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11 de março de 2010
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Perfil / As razões que explicam a maturidade institucional da Sobratema

M&T: E como o senhor acha que a Associação poderá enfrentar esses desafios?
Mário Humberto: A Sobratema é formada por empresas poderosas nos segmentos em que atuam e caberá aos seus dirigentes canalizarem as demandas da Associação e fazerem-nas ouvidas. Será também importante que a Sobratema aglutine outras vozes, seja por meio da participação em outras associações ou trazendo estas mesmas associações para os fóruns de debates promovidos internamente.

M&T: O mercado de máquinas e equipamentos deve ter uma retomada em 2010. A Sobratema pode contribuir para o processo?
Mário Humberto: Sim. O Brasil iniciou um novo ciclo a partir de 2003, criando condições macroeconômicas para a manutenção do chamado “desenvolvimento sustentado”. Nós havíamos esquecido como é importante e bom viver sob estas condições, pois perdemos vinte anos embaralhados com planos econômicos. Naqueles anos, não se investiu na infraestrutura, na educação, na saúde e nas demandas sociais. É mais do que sabido - veja os exemplos da Índia e da China - que o principal indutor do crescimento econômico é o investimento na infraestrutura. A manutenção de superávits elevados, fundamental para a redução da relação Dívida/PIB, a inflação absolutamente sob controle, a lei de responsabilidade fiscal e um montante de reservas que o Brasil jamais teve - combinados com uma disposição do Governo de induzir o desenvolvimento por meio de programas como o PAC - asseguram que estamos no caminho certo e que podemos crescer a taxas anuais de 5% por longos anos. São taxas absolutamente necessárias para tirar um percentual ainda grande de pessoas da situação de pobreza, educação de baixa qualidade e condições sócio-econômicas de terceiro mundo. A Sobratema pode e deve atuar mais nos programas que já possui, ampliando a capacitação do profissional da indústria da construção, em todos os níveis, o que, afinal, é a essência de todos os nossos programas.

M&T: E como os setores de construção e de máquinas e equipamentos podem se posicionar em relação aos eventos já confirmados como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016?
Mário Humberto: Várias indústrias que interagem com a construção serão beneficiadas com esses investimentos, não somente a indústria de máquinas. A cadeia de suprimentos da indústria da construção inclui, por exemplo, produtos siderúrgicos, vidros, combustíveis e lubrificantes, pneus, gêneros alimentícios (um dos maiores gastos das empresas de construção são os gastos em alimentos para seus empregados), etc. Acredito que a indústria de máquinas de construção - e algumas das outras citadas - deveriam se posicionar de maneira decisiva, sobretudo para evitar a concorrência desleal. O Real apreciado, por exemplo, pode ser muito útil para combater a inflação ou para formar reservas, mas ele destrói o emprego de brasileiros no longo prazo. Por outro lado, não se deve admitir que o mesmo bem ou serviço produzido no Brasil custe mais caro do que aquilo que um cidadão de outra parte do mundo paga, sendo necessário um posicionamento vigoroso com relação ao excessivo custo tributário brasileiro.