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30 de agosto de 2012
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Oficina

Como dimensionar a instalação no canteiro

Algumas dicas e critérios para projetar e dimensionar instalações de manutenção em um canteiro de obras
Por Norwil Veloso

As oficinas localizadas nos canteiros de obras se destinam a executar as revisões e inspeções preventivas dos equipamentos, além dos reparos corretivos até um nível determinado pela gerência.  Em princípio, elas não se destinam a reparos de grande porte nem a serviços que envolvam a abertura de componentes como motores, transmissões, unidades hidráulicas de precisão e outros para os quais não haja recursos disponíveis para uma execução satisfatória. Esses serviços deverão ser terceirizados para empresas especializadas, selecionadas para esse fim.

O dimensionamento das instalações de manutenção constitui um ponto-chave para assegurar a boa qualidade dos serviços prestados aos equipamentos no canteiro de obras. Para tanto, deve seguir critérios que permitam assegurar que a quantidade de boxes e o tamanho das instalações auxiliares sejam suficientes para atender a frota alocada durante todo o período de execução dos serviços.

O projeto da estrutura de manutenção se inicia na fase de planejamento executivo da obra, quando é feita a definição do conjunto de equipamentos que será mobilizado e são estabelecidas as datas de entrada em serviço de cada um. Essas decisões são consolidadas no cronograma de permanência de equipamentos, que será uma das ferramentas-chave para o projeto das instalações.

Antes de definir essas instalações, contudo, é necessário estabelecer alguns critérios gerais de planejamento, com base no plano de ataque da obra: se haverá necessidade de oficinas auxiliares (por exemplo, quando os trabalhos se desenvolvem simultaneamente em ambas as margens do rio, sem que haja uma travessia fácil, ou quando há frentes muito distantes umas das outras), se essas oficinas serão fixas, instaladas num canteiro de apoio permanente, ou sobre carretas, para seu deslocamento até pontos específicos da obra. Essa etapa também poderá considerar a utilização de oficinas móveis sobre caminhão, se haverá oficina industrial independente e outros aspectos específicos. Enfim, define-se nessa fase a forma de prestação dos serviços.

Dados da frota

Em conjunto com o planejamento da estrutura geral de manutenção, será necessário conhecer também a frota aproximada que deverá ser atendida em cada oficina, em função da sequência de execução dos serviços. Nessa fase, é importante avaliar os picos de concentração de equipamentos, para saber se as instalaçõe


As oficinas localizadas nos canteiros de obras se destinam a executar as revisões e inspeções preventivas dos equipamentos, além dos reparos corretivos até um nível determinado pela gerência.  Em princípio, elas não se destinam a reparos de grande porte nem a serviços que envolvam a abertura de componentes como motores, transmissões, unidades hidráulicas de precisão e outros para os quais não haja recursos disponíveis para uma execução satisfatória. Esses serviços deverão ser terceirizados para empresas especializadas, selecionadas para esse fim.

O dimensionamento das instalações de manutenção constitui um ponto-chave para assegurar a boa qualidade dos serviços prestados aos equipamentos no canteiro de obras. Para tanto, deve seguir critérios que permitam assegurar que a quantidade de boxes e o tamanho das instalações auxiliares sejam suficientes para atender a frota alocada durante todo o período de execução dos serviços.

O projeto da estrutura de manutenção se inicia na fase de planejamento executivo da obra, quando é feita a definição do conjunto de equipamentos que será mobilizado e são estabelecidas as datas de entrada em serviço de cada um. Essas decisões são consolidadas no cronograma de permanência de equipamentos, que será uma das ferramentas-chave para o projeto das instalações.

Antes de definir essas instalações, contudo, é necessário estabelecer alguns critérios gerais de planejamento, com base no plano de ataque da obra: se haverá necessidade de oficinas auxiliares (por exemplo, quando os trabalhos se desenvolvem simultaneamente em ambas as margens do rio, sem que haja uma travessia fácil, ou quando há frentes muito distantes umas das outras), se essas oficinas serão fixas, instaladas num canteiro de apoio permanente, ou sobre carretas, para seu deslocamento até pontos específicos da obra. Essa etapa também poderá considerar a utilização de oficinas móveis sobre caminhão, se haverá oficina industrial independente e outros aspectos específicos. Enfim, define-se nessa fase a forma de prestação dos serviços.

Dados da frota

Em conjunto com o planejamento da estrutura geral de manutenção, será necessário conhecer também a frota aproximada que deverá ser atendida em cada oficina, em função da sequência de execução dos serviços. Nessa fase, é importante avaliar os picos de concentração de equipamentos, para saber se as instalações serão construídas já para atender o pico da obra ou se serão dimensionadas para uma primeira fase de execução, com ampliação posterior, para reduzir o desembolso inicial.

Além dessas informações, será necessário definir a eficiência mecânica dos equipamentos a ser usada como base do cálculo de dimensionamento, que deverá ser a mais próxima possível da realidade da empresa. Normalmente, esse valor, que corresponde à relação entre as horas de manutenção e as horas possíveis de trabalho, está situado entre 60% e 80%.

Esse índice permitirá definir a quantidade de boxes da oficina, pois, se a eficiência for de, digamos, 70%, isso significa que 30% dos equipamentos que serão atendidos permanecerão parados continuamente. Em outras palavras, a quantidade de boxes será igual à diferença entre 100% e a eficiência prevista, multiplicada pela quantidade de equipamentos a ser atendida (veja como fazer esse cálculo no box da pág. 72).

Nas empresas em que o prazo de atendimento dos pedidos de peças é demorado, pode-se adotar o rendimento mecânico (horas de reparo / horas trabalhadas + horas de reparo) como base para o dimensionamento, deixando-se um espaço maior de pátio para a colocação das máquinas que estiverem aguardando peças. O pátio deverá permitir, nesse caso, a manobra dos equipamentos que utilizarão a oficina e o estacionamento daqueles que estiverem aguardando peças ou componentes.

É importante lembrar, contudo, que nem todas as máquinas que estiverem aguardando peças terão condições de serem removidas do interior da oficina para o pátio e vice-versa.

Seções de apoio

A oficina precisa dispor, no mínimo, de uma área para serviços de solda e caldeiraria e de uma seção elétrica automotiva, preferencialmente com espaço separado para a manutenção das baterias, além de ferramentaria e escritório de controle. Haverá também a necessidade de uma borracharia, que poderá ser posicionada no galpão da oficina ou junto ao posto de lubrificação, dotada de pátio próprio para estacionamento de caminhões e manuseio de pneus de maiores dimensões, de ferramentaria e escritório de controle.

O conjunto também deverá dispor de uma ou mais rampas de lavagem e lubrificação e de um depósito de lubrificantes, que poderá ser instalado em uma edificação independente e deverá ficar afastado da área de solda e caldeiraria. Estas instalações poderão ficar fora da área da oficina, operando de forma independente. A quantidade de rampas deverá ser tal que permita a lavagem e lubrificação de todos os veículos pelo menos uma vez por semana, e cada rampa deverá dispor de um ponto de graxa.

É comum colocar, na mesma edificação da oficina, áreas para manutenção elétrica de corrente alternada e de manutenção das instalações hidráulicas (encanamentos, bombas e outros). Essas seções também poderão ficar em local independente, o que poderá ser até mais interessante, dependendo de seu porte. A manutenção hidráulica necessitará de pátio próprio cujas dimensões permitam o manuseio adequado de barras de tubulação.

Área industrial

Em obras com serviços de montagem, muitas vezes há a necessidade de uma oficina industrial e pipe-shop, onde são feitos serviços de caldeiraria e usinagem, além da pré-montagem de tubulações e subconjuntos.

A definição das áreas de trabalho e dos equipamentos destinados a esses serviços deverá ser feita em função de suas características específicas, mas é normal se dispor de pelo menos um torno, plaina limadora, furadeira de coluna, prensa, rosqueadeira e esmeril. A eventual inclusão de uma fresadora e de outras máquinas operatrizes deverá ser analisada com enfoque na relação custo/benefício.

A oficina industrial poderá fazer parte da mesma edificação ou ser um galpão independente, o que normalmente é vantajoso tendo em vista sua necessidade de pátio para pré-montagem e manuseio de conjuntos. Caso a obra disponha de área industrial, não haverá necessidade de equipar a oficina de manutenção com máquinas operatrizes, devendo-se prever apenas uma área para serviços de solda de manutenção.

Características do galpão

Os boxes devem ser padronizados. Uma medida comum é o uso de vãos de 5 x 10 m ou 6 x 12 m (quando houver equipamentos maiores, cuja largura dificulte o trabalho no vão de 5 m). No caso de utilização de estruturas metálicas na instalação da oficina, o ideal é manter essa modulação para todo o galpão, de modo a possibilitar o posterior reaproveitamento em outras configurações. O pé direito usual varia entre 4,5 m e 5 m. É importante ter pelo menos um box com vala. Sugerimos uma vala para cada quatro boxes.

No projeto do layout, não devem ser usadas edificações muito longas, para evitar que os funcionários tenham de caminhar grandes distâncias com frequência. Caso a quantidade de boxes seja grande, é melhor utilizar boxes duplos com acesso por ambas as extremidades ou configurações em “H”, “L” etc., dando especial atenção aos cantos, devido à dificuldade de acesso.

É interessante que a oficina fique próxima do almoxarifado, tendo em vista a frequente interação entre as duas áreas.

Utilidades

De um modo geral, recomenda-se a utilização de redes aparentes na distribuição de energia elétrica, água industrial e ar comprimido, para que as modificações possam ser feitas com facilidade. Recomenda-se a utilização de perfis e barramentos para distribuição de energia elétrica, na parte trifásica. A tensão deverá ser definida em função das características locais (normalmente 380 ou 440 volts), prevendo-se também uma rede monofásica para iluminação e ferramentas elétricas.

A quantidade sugerida é de uma tomada trifásica para cada quatro boxes (no mínimo um ponto) e de uma monofásica para cada dois boxes (no mínimo dois pontos), além de pelo menos um ponto monofásico e trifásico em cada seção auxiliar, além das ligações das máquinas. Deve-se dar especial atenção aos quadros de distribuição e aos dispositivos de proteção, de modo a minimizar o risco de acidentes.

A quantidade de pontos de ar comprimido e de água deve ser suficiente para permitir a execução dos serviços sem necessidade de espera. É preferível superdimensionar a quantidade de pontos, tendo em vista seu baixo custo, do que retardar um reparo por falta de recursos.

As quantidades sugeridas são de um ponto de ar comprimido para cada três boxes e de um ponto de água industrial para cada cinco boxes (no mínimo um ponto de cada), além de pelo menos um ponto de cada nas seções de apoio.

A linha de ar comprimido deverá ter purgadores e recomenda-se estudar, durante seu projeto, a eventual necessidade de ar seco ou isento de óleo (para serviços de pintura, por exemplo).

A instalação dos vestiários e sanitários, por sua vez, deverá ser dimensionada conforme a Norma Regulamentadora NR-24, contemplando um conjunto sanitário (bacia, mictório e lavatório) para cada 20 funcionários. Caso sejam instalados chuveiros no local, a proporção deverá ser de um para cada dez funcionários.