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20 de setembro de 2019
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Financiamento

Em busca de crédito

Desde 2015, a queda acumulada no volume de crédito liberado às empresas no país foi de 27,8%, levando os investimentos no setor ao seu menor nível em muitas décadas
Por Marcelo Januário (Editor)

Financeiramente fragilizado, o setor da construção – com a locação à frente – enfrenta problemas na hora de levantar capital e renovar as frotas de máquinas e equipamentos, que nesta altura já estão em sua etapa final de vida útil, quando não obsoletas. Mas isso não tem sido nada fácil, e não é de hoje.

Há cerca de dois anos, o Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia (Decomtec) – instituição ligada à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) – realizou uma pesquisa com 1.036 empresas para avaliar o acesso ao crédito, no caso, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Os resultados mostraram que somente 39% da amostra (403 empresas) tentaram acesso ao crédito do banco público nos dois anos anteriores, sendo que 45% desse grupo não conseguiram aprovação na ocasião, notadamente as de menor porte.

Além da elevada taxa de juros, excesso de exigências dificulta a renovação da frota

Como justificativas para a dificuldade, as empresas citaram fatores como o excesso de ‘exigências’ em relação à documentação e de ‘garantias’, além da taxa de juros (TJLP + spread) para quem finalmente consegue a aprovação do crédito – lembrando que a taxa básica real brasileira é considerada uma das mais elevadas do mundo. Mas a pesquisa também evidenciou uma ‘inflexibilidade’ do banco em aspectos como ‘negociação dos spreads’, ‘prazos de financiamento’ e ‘limites disponibilizados’, sobre o quê não é possível generalizar para todo o sistema, mas que – como veremos – ecoa nos demais instrumentos financeiros disponíveis ao comprador, inclusive privados.

Some-se a isso a própria diminuição da relevância para a infraestrutura do setor público, que em 2017 respondeu por 52% do valor das obras tocadas no país, mas que rapidamente vem perdendo a capacidade de concessão de crédito. De quebra, o ajuste nos bancos públicos não foi compensado com a ampliação da atuação do setor privado, fazendo com que a baixa liberação de crédito se tornasse, por tabela, um dos principais entraves para a volta do crescimento da economia.