Cultura da inovação — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 175Dez/Jan 2014 Matéria 10 de 20
Sumário
  1. EditorialAgenda de crescimento é imprescindível
  2. ReciclagemProcessamento de resíduos cresce no Brasil
  3. RetroescavadeirasA preferência nacional
  4. FundaçõesSolidez indispensável
  5. Equipamentos CompactosDemanda estimula fabricantes e distribuidores
  6. Equipamentos CompactosCaminho aberto para minimáquinas
  7. MotoresCummins Brasil lança motores e nova linha de filtros
  8. MercadoLinha Amarela avança 13% no Brasil
  9. RentalCresce demanda por soluções para gerenciamento em locação
  10. EmpresaCultura da inovação
  11. PneusReforma ganha força no mercado brasileiro
  12. FabricanteCaterpillar inaugura nova fábrica no Brasil
  13. Momento M&T Peças E ServiçosInvestimentos em infraestrutura contabilizam R$ 1,19 trilhão até 2018
  14. FestaNoite de Encantamentos
  15. A Era Das MáquinasA evolução das soluções para construção de estradas
  16. ManutençãoElementos estruturais também têm pontos fracos
  17. Entrevista"O potencial para tecnologias mais avançadas é enorme no Brasil"
  18. InternacionalO novo Eldorado espanhol
  19. Compactos&FerramentasVoo certeiro de produtividade
  20. Coluna YoshioMudança de comportamento
  21. Painel15 notas e colunas
Empresa

Cultura da inovação

Para manter-se no topo, a Volvo CE aposta em pesquisa de novas tecnologias voltadas para precisão operacional, baixo consumo e redução das emissões de gases poluentes

Exclusivo M&T 23 de dezembro de 2013 · Edição 175

Junte elementos como desenvolvimento de equipamentos inteligentes, fábricas com acidente zero e sem paradas inesperadas, compromisso com a eficiência energética e eliminação das emissões de poluentes. O resultado será algo parecido com as operações da Volvo Construction Equipment, comprovadamente um dos maiores fabricantes globais de equipamentos. Manter-se no topo, entretanto, não permite qualquer acomodação.

Afinal, tais valores orientam as ações da marca desde a sua fundação, em 1927. Mas, como acentua o vice-presidente executivo de tecnologia, Anders Larsson, a palavra-chave que explica o sucesso da empresa e a visibilidade de seus produtos mundo afora é mesmo inovação. “A inovação se faz presente em cada detalhe do nosso design, processos de desenvolvimento, vendas e marketing”, diz Larsson. “É o nosso princípio norteador.”

Até por isso, a empresa trabalha com os olhos sempre voltados para o futuro. Muitos projetos se desdobram no tempo, por vezes décadas, como equipamentos com operação autônoma e manipulados via laser e GPS que a empresa desenvolve no momento. “Mas nem sempre inovação significa produtos complexos”, afirma o executivo. “Por vezes, esse valor está presente em algo relativamente simples, mas que torna a manutenção da máquina mais fácil para os clientes, por exemplo.”

FUNCIONALIDADE

Nessa linha, Mats Jackson, gerente de pesquisa industrial, explica que o termo inovação implica em industrialização de novos produtos, desenvolvimento e implementação de novas tecnologias e conceitos de produção e, por último, mas não menos importante, melhorias operacionais. “O design dos equipamentos, por exemplo, atende não apenas à estética dos equipamentos, mas também sua funcionalidade e utilidade no campo”, pontua o especialista.

Além disso, o foco está não apenas em “o que se faz”, mas também em “como se faz”. “A Volvo conta com diversas linhas de equipamentos que se adaptam aos mercados de atuação, mas a identidade central da empresa mantém-se no conceito dos produtos, independentemente da diversificação”, diz Stina Nilimaa Wickström, diretora de design da Volvo CE.

A despeito disso, o mercado global tem sim influência direta na fabricação dos equipamentos. De acordo com Tommy Streipel, diretor da área de pás carregadeiras, os maquinários são adaptados de acordo com as necessidades dos clientes e países em que os equipamentos estão inseridos, garantindo qualidade, prazos de entrega e cuidado com o meio ambiente de acordo com cada realidade. “Precisamos conhecer a necessidade específica do consumidor local”, diz ele.

Dentre os próximos conceitos inovadores que serão trazidos ao mercado pela marca destaca-se uma escavadeira compacta sem cabine, acionada por uma única bateria. “A bateria também funciona como um contrapeso”, explica Wickström. Para o assento, a equipe de design se baseou nos contornos de uma cadeira de madeira modernista, utilizando o objeto como inspiração. “Este é um conceito que pode ser aplicado nas escavadeiras futuras”, completa a diretora.

EMISSÕES

Outro valor central para a Volvo CE, como comenta Arvid Rinaldo, gerente global de estratégia de comunicação, é a responsabilidade ambiental. Além de maximizar a economia de combustível nas máquinas, a Volvo está próxima de alcançar seu objetivo de manter uma fábrica com emissão neutra de CO2. Localizada em Braås, na Suécia, será a primeira de equipamentos a obter a marca. “Na fabricação de caminhões, entretanto, a empresa já conta com uma fábrica na Bélgica com emissão livre de CO2”, afirma Rinaldo. Desde 2007, diz ele, a Volvo Trucks Europa utiliza gás natural para aquecer suas fábricas e escritórios. Com isso, a empresa passou de 14 mil t de CO2 produzidas em 2004 para emissão zero apenas três anos depois.

Foi com esse propósito, aliás, que a empresa se tornou em 2010 o primeiro fabricante de caminhões do mundo a integrar o programa do World Wide Fund For Nature (WWF), uma das mais respeitadas organizações ambientais do mundo. O acordo com a entidade prevê uma redução de emissão de CO2 de caminhões produzidos até 2014 em até 13 milhões de t. Mas, incluindo caminhões, máquinas e ônibus, a Volvo pretende reduzir as emissões em 30 milhões de t ainda neste ano. “Para tanto, a empresa vem realizando pesquisas com combustíveis alternativos e renováveis, incluindo soluções híbridas, gás natural e éter dimetílico”, revela Rinaldo.

TECNOLOGIAS

Em termos tecnológicos, as apostas recaem sobre soluções como o sistema de transmissão OptiShift, já presente nas pás carregadeiras de grande porte. Conforme afirma Gunnar Stein, diretor global de sistemas de propulsão, o sistema reduz o consumo de combustível em até 15%, devido à presença do conversor de torque e da tecnologia RBB (Reverse by Braking), que garantem maior durabilidade da máquina e tempos de ciclo mais curtos.

“O próximo passo é a incorporação do CVT (Continuously Variable Transmission), transmissão que não possui marchas fixas e oferece relações de marcha de forma variável”, diz Stein. A tecnologia reduz em 25% o consumo de combustível dos equipamentos, mas o objetivo é obter uma queda de 50% no consumo com a introdução de sistemas de acionamento híbridos elétricos e hidráulicos.

Quanto aos propulsores, a Volvo também vem pesquisando novas soluções. Uma delas é baseada no downsizing (redução, em português) dos motores, visando à diminuição do tamanho do componente e, consequentemente, do consumo e emissão de poluentes. Outra é o electric boosting, uma solução que adiciona reforços do motor elétrico em cada roda. “Sempre pensamos em soluções técnicas diferenciadas e na utilização dos melhores componentes, garantindo a eficiência dos equipamentos”, frisa Stein. “No entanto, é preciso acompanhar o mercado e verificar a possibilidade de inserção destas novas tecnologias, pensando simultaneamente no preço dos combustíveis e na manutenção das máquinas.”

Fábrica em Eskilstuna produz eixos e transmissões

Uma das maiores da Europa, a fábrica da Volvo CE em Eskilstuna, na Suécia, produziu em 2012 aproximadamente 35 mil componentes, além de operar na usinagem, montagem e pintura dos equipamentos. Com área total de 65 mil m², a fábrica conta com 840 funcionários, sendo que 700 atuam diretamente na fábrica e 140 nos escritórios.

Segundo Mats Jackson, gerente de pesquisa industrial, a produção é dividida em duas correntes principais, para eixo e transmissão. “Após serem montados, verificados e pintados, os eixos e transmissões são enviados para montagem final”, diz ele. “Essa etapa, por sua vez, é realizada em Braås, onde são fabricados os caminhões articulados, e em Arvika, que monta as carregadeiras de rodas.”

Dentre os destinos finais das operações realizadas em Eskilstuna incluem-se as fábricas de Pederneiras, no Brasil, e de Shippensburg, nos EUA, informa Ivan Obrovac, gerente geral de operações da Volvo CE.

Nova linha de motores reduz em 95% as emissões de NOX

Neste início de ano, a Volvo CE lança globalmente sua nova linha de motores Tier 4 Final/Stage IV. Para evitar mudanças na base dos motores, a linha conta com SCR (Selective Catalytic Reduction), uma tecnologia já testada nos caminhões da marca. “Nos equipamentos de construção, o Tier 4 Final reduzirá a emissão de NOx em mais de 95%”, afirma Peter Engdahl, gerente de desempenho de motor da Volvo CE.

Volvo adquire negócio de caminhões da Terex

Em um acordo de 160 milhões de dólares, a Volvo CE anunciou acordo para adquirir o negócio de caminhões da Terex. Além de transferência de propriedade intelectual e direito de distribuição dos produtos nos EUA, a aquisição inclui a fábrica escocesa de Motherwell, 25,2% do controle da NHL (Inner Mongolia North Hauler Joint Stock) que produz caminhões rígidos na China com a marca Terex –, cinco modelos de caminhões rígidos (entre 32 e 91 ton) e a incorporação de três modelos de articulados (entre 25 e 38 ton) ao portfólio da Volvo CE.

 

 

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