FECHAR
FECHAR
31 de outubro de 2012
Voltar
Manutenção

Especializações exigidas para soldadores

Diante da demanda crescente por processos de soldagem, a qualificação de soldadores torna-se cada vez mais necessária nos canteiros de obras

Com a constante evolução de técnicas e ferramentas, o mercado está cada vez mais carente de mão de obra qualificada também na área de soldagem. De acordo com especialistas ouvidos pela M&T, a demanda e a consequente necessidade de profissionais habilitados vem crescendo desde o final da década de 1940.

O paradoxo é que, com um nível de especialização cada vez mais alto no setor, cria-se uma lacuna de profissionais que obriga, na maioria das vezes, a contratação de soldadores sem os conhecimentos básicos da função. Por isso, esta matéria elenca algumas dicas práticas e busca demonstrar o que deve ser avaliado na contratação de soldadores, para que realizem os procedimentos corretos da técnica em campo.

Procedimentos

Além de dominar a operação e manutenção das máquinas, os soldadores precisam ter noções aprofundadas dos tipos de material de adição, processo de soldagem, influência de gases de proteção e outros conhecimentos relacionados. Tal necessidade evidencia que um soldador apenas com curso básico já não atende a todas as aplicações. Inclusive, os cursos mais avançados, que abordam técnicas atualizadas e mais complexas, exigem que o aluno já acumule alguma experiência de base com soldagem. Mas atualmente essas especializações também são oferecidas por fabricantes de ferramentas, com conteúdo programático que vai do módulo básico ao avançado.

O módulo básico, que muitas vezes resume-se a um único dia de treinamento, engloba principalmente os tipos mais comuns de soldagem, como o MIG/MAG/GMAW, que é utilizado por cerca de 80% do mercado. Trata-se de uma prática de aplicação rápida, que utiliza uma ferramenta semiautomática na aplicação da adição (conheça os diferentes tipos de soldagem no quadro da pág. 88).

Nesse módulo também são abordados os tipos de transferência do arco, ou seja, a forma com que o arame é transferido para o material de base mantendo as características mecânicas. Como a solda requer corrente elétrica para realizar a fusão do metal de base, além da escolha do tipo de aplicação mais adequado da ferramenta mecânica, é preciso calcular a intensidade da corrente para cada tipo de soldagem.

No caso de uma corrente mais leve, utiliza-se o processo conhecido como “curto-circuito”, em que o arame de solda toca repetidamente – até 250 vezes por seg


Com a constante evolução de técnicas e ferramentas, o mercado está cada vez mais carente de mão de obra qualificada também na área de soldagem. De acordo com especialistas ouvidos pela M&T, a demanda e a consequente necessidade de profissionais habilitados vem crescendo desde o final da década de 1940.

O paradoxo é que, com um nível de especialização cada vez mais alto no setor, cria-se uma lacuna de profissionais que obriga, na maioria das vezes, a contratação de soldadores sem os conhecimentos básicos da função. Por isso, esta matéria elenca algumas dicas práticas e busca demonstrar o que deve ser avaliado na contratação de soldadores, para que realizem os procedimentos corretos da técnica em campo.

Procedimentos

Além de dominar a operação e manutenção das máquinas, os soldadores precisam ter noções aprofundadas dos tipos de material de adição, processo de soldagem, influência de gases de proteção e outros conhecimentos relacionados. Tal necessidade evidencia que um soldador apenas com curso básico já não atende a todas as aplicações. Inclusive, os cursos mais avançados, que abordam técnicas atualizadas e mais complexas, exigem que o aluno já acumule alguma experiência de base com soldagem. Mas atualmente essas especializações também são oferecidas por fabricantes de ferramentas, com conteúdo programático que vai do módulo básico ao avançado.

O módulo básico, que muitas vezes resume-se a um único dia de treinamento, engloba principalmente os tipos mais comuns de soldagem, como o MIG/MAG/GMAW, que é utilizado por cerca de 80% do mercado. Trata-se de uma prática de aplicação rápida, que utiliza uma ferramenta semiautomática na aplicação da adição (conheça os diferentes tipos de soldagem no quadro da pág. 88).

Nesse módulo também são abordados os tipos de transferência do arco, ou seja, a forma com que o arame é transferido para o material de base mantendo as características mecânicas. Como a solda requer corrente elétrica para realizar a fusão do metal de base, além da escolha do tipo de aplicação mais adequado da ferramenta mecânica, é preciso calcular a intensidade da corrente para cada tipo de soldagem.

No caso de uma corrente mais leve, utiliza-se o processo conhecido como “curto-circuito”, em que o arame de solda toca repetidamente – até 250 vezes por segundo a chapa, causando diversos curtos-circuitos entre o arame e o metal. Em seguida, há o processo “globular”, no qual a transferência torna-se instável, pois fica em uma faixa de transição e pode causar muitos respingos. Por último, já com uma intensidade mais alta da corrente, há o método conhecido como “spray”, em que gotículas do arame são pulverizadas em um arco constantemente ativo. Esse tipo de transferência é comum em posições planas, não sendo recomendado para outros casos.

Para uma aplicação satisfatória das técnicas acima descritas, os aprendizes devem compreender o funcionamento geral das máquinas nas quais atuarão, além de possuir conhecimentos sobre manutenção preventiva, o que inclui reposição de peças, regulação de ferramentas e adequação de ambientes para o seu correto funcionamento. Por sua centralidade no processo, essa parte é ministrada em todos os módulos do treinamento.

Físico - Química

No módulo médio, além dos conceitos descritos acima, os soldadores precisam saber diferenciar e aplicar os gases de proteção, que servem para evitar a contaminação da solda por componentes do ar atmosférico. O tipo mais comum é o argônio (Ar) puro ou combinado com dióxido de carbono (CO2).

Os alunos também devem ter aula sobre as características dos materiais de base, como tipos de aço, composição físico-química, processos de pré-aquecimento e outras. Esse módulo também engloba conhecimentos sobre a simbologia-padrão utilizada na área de soldagem, para que os profissionais saibam interpretar corretamente os desenhos técnicos que integram os projetos.

Aprofundamento

Já o curso avançado, que requer em média cinco dias de treinamento, aborda a teoria física do funcionamento dos arcos, além de conhecimentos avançados sobre gases de proteção e operação das ferramentas. Adicionalmente, o soldador adquire ainda conhecimentos na área de metalurgia.

Para acompanhar esse nível, os participantes podem dispor de material de apoio, como manuais técnicos das máquinas, apostilas com o resumo do que foi ensinado e, o que é fundamental, aulas práticas. Alguns cursos também oferecem simuladores de soldagem, que evitam gastos desnecessários com materiais e viabilizam testes de aprendizagem, além de protegerem a integridade física de soldadores inexperientes e iniciantes.

Com o uso do simulador, o aluno pode especificar todas as características da soldagem que deseja realizar na máquina, partindo do tipo de processo, formato e posição ideais, até chegar ao tipo de ferramenta, fonte, espessura e especificações do arame da solda. Acoplada à máquina há uma máscara de proteção, que funciona como visor do programa e aumenta o realismo da simulação.

O mesmo acontece com a ferramenta, que responde aos movimentos feitos com a mão de quem a controla. Para fazer a solda, a bancada pode ser posicionada verticalmente, horizontalmente e até mesmo sobre a cabeça do soldador, simulando operações embaixo dos equipamentos.

O programa ainda pode estipular metas e desafios, cujos resultados são apresentados ao final da simulação, fornecendo replay da etapa e a pontuação obtida. Esse tipo de simulador, no entanto, ainda é novo no mercado brasileiro, sendo geralmente utilizado apenas por escolas técnicas.