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08 de março de 2019
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Especial Infraestrutura / Chega de improvisos

Muitas obras seguem paralisadas pelo país, enquanto outras foram totalmente abandonadas

FALTA DE RECURSOS?

Para Ivan Metran Whately, diretor do Departamento de Mobilidade e Logística do Instituto de Engenharia (IE), as manifestações que sacudiram o Brasil em 2013 tiveram o mérito de colocar a questão da mobilidade no centro das discussões, mas o país ainda está muito longe de uma política focada em planejamento e integração. Na ocasião, as principais reivindicações foram a redução de tarifa e a tarifa zero. “Devido às manifestações, as tarifas foram congeladas na época, isto é, não sofreram o aumento de R$ 3,00 para R$ 3,20 que motivou o protesto originalmente. Todavia, houve aumentos sucessivos nos anos seguintes, ou seja: em 2015 passou a custar R$ 3,50, em 2017, R$ 3,80 e, em 2018, R$ 4,00”, ele relembra.

Já a outra reivindicação foi o mote dos organizadores do movimento que – pela própria falta de consistência – rapidamente perdeu força e sentido. Havia mais reivindicações, incluindo melhorias nos transportes, integração intermodal, expansão das linhas de metrô etc. “O que houve não foi uma mudança representativa no perfil do país, mas uma acomodação à situação existente e aos efeitos da crise financeira, que começaram em 2014”, ressalta Whately.

E nem sempre o que leva ao prejuízo e à ineficiência é a falta de investimento, mas também a falta de planejamento estratégico. O Rio de Janeiro por exemplo, sede dos Jogos Olímpicos de 2016, ganhou uma moderna linha de VLT na área do Porto Maravilha e várias linhas de BRTs, que em tese deveriam melhorar muito o transporte público na cidade. “Mas os problemas de segurança e a falta de conexões adequadas entre as linhas-tronco e os ônibus, que chegam ao centro vindos dos bairros, deixaram parte dos moradores à margem do transporte, alguns deles precisando realizar grandes caminhadas para chegar às estações dos BRTs”, acentua Souza. “E o que dizer dos teleféricos, que funcionam bem na Colômbia e na Bolívia, mas que estão paralisados no Rio de Janeiro, supostamente por problemas gerados pelo crime organizado?”, questiona-se.

Em Belo Horizonte, surgiram dois sistemas de BRTs: um estadual e outro municipal, que ademais não são integrados, como alerta Souza. E há mais exemplos. A cidade de Curitiba, notabilizada pelo pioneirismo de implantação dos BRTs, já sofria com o envelhecimento do sistema, mas acabou por ficar praticamente sem nenhum projeto. “O resultado foi um crescimento – talvez o maior do país – na taxa de motorização de seus moradores”, critica o ativista.