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02 de março de 2012
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Embreagem

Entenda como ela funciona

A adoção de boas práticas de operação e manutenção, aliada ao correto dimensionamento do sistema de embreagem, contribui para prolongar a vida útil desse componente e reduzir o esforço do operador nas passagens de marchas

Os conjuntos de embreagem instalados em caminhões pesados e equipamentos fora de estrada podem durar alguns milhares de horas se submetidos a boas práticas de operação e manutenção. Todavia, eles também podem não passar do primeiro dia de operação, principalmente em situações de extrema solicitação, quando o conjunto fica exposto à geração de temperatura excessiva. O resultado dependerá essencialmente da qualidade do operador da máquina ou do caminhão, tomando como base as embreagens utilizadas em equipamentos novos. No caso de peças de reposição, os fabricantes acrescentam ainda a qualidade do componente como outro fator preponderante para sua durabilidade.

Segundo Benedito Mesquita Filho, consultor técnico de reposição da ZF do Brasil, divisão Sachs, as embreagens funcionam por atrito, motivo pelo qual também geram calor. “Por isso, todos os seus componentes são dimensionados de acordo com o torque do motor que a embreagem deverá transmitir, com a carga térmica a que será submetida por conta do atrito e com as vibrações a serem absorvidas durante a operação e o seu completo acoplamento”, diz ele.

O especialista lista uma variedade de sistemas de embreagens disponíveis no mercado, como as do tipo monodisco com acionamento mecânico, hidráulico ou servo-assistido, as bidisco, as embreagens duplas e ainda a opção de esses modelos contarem com revestimento orgânico ou cerametálico. Nesse contexto, ele avalia que os tipos construtivos dependerão de cada equipamento e suas respectivas aplicações.

Conjuntos maiores

Airton do Prado, gerente de assistência técnica e planejamento do produto de aftermarket do grupo Schaeffler, explica que os modelos monodisco mais avançados são acionados por sistemas hidráulicos, compostos por um cilindro mestre fixado no pedal da embreagem e um cilindro auxiliar localizado próximo ou dentro do compartimento de embreagem (caixa seca). “Dessa forma, quando o pedal é acionado, empurra-se o óleo contido na tubulação até o cilindro auxiliar, que pode ter duas configurações: a construção convencional, onde o cilindro aciona um garfo e este a embreagem, ou os atuadores hidráulicos, que contêm os mesmos rolamentos da embreagem e a acionam de forma direta”, ele detalha.

Nos equipamentos de grande porte, entretanto, utilizados em mineração e construção, as montadoras lançam mão de embreagem bidisco ou de dois discos. “Apesar de ambas apresentarem dois discos em sua composição, elas são conceitualmente diferentes”, adianta Prado. Ele explica que a embreagem dupla trabalha com dois discos com cubos distintos, sendo cada um com o seu eixo piloto. “Essa é a típica embreagem usada em tratores, onde um dos discos é utilizado para acionar a esteira e o outro aciona um implemento.” Por esse motivo, ele compara tal princípio construtivo à utilização de duas embreagens em um mesmo equipamento.