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25 de maio de 2018
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Mineração

Desafios no horizonte

Encontro de especialistas em São Paulo debate as perspectivas para a mineração no Brasil, traçando os principais desafios econômicos, sociais e tecnológicos do setor
Por Marcelo Januário (Editor)

Realizada em meados de março em São Paulo, a mais recente reunião do Grupo de Intercâmbio de Experiência (GIE) de Mineração da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK – Deutsche-Brasilianische Industrie und Handelskammer) trouxe informações atualizadas sobre as expectativas dos agentes da atividade minerária no país. Com a participação de players de diferentes segmentos da cadeia produtiva, a constatação geral é de que a conjuntura econômica do setor já demonstra “uma melhoria substancial em relação aos últimos anos, com alguns projetos sendo finalmente desengavetados e discutidos com fornecedores”.

Segundo a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), no setor industrial a previsão de crescimento é de 7% a 8% neste ano. Para o setor da mineração também se prevê crescimento, mas menor. Nesse sentido, há expectativa de novos investimentos, principalmente na região Centro-Oeste do país, em um movimento acompanhado pela geração de novos modelos de negócios para o setor.

Mas tudo deve ficar mesmo para depois das eleições presidenciais. “As previsões econômicas para o setor indicam algum crescimento neste ano, mas ainda falta uma concretização desse viés”, advertiu Alessandro Colucci, gerente do Centro de Competência de Mineração e Recursos Minerais da AHK. “De fato, para que a recuperação econômica chegue aos fornecedores, ainda será necessário esperar uns dois ou três trimestres.”

Este é um ponto importante, uma vez que o setor – segundo as conclusões do GIE – está pressionado para obter ganhos de produtividade nas operações atuais. Além disso, não há expectativa quanto à abertura de novos projetos de mineração de minério de ferro, por exemplo. “Contudo, é possível que a demanda futura deste minério seja absorvida pela capacidade atual do projeto S11D da Vale”, anotou Colucci. “Um dos poucos projetos de grande porte que vem sendo discutido atualmente é a ampliação da mina de cobre da Vale em Salobo, no Pará.”

Desse modo, não são esperados investimentos de grande vulto nos próximos anos, no sentido de aumento da capacidade de produção. O que deve ocorrer, como sublinharam os especia


Realizada em meados de março em São Paulo, a mais recente reunião do Grupo de Intercâmbio de Experiência (GIE) de Mineração da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK – Deutsche-Brasilianische Industrie und Handelskammer) trouxe informações atualizadas sobre as expectativas dos agentes da atividade minerária no país. Com a participação de players de diferentes segmentos da cadeia produtiva, a constatação geral é de que a conjuntura econômica do setor já demonstra “uma melhoria substancial em relação aos últimos anos, com alguns projetos sendo finalmente desengavetados e discutidos com fornecedores”.

Segundo a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), no setor industrial a previsão de crescimento é de 7% a 8% neste ano. Para o setor da mineração também se prevê crescimento, mas menor. Nesse sentido, há expectativa de novos investimentos, principalmente na região Centro-Oeste do país, em um movimento acompanhado pela geração de novos modelos de negócios para o setor.

Mas tudo deve ficar mesmo para depois das eleições presidenciais. “As previsões econômicas para o setor indicam algum crescimento neste ano, mas ainda falta uma concretização desse viés”, advertiu Alessandro Colucci, gerente do Centro de Competência de Mineração e Recursos Minerais da AHK. “De fato, para que a recuperação econômica chegue aos fornecedores, ainda será necessário esperar uns dois ou três trimestres.”

Encontro na Câmara Brasil-Alemanha atualizou informações sobre a mineração no Brasil

Este é um ponto importante, uma vez que o setor – segundo as conclusões do GIE – está pressionado para obter ganhos de produtividade nas operações atuais. Além disso, não há expectativa quanto à abertura de novos projetos de mineração de minério de ferro, por exemplo. “Contudo, é possível que a demanda futura deste minério seja absorvida pela capacidade atual do projeto S11D da Vale”, anotou Colucci. “Um dos poucos projetos de grande porte que vem sendo discutido atualmente é a ampliação da mina de cobre da Vale em Salobo, no Pará.”

Desse modo, não são esperados investimentos de grande vulto nos próximos anos, no sentido de aumento da capacidade de produção. O que deve ocorrer, como sublinharam os especialistas, são aportes em manutenção e otimização de processos, com destaque para pedidos de adequação e reposição. “Está ocorrendo um movimento de transição de venda de máquinas para a venda de serviços de soluções específicas para cada empresa”, pontuou o GIE, que inclui o vice-presidente da Sobratema, Octavio Lacombe.

REALISMO

Nesse contexto, as oscilações do mercado internacional também podem impactar a atividade. Uma simulação da agência de notícias Bloomberg prevê queda de 5% por ano do valor do minério de ferro até 2022. O quadro traz incertezas, mas talvez também enquadre a atividade em um patamar mais realista. Afinal, como destacaram os especialistas, no Brasil a mineração sempre foi uma indústria com uma taxa reduzida de crescimento. “A anomalia do último ‘superciclo’ vivido pelo país deu-se pelo extraordinário crescimento da China, que não será repetido tão cedo, nem pela própria economia chinesa, nem por outros países”, concordaram os executivos.

O volume médio anual de investimentos no setor é avaliado em 20 bilhões de reais por ano, dos quais 12 bilhões de reais são oriundos da Vale. “Com esse montante, o Brasil recebe menos investimento externo no setor da mineração do que, por exemplo, o México”, ressaltou o grupo. “E isso acontece por questões burocráticas e administrativas.”

Volume médio anual de investimentos no setor brasileiro de mineração está avaliado em 20 bilhões de reais

Segundo o GIE, a atividade também é marcada pela ausência de uma estratégia de desenvolvimento mais definida, sendo que o setor sequer conta com uma representação organizada no Congresso Brasileiro. “Uma consequência dessa negligência política (e da incerteza gerada pela demorada tramitação do Código de Mineração no Congresso) é que os gastos para pesquisa mineral caíram em 70% nos últimos anos”, descreveram os participantes. Como consequência, em comparação a outras indústrias a mineração brasileira encontra-se atrasada na aplicação da tecnologia da informação (TI), uma vez que apenas 5% dos investimentos são destinados à área. “Além disso, é importante considerar que as mineradoras ainda estão com capacidade ociosa significativa.”

Aliás, outro setor correlato que reporta alta taxa de ociosidade é o do cimento, que opera com apenas 40% da capacidade instalada. “A entrada de equipamento chinês também mudou o cenário deste segmento nos últimos anos”, destacaram os participantes, que se referiram ainda à forte pressão que alguns novos players vêm exercendo nos preços – principalmente chineses, que entraram no mercado durante a crise das commodities.

TENDÊNCIAS

Em relação às tendências de mercado, o GIE apontou aspectos como necessidade de aumento da produtividade e, simultaneamente, redução de custos, além de aplicações da “mineração 4.0” e tecnologias de beneficiamento a seco. Contudo, outra preocupação geral demonstrada no encontro recai sobre a necessidade de a indústria desenvolver a chamada “licença social”. “A mineração precisa ter uma ligação mais forte com a sociedade com o intuito de diminuir sua imagem negativa”, comentou Colucci. “Além disso, em certas situações ela negligencia as comunidades nas quais atua.

A cidade de Parauapebas, no Pará, é um bom exemplo, pois não tem sistema de esgoto. E bem ao lado da cidade, a Vale e outras mineradoras operam minas de ferro, cobre e outros minérios.”

O tema da estabilização das barragens de rejeito (e mesmo a proibição das barragens) também foi apontado como temas dominantes para a mineração no país. “Os gastos para filtros estão muito altos, devido à adequação da legislação ambiental mais rígida, o que faz com que as empresas tenham que achar alternativas para o uso de barragens”, observou o GIE.

Em uma apresentação realizada por executivos da PorscheConsulting, foram destacados aspectos como o envelhecimento das minas (que estão cada vez mais profundas), declínio da produtividade, dificuldades em atrair, desenvolver e reter talentos, preços de mercado extremamente voláteis e necessidade de atender às exigências ambientais, sociais e de segurança. Já em termos tecnológicos, o encontro destacou “como as novas tecnologias ainda enfrentam obstáculos para serem aceitas no mercado brasileiro, tal qual acontece com alguns equipamentos para escavação de túneis e poços”.

Saiba mais:

AHK: www.ahkbrasil.com