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08 de março de 2019
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Especial Infraestrutura

Chega de improvisos

Soluções apenas pontuais e falta de planejamento transtornam a vida dos habitantes das metrópoles brasileiras, fazendo da mobilidade urbana um dos principais gargalos no país
Por Mariuza Rodrigues

No já distante ano de 2013, a questão de infraestrutura e de mobilidade ganhou as páginas dos jornais e caiu na “boca do povo”. De lá para cá, a emergência em função de grandes eventos, como a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016, traçou uma linha divisória com a concretização de alguns empreendimentos, mas o avanço foi paralisado pela aguda crise político-econômica que atingiu em cheio o país. Agora, o resultado das eleições presidenciais abre uma perspectiva positiva para o tema, trazendo o debate sobre a mobilidade urbana novamente à tona. Mas, o que esperar nesse sentido?

O jornalista e consultor Marcos de Souza é um ativista da causa da mobilidade urbana e atua por meio da ONG Mobilize. Criado em 2011 por Ricky Ribeiro – autor, ao lado de Gisele Mirabai, da autobiografia “Movido pela mente” – o Mobilize Brasil tem contribuído com vários estudos sobre o tema da mobilidade urbana sustentável. Dentre eles, destacam-se os trabalhos sobre calçadas e caminhabilidade, sinalização urbana, acessibilidade em transportes públicos e outros pontos relativos ao transporte público e à mobilidade ativa.

De saída, Souza lembra que a nova legislação da Política Nacional de Mobilidade Urbana, de 2015, tem o objetivo de estimular os investimentos no setor. A seu ver – à exceção do Rio de Janeiro e de algumas linhas de BRTs (Bus Rapid Transit) em Belo Horizonte, Recife e Salvador –, o país “perdeu o bonde” da mobilidade e desperdiçou uma grande chance de modificar o perfil das grandes metrópoles. Não faltam exemplos negativos. “Monotrilhos, VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) e novas linhas de trens e metrôs ficaram apenas no projeto básico em cidades como Manaus e Brasília”, exemplifica. “Já Cuiabá iniciou os preparativos da Copa com o projeto básico de um BRT que acabou se transformando em um VLT, mas as obras foram paralisadas e as composições continuam paradas no terminal de Várzea Grande. Enfim, o resultado foi bastante frustrante para a população.”

A cidade de São Paulo, por sua vez, onde explodiram as primeiras manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus em 2013 que depois incendiariam o país, contava com os projetos mais ousados em termos de mobilidade urbana. A extensa lista incluía desde a modernização dos trens urbanos que atendem sobretudo à Região Metropolitana, passando por novas linhas de metrô e monotrilhos, além do trem até Cumbica, conectado (parcialmente) ao Aeroporto de Guarulhos, e do insólito Trem de Alta Velocidade, que ligaria a capital a Campinas e ao Rio de Janeiro. “Algumas dessas obras estão sendo entregues agora, com grande atraso”, destaca Souza. “Algumas sequer têm data para retomada, enquanto outras foram totalmente abandonadas, como é o caso do trem-bala.”