material, o risco está na entrada de terra, lama, minério ou qualquer outra substância depositada em excesso em meio às esteiras, alterando assim seu ‘passo’, ou seja, a relação harmoniosa entre os componentes relacionados do conjunto. “A alteração do passo traz como consequência um desgaste prematuro irregular e agressivo dos componentes”, explica Marques.

DESGASTES

Para Wilson Cardozo, consultor de vendas da Komatsu, um dos problemas mais comuns que ocorrem no material rodante é o desgaste irregular dos roletes superiores, devido a um detalhe que pode passar despercebido: o alinhamento na hora da instalação. “Os inferiores são fixados sem ajuste, mas para os superiores é fundamental o ajuste adequado, para que a esteira deslize corretamente na superfície”, ele orienta.

Um dos problemas mais comuns no material rodante é o desgaste irregular dos roletes superiores

Outro problema comum ocorre em relação aos parafusos dos segmentos ou da roda motriz, que podem quebrar ou se soltar, fazendo com que caiam e disparem uma série de desgastes em sequência. Nesse aspecto, o correto alinhamento evita o desgaste desigual da roda-guia e dos roletes, mantendo o alinhamento em relação ao centro da roda motriz, dentro de certa tolerância.

Nas operações em encostas, contudo, é quase impossível não ocorrer desgaste desigual dos roletes e roda-guia. “Isso pode acelerar problemas semelhantes nas abas dos roletes inferiores e superiores, prejudicando o alinhamento da esteira e provocando vazamentos”, explica Cardozo. “Para equilibrar esse desgaste, recomenda-se a operação nos dois sentidos na encosta.”

De acordo com Sandor Rocha, analista de produto da Sotreq, 75% dos problemas com material rodante estão relacionados a falhas nas inspeções, monitoramento, manutenção, operação e aplicação, além de desconhecimento do produto. “Em relação à manutenção, o que ocorre com mais frequência é a substituição prematura da corrente, devido ao fato de a bucha passar do limite de realização do seu giro na tentativa de se estender a sua vida útil”, informa. “Com relação aos fatores operacionais, os que mais contribuem para aceleração do desgaste são a alta velocidade de deslocamento, qualidade do local de operação, deslocamento em marcha à ré e improdutivo (sem necessidade), impactos e falta de treinamento, dentre outros.”

AVALIAÇÃO

Mesmo que todos os cuidados sejam tomados, chega um momento em que consertos ou troca do material rodante se tornam inevitáveis. “É importante consertar sempre que forem detectadas falhas como trinca, quebra ou desgaste ao fim da vida útil”, explica Thomás Spana, gerente de vendas da John Deere. “Já a troca deve ser feita quando os danos ocorrem na maioria dos componentes.”

Antes de reformas ou trocas, deve ser feita uma inspeção prévia do material rodante junto ao fabricante

Segundo Bruno Torelli, gerente de soluções e serviços da BMC Hyundai, o proprietário da máquina deve entrar em contato com a fabricante antes de fazer qualquer conserto ou troca, para que seja feita uma inspeção prévia de seu material rodante. “O técnico consegue realizar os devidos testes e medições para uma correta orientação de reparo ou verificar se o material está no fim da sua vida útil, recomendando a troca”, diz. No caso da Sotreq, Rocha informa que o material rodante possui limites de desgaste para cada um de seus componentes. “O acompanhamento de campo, com inspeções visuais e o uso das ferramentas adequadas de medição, determinam as condições para a manutenção”, comenta.

De acordo com ele, a empresa oferece todos os serviços de manutenção realizados no material rodante, tais como regarreamento (quando a sapata atinge o limite de desgaste em sua garra é feita a solda de outra nova, obtendo uma vida útil maior), giro de pino e bucha (quando a bucha atinge 100% de vida útil é feito o giro em 180° para se aproveitar o outro lado, dando mais tempo de trabalho à esteira) e enchimento de pista da roda-guia e dos roletes (por meio de solda de arco submerso da pista de desgaste, para retornar às dimensões originais).

RECURSOS

A Sotreq também realiza avaliações prévias sobre a necessidade de conserto ou troca do material rodante. “São necessários especialistas de produto para auxiliar o cliente nesse quesito”, assegura Rocha. “A análise é feita de forma rápida e pode ser compartilhada instantaneamente com um relatório, via aplicativo, com uma ferramenta de medição bluetooth chamada Custom Track Service PRO (CTSPro).”

Ele explica que, após a inserção da medição no app, o percentual de desgaste é mostrado instantaneamente, gerando um relatório com o status de todos os itens, além da projeção de quando atingirão 100% de uso. “Isso ajuda o cliente a se programar e reduzir os custos provenientes de estoque, otimizando a quantidade e eliminando gastos com fretes emergenciais”, diz Rocha.

No caso da Hyundai, Torelli diz que no manual de serviço da fabricante estão indicadas as medidas de desgaste máximo de cada item do material rodante (sapatas, buchas, roletes, roda motriz e roda-guia). “Com ferramental especifico para a medição, é possível avaliar e monitorar o equipamento do cliente”, ele garante. Já Spana, da John Deere, acrescenta que a “avaliação da necessidade de conserto ou troca deve ser feita com base nas medições de todas as peças, comparando aos valores de referência dos manuais técnicos”.

Na Komatsu, a avaliação do material rodante pode ser realizada de duas formas: por meio de inspeção visual ou medição completa. No primeiro caso, observam-se desgastes mais acentuados, que podem ser diagnosticados a olho nu, como, por exemplo, deformações, trincas ou quebra de alguma peça. “São verificados apertos, temperatura dos roletes (para constatar se há vazamento) e eventuais desgastes anormais”, diz Cardozo. “Já no segundo, o método é mais preciso, pois o inspetor observa os mesmos itens, mas também realiza medidas com ferramentas como paquímetro, régua, compasso e ultrassom.”

De acordo com ele, a empresa possui uma ferramenta chamada KUC (Komatsu Undercarriage), por meio da qual o inspetor lança em um sistema todas as medidas coletadas na medição, realizando a análise dos resultados em busca de desgastes fora do padrão, para possíveis ações preventivas. “Recentemente, foi lançado no Brasil um aplicativo chamado UMS (Undercarriage Measurement System), no qual é possível adicionar mais detalhes da medição, como histórico de substituição, reforma, giro e fotos, por exemplo”, Cardozo descreve. “Com isso, é gerado um relatório com maior riqueza de informações, para apoiar as tomadas de decisão do cliente, já que ele fica sabendo com precisão o horímetro e/ou a data aproximada da troca de cada componente.”

REPAROS

De acordo com Cardozo, os reparos dos componentes do material rodante devem ser avaliados com bastante critério, pois um conserto que aparentemente apresenta baixo custo no curto prazo pode ter baixíssima durabilidade no médio e longo prazo, exigindo sua troca por completo. “Tem-se observado uma drástica redução de reformas de roletes, por exemplo, pois quando se contabiliza o tempo de máquina parada, fretes e mão de obra – para uma durabilidade cerca de 40% menor em comparação às peças genuínas –, sempre é indicada a compra.”

Especificamente para as correntes ou “colares” é realizado um procedimento já bem conhecido para aumentar a vida útil. Trata-se do “giro de pino e bucha”, no qual troca-se o lado desgastado pelo contato com a roda motriz ou segmentos pelo lado onde não há esse contato. “A vida final da corrente após o giro é menor do que a primeira, devido ao desgaste”, explica Cardozo.

Em observações no campo, diz ele, há casos de tratores de esteiras em que se optou por não realizar o giro de pino e bucha em determinadas operações, isso por não compensar o custo de mão de obra do procedimento, tempo de equipamento parado e frete. “O recomendável é a troca simultânea do par de correntes e não de somente um dos lados, pois seria como ir a uma loja de sapatos e comprar apenas um pé, ou trocar os pneus só de um lado do carro, o que seria tecnicamente incorreto”, compara.

Saiba mais:
BMC Hyundai: www.bmchyundai.com.br
JCB: www.jcbbrasil.com.br
John Deere: www.deere.com.br
Komatsu: www.komatsu.com.br
Sotreq: www.sotreq.com.br