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20 de dezembro de 2011
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Bombas para Concreto

Equipamentos na medida para diversos tipos de operação

Fabricantes demonstram como dimensionar máquinas ideais para bombear concreto em operações nos centros urbanos, em grandes projetos de infraestrutura ou até mesmo em obras residenciais

Na última década, as bombas para concreto se popularizaram no Brasil devido ao ingresso de empresas com foco em concretagem. Essa é uma modalidade de negócio comum em países europeus, onde as concreteiras somente produzem o material, enquanto outras empresas especializadas realizam o transporte e o bombeamento. A quantidade de companhias dessa natureza no Brasil ainda não se compara à dos países de primeiro mundo, mas ela tem crescido substancialmente, como garantem os entrevistados pela M&T. Com seu desenvolvimento, essas empresas proporcionaram maior capilaridade para as bombas para concreto, que passaram a ser aplicadas em maior volume nas grandes obras, como hidrelétricas, e se estendem até as lajes de residências em periferias. Sim, o churrasco depois de encher a laje já não tem a mesma tradição e os fabricantes de bombas para concreto mostram a variedade de máquinas responsáveis por essa mudança cultural.

Antes de detalhar os modelos de equipamentos existentes e explicar como realizar a escolha correta para diversas aplicações, os entrevistados traçam um panorama do mercado brasileiro para esse tipo de máquina. Para eles, este ano deve fechar com a comercialização de 600 a 700 bombas para concreto de modelos e tamanhos variados. “Em 2010 o mercado consumiu 700 equipamentos e esperamos que neste ano as vendas sejam um pouco menores”, adianta Ricardo Lessa, diretor presidente da Schwing Stetter no Brasil. Ele avalia que o menor resultado não representa que 2011 está sendo um ano ruim, mas sim que 2010 foi atípico. “Se lembrarmos de 2009, quando o mercado brasileiro consumiu 400 unidades, perceberemos que a projeção feita para este ano é muito boa”, explica.

A fabricante alemã oferece bombas rebocáveis, auto-bombas com lança e auto-bombas estacionárias, sendo essas últimas desenvolvidas pela subsidiária brasileira do grupo. “Tratam-se de bombas estacionárias montadas sobre chassi de caminhão. Essa foi uma tropicalização que exportamos para diversas operações do grupo ao redor do mundo e que demonstra a qualidade da engenharia brasileira de equipamentos”, diz Lessa. Atualmente, esse tipo de máqu


Fabricantes demonstram como dimensionar máquinas ideais para bombear concreto em operações nos centros urbanos, em grandes projetos de infraestrutura ou até mesmo em obras residenciais

Na última década, as bombas para concreto se popularizaram no Brasil devido ao ingresso de empresas com foco em concretagem. Essa é uma modalidade de negócio comum em países europeus, onde as concreteiras somente produzem o material, enquanto outras empresas especializadas realizam o transporte e o bombeamento. A quantidade de companhias dessa natureza no Brasil ainda não se compara à dos países de primeiro mundo, mas ela tem crescido substancialmente, como garantem os entrevistados pela M&T. Com seu desenvolvimento, essas empresas proporcionaram maior capilaridade para as bombas para concreto, que passaram a ser aplicadas em maior volume nas grandes obras, como hidrelétricas, e se estendem até as lajes de residências em periferias. Sim, o churrasco depois de encher a laje já não tem a mesma tradição e os fabricantes de bombas para concreto mostram a variedade de máquinas responsáveis por essa mudança cultural.

Antes de detalhar os modelos de equipamentos existentes e explicar como realizar a escolha correta para diversas aplicações, os entrevistados traçam um panorama do mercado brasileiro para esse tipo de máquina. Para eles, este ano deve fechar com a comercialização de 600 a 700 bombas para concreto de modelos e tamanhos variados. “Em 2010 o mercado consumiu 700 equipamentos e esperamos que neste ano as vendas sejam um pouco menores”, adianta Ricardo Lessa, diretor presidente da Schwing Stetter no Brasil. Ele avalia que o menor resultado não representa que 2011 está sendo um ano ruim, mas sim que 2010 foi atípico. “Se lembrarmos de 2009, quando o mercado brasileiro consumiu 400 unidades, perceberemos que a projeção feita para este ano é muito boa”, explica.

A fabricante alemã oferece bombas rebocáveis, auto-bombas com lança e auto-bombas estacionárias, sendo essas últimas desenvolvidas pela subsidiária brasileira do grupo. “Tratam-se de bombas estacionárias montadas sobre chassi de caminhão. Essa foi uma tropicalização que exportamos para diversas operações do grupo ao redor do mundo e que demonstra a qualidade da engenharia brasileira de equipamentos”, diz Lessa. Atualmente, esse tipo de máquina representa 70% dos negócios realizados pela companhia alemã no Brasil.

Vários modelos e capacidades

O aspecto de variedade, presente nos modelos de equipamentos oferecidos pelos fabricantes, também se estende à faixa de capacidade de bombeamento das máquinas. No caso da Schwing Stetter, elas partem de 23 m³ por hora e vão até 200 m³/h. “A gama de capacidades é vasta, mas as bombas mais vendidas estão na faixa de 50 a 90 m³”, afirma Lessa. Ele explica que a opção por equipamentos maiores não condiz com a realidade da maioria das concretagens executadas no Brasil, onde a faixa de bombeamento está entre 12 e 15 m³/h, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (Abesc).

Essa avaliação se explica pela dificuldade de acesso dos caminhões betoneira  – que abastecem as bombas para concreto na frente de trabalho – aos canteiros de obras nos centros urbanos. A falta de planejamento para abrir mais frentes de serviço na frente de obra e, assim otimizar a utilização da bomba para concreto, também é outro fator que pesa nessa estatística. Com base nesses argumentos, o especialista da Schwing Stetter avaliza que a utilização de bombas de grande capacidade, em diversos casos, significa perda de rentabilidade. “No Brasil, afinal, o serviço é cobrado por metro cúbico bombeado. Então o faturamento será o mesmo para a empresa que bombear 30 m³ por hora utilizando uma bomba de 100 m³/h de capacidade ou outro cuja capacidade da máquina é condizente com o necessário”, diz ele.

Para a Putzmeister – outro player no fornecimento de bombas para concreto que investiu em fábrica local e já realiza a montagem de dois tipos de bombas para concreto nacionalmente, ficando ainda a projeção de totalizar a nacionalização de 12 modelos até o final do ano que vem – o fato é que tem crescido a demanda por bombas de maior capacidade e isso se deve, principalmente, ao leque de serviços que a empresa de concretagem pode realizar com um mesmo equipamento. “Da nossa linha de máquinas – que inclui modelos de 30 a 200 m³/h na prateleira – as bombas de 90 m³/h são as mais vendidas”, diz Edson B. de Oliveira, diretor comercial da multinacional alemã.

Roberto Schaefer, diretor presidente da companhia, por sua vez, explica que as empresas especializadas em concretagem por bombeamento compram máquinas maiores, prevendo ações pontuais, nas quais será necessário dispor de grande capacidade volumétrica para realizar uma só concretagem. “Uma máquina de maior porte tem a vantagem de atender desde obras pequenas até outras de infraestrutura, como pontes e viadutos, ficando a concreteira com margem de atuação em diversos nichos de mercado. Além disso, quando a máquina trabalha abaixo da sua capacidade nominal, ela desgasta menos componentes, o que também é uma vantagem para aqueles que optam por dimensionar modelos maiores, mesmo que a sua atuação também envolva obras de pequeno porte”, diz ele.

Na avaliação de Romano Rosa, vice-presidente sênior da Sany – que anunciou recentemente que produzirá bombas para concreto no Brasil a partir de 2013 – os equipamentos maiores têm ganhado mercado realmente. No caso da Sany, as máquinas com entre 80 e 100 m³/h de capacidade são as mais vendidas. “Nessa faixa, as auto-bombas com lança são as de maior comercialização. Elas representam cerca de 80% dos nossos negócios nessa área”, diz ele, acreditando que em 2012 as bombas estacionárias da marca tendem a ganhar mercado e dividir melhor as fatias do bolo do faturamento.

Na Schwing Stetter, como citado no início da reportagem, as bombas estacionárias montadas sobre chassi de caminhão são as campeãs de vendas enquanto na Putzmeister o maior volume em negócios fica por conta das auto-bombas sem lança incorporada. “Em 2012, esperamos que os modelos com lança representem entre 25 e 30% das máquinas vendidas”, diz Roberto Schaefer. Ele lembra que em 2010 essa representatividade não passou dos 20% e em 2011 os números ainda não haviam sido consolidados até o fechamento desta reportagem. “Sendo assim, a nossa expectativa é que o mercado – somando as vendas de todos os fabricantes – consuma entre 150 e 180 equipamentos com lança e entre 400 e 500 auto-bombas, ficando outras 120 unidades por conta das bombas rebocáveis”, completa Edson Oliveira.

Escolhas corretas fazem a diferença

Apesar das tendências apontadas pelos especialistas no que tange às faixas de capacidade e aos tipos de bombas para concreto mais requisitados no mercado brasileiro, eles são enfáticos ao afirmar que a escolha da bomba para concreto ideal só pode ser realizada após estudo de dimensionamento da máquina e sua aplicação. Essa prática resulta tanto na escolha do melhor modelo quanto da capacidade ideal para a concretagem a ser realizada. Para chegar a esse resultado, as fabricantes lançam mão de sistemas de dimensionamento baseados em sistema gráficos e oferecem aos usuários o projeto completo, ou seja, a máquina já dimensionada para a aplicação em questão.

O dimensionamento começa pela tubulação da bomba para concreto, cujo diâmetro interno deve ser no mínimo três vezes maior do que o diâmetro do agregado, de acordo com a Putzmeister. Oliveira acrescenta que o dimensionamento também deve levar em conta a espessura das paredes da tubulação, fator que é definido com base nas especificações de plasticidade do concreto (slump) e que permitem calcular a pressão de bombeamento.

Luiz Polachini, gerente comercial da Schwing Stetter, relata que a fabricante utiliza sete parâmetros mínimos para dimensionar o melhor equipamento e tubulação adequada para cada tipo de obra. “São indicações que nos permitem estabelecer as especificações de motorização da bomba para concreto, o alcance máximo de bombeamento vertical e horizontal, a dimensão da tubulação e o slump do concreto”, diz ele. Os sete fatores citados pelo especialista são: potência do motor, produtividade (m³/h), diâmetro da tubulação, distância total da linha de distribuição, slump, tamanho do agregado e quantidade mínima de cimento por m³ de concreto.

Segundo ele, a qualidade do concreto é um ponto de atenção à parte e que gera muitas dúvidas quando o assunto é o dimensionamento das bombas para concreto. Polachini explica que o controle da plasticidade e do traço são condições primordiais para os concretos bombeáveis, que naturalmente já oferecem melhores traços do que os aplicados manualmente. “Trata-se de um concreto com melhor trabalhabilidade e quantidade de finos, se tornando ideal, inclusive, para estruturas de concreto aparente”, diz ele.

O professor e diretor da PHD Engenharia, Paulo Helene, lembra – em palestra proferida durante o Sobratema Fórum, realizado durante a Construction Expo e M&T Peças e Serviços 2011 – das vantagens obtidas com a aplicação de massa com propriedades refinadas (concreto de auto desempenho). “No caso da concretagem dos pilares do e-Tower, o projeto inicial previa o uso de concreto de 40 Mpa, mas ele foi substituído por material de 80 Mpa, resultando em economia sustentável para a obra de menos 70% de areia, menos 70% de brita, menos 20% de cimento, menos 53% de concreto, menos 53% de água e menos 31% de área de fôrma, além de menor desgaste das fôrmas, maior vida útil e 43% menos aço, entre outras vantagens”, diz ele.

Para Romano Rosa, da Sany, a importância de trabalhar com concreto de desempenho elevado começa pela durabilidade e desgaste do equipamento. “Quando o traço não está de acordo com o exigido para realizar o bombeamento, a máquina trabalha forçada e as peças de desgaste – como manchetas, cilindros de transporte, placa óculos e anel de corte – se deterioram precocemente, incidindo maiores custos com manutenção”, diz ele, salientando que essa falha também prejudica os prazos de concretagem ao oferecer riscos de entupimento da tubulação.

Bombeamento na descendente e em alturas elevadas

De acordo com Edson Oliveira, da Putzmeister, o cuidado na operação também deve ser redobrado nos casos de bombeamento de concreto na descendente. “À primeira vista, bombear concreto para baixo parece ser mais fácil por conta da força da gravidade. Mas é o contrário, pois esse tipo de serviço exige cuidados especiais para evitar a segregação da mistura e a criação de vácuo na tubulação”, adianta ele. Nesse caso, Oliveira explica que a principal recomendação é o uso de válvula do tipo gaveta no nível inferior da tubulação. Essa válvula pode ser hidráulica ou pneumática. “Na prática, quando falamos de bombeamento na descendente em baixas alturas (abaixo de 30 metros), também é possível criar quebras de linha (espécies de sifões) na tubulação”, complementa ele, lembrando que essas práticas só são necessárias em auto-bombas e bombas estacionárias, pois nas bombas com lança a própria articulação do braço já permite que se crie curvas capazes de evitar os problemas de segregação citados no bombeamento na descendente.

Polachini, da Schwing Stetter, complementa que a quebra de linha deve ser realizada a cada dez metros de desnível na posição de 90°. Também é possível evitar segregações com o estabelecimento de inclinações médias de 45° na tubulação. “Depois da montagem, é indispensável lubrificar a tubulação. Isso se faz com o uso de uma bola de limpeza para que o material lubrificante seja retido e espalhado em toda a superfície e comprimento internos da tubulação, evitando entupimentos durante o bombeamento”, explica ele.

Já quando a demanda é realizar o bombeamento de concreto a grandes alturas – algo que para a Putzmeister só se configura em obras acima de 200 metros – alguns procedimentos como o posicionamento da máquina devem ser estipulados. “O posicionamento horizontal dela em relação à distância máxima vertical da edificação em concretagem deve variar de 10 a 15%, sendo que esse percentual é uma medida otimizada para atender a necessidade do amortecimento da coluna de concreto sem gerar qualquer sobrecarga ao equipamento”, diz Polachini. Sendo assim, um exemplo citado por ele é que se o edifício tem 100 metros de altura, o equipamento deve ser posicionado a 10 ou 15 metros de distância dele. “No entanto, sabemos que nem todas as obras permitem que esse percentual seja atendido por motivos de layout do canteiro. Na maioria das vezes, o percentual varia acima dos 15% o que, operacionalmente, pode acarretar em perda na distância vertical a ser alcançada”, complementa ele.

Romano Rosa, por sua vez, avalia que muitas operações em alturas elevadas são fracassadas por falta de potência dos equipamentos. “Por isso as bombas para concreto da Sany possuem sistema de troca de volume, o que significa que o operador pode trocar o modo de operação do equipamento para alta ou baixa pressão com o uso de um simples botão no painel. Assim, ele não necessita mais perder horas de trabalho com a troca de mangueiras do circuito hidráulico”, finaliza ele, salientando que essa tecnologia oferece vantagem ao proprietário da bomba para concreto, que pode atender a um grande leque de obras com um mesmo equipamento.

 

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