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06 de dezembro de 2019
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A Era das Máquinas

As carregadeiras que marcaram época

Por Norwil Veloso

Lançada em 1966, a pá carregadeira Yale Trojan modelo 4.000 foi um dos primeiros equipamentos articulados da marca

A história da marca Yale Trojan começa na década de 20, com a aquisição da massa falida da Batavia Car Works, na cidade do mesmo nome, pela Ferguson-Allan Company, que produzia equipamentos ferroviários, passando a se chamar Contractor’s Machinery Company.

Após um início próspero, no final daquela década a empresa sofreu os efeitos da Grande Depressão, mantendo-se estacionária até a Segunda Guerra Mundial, quando passou a fabricar equipamentos para detecção de minas e pontos de atracação de lanchas PT para a marinha. Ao final da guerra, passou a produzir lâminas e implementos para remoção de neve, que eram acoplados a tratores de pneus International (IH). Em 1947, iniciou a produção de um implemento nivelador, que também era acoplado a esses tratores.

Em 1949, a empresa projetou e iniciou a produção de um protótipo de pá carregadeira, lançando, no ano seguinte, a LM75 (também referida como LMS75), com capacidade de 0,6 m3, utilizando o conjunto de potência dos tratores IH. Nos anos seguintes, essa linha foi ampliada com os modelos LA40, de 0,3 m3, LC100, de 0,75 m3 (ambos de 1951), LH75, de 0,6 m3 (1954) e LHM75 (1956). Todas essas máquinas, já com a marca Trojan, possuíam chassi rígido, tração dianteira e rodas traseiras menores.

ACORDO

O modelo seguinte, a LT400, foi lançado em 1956, já com redução planetária, tração nas quatro rodas e direção traseira. Essa configuração seria a base de projeto de todos os modelos de chassi rígido a serem lançados posteriormente.

Nos anos seguintes, houve vários projetos e poucos lançamentos. Os proprietários d


Lançada em 1966, a pá carregadeira Yale Trojan modelo 4.000 foi um dos primeiros equipamentos articulados da marca

A história da marca Yale Trojan começa na década de 20, com a aquisição da massa falida da Batavia Car Works, na cidade do mesmo nome, pela Ferguson-Allan Company, que produzia equipamentos ferroviários, passando a se chamar Contractor’s Machinery Company.

Após um início próspero, no final daquela década a empresa sofreu os efeitos da Grande Depressão, mantendo-se estacionária até a Segunda Guerra Mundial, quando passou a fabricar equipamentos para detecção de minas e pontos de atracação de lanchas PT para a marinha. Ao final da guerra, passou a produzir lâminas e implementos para remoção de neve, que eram acoplados a tratores de pneus International (IH). Em 1947, iniciou a produção de um implemento nivelador, que também era acoplado a esses tratores.

Em 1949, a empresa projetou e iniciou a produção de um protótipo de pá carregadeira, lançando, no ano seguinte, a LM75 (também referida como LMS75), com capacidade de 0,6 m3, utilizando o conjunto de potência dos tratores IH. Nos anos seguintes, essa linha foi ampliada com os modelos LA40, de 0,3 m3, LC100, de 0,75 m3 (ambos de 1951), LH75, de 0,6 m3 (1954) e LHM75 (1956). Todas essas máquinas, já com a marca Trojan, possuíam chassi rígido, tração dianteira e rodas traseiras menores.

Este modelo 124 permaneceu em produção até 1971, quando foi descontinuado

ACORDO

O modelo seguinte, a LT400, foi lançado em 1956, já com redução planetária, tração nas quatro rodas e direção traseira. Essa configuração seria a base de projeto de todos os modelos de chassi rígido a serem lançados posteriormente.

Nos anos seguintes, houve vários projetos e poucos lançamentos. Os proprietários desejavam expandir a linha de carregadeiras, mas tiveram dificuldades de financiamento. Por essa razão, em 1956 procuraram a Yale & Towne Manufacturing, uma importante produtora de empilhadeiras, com a qual fecharam um acordo para produção das carregadeiras, já sob a nova marca.

O início da década de 60 foi muito positivo para a Yale & Towne e sua marca Trojan. O grande número de pedidos levou à expansão da fábrica de Batavia quase anualmente e, inclusive, à construção de uma unidade no Canadá. Em 1957, o grupo já tinha duas empresas no Brasil, que cuidavam das três linhas de produtos (Fuller, Yale e produtos automotivos).

Em 1963, a Eaton Corporation adquiriu a Yale & Towne, transformando-a em subsidiária e fundindo-a com o grupo em 1966, com o nome de Eaton, Yale & Towne e, em 1971, de Eaton Corporation. As fábricas de Batavia e de St. Catherine, no Canadá, passaram a constituir a Divisão Trojan do grupo.

MÁQUINAS

As máquinas de chassi rígido utilizavam um cilindro de elevação instalado na parte inferior do braço, na extremidade traseira, que permitia operação mais segura que a maioria das máquinas da época, que utilizavam um braço com pivotamento atrás do operador, com grande risco para ele, já que o material escavado passava sobre sua cabeça.

Essa configuração acabou sendo mudada após uma grande pressão das entidades de segurança, avançando-se o ponto de pivotamento para um ponto adiante do operador. A Trojan não precisou alterar seu projeto, que já atendia a esse requisito de segurança.
A máquina utilizava também um complicado sistema de inclinação da caçamba, com cilindros de haste dupla que mantinha a caçamba nivelada durante a elevação. Como essas hastes apresentavam trincas com frequência, o sistema acabou por ser abandonado posteriormente.

A configuração de elevação da Trojan, contudo, não era viável em máquinas articuladas, já que os cilindros interfeririam com a articulação. Por essa razão, a empresa continuou com as máquinas rígidas por muito mais tempo que os concorrentes.

Foram lançados então os modelos 114, 124, 134A, 154 e 164A, com capacidades entre 0,6 e 2 m3, muito usadas pelas prefeituras devido à produtividade e ao custo-benefício e, posteriormente, os modelos 204 (2 m3), 304 ( 2,3 m3) e 404 (4,5 m3), que foi produzida de 1958 a 1968. Alguns desses modelos foram aperfeiçoados e os últimos a serem lançados, o 400, de 3,2 m3 (1965), e o 300, de 2,3 m3 (1966) foram as máquinas mais avançadas a da linha. A produção desses modelos permaneceu até 1971, quando foram descontinuados os modelos 114 e 124.

No Brasil, a produção de carregadeiras Yale Trojan iniciou-se em 1966 com a 134A, seguida pela 250A (1968).

ARTICULADOS

Finalmente, a Trojan se submeteu aos desejos dos clientes, iniciando o projeto de uma máquina articulada, lançando o modelo 8000, com peso de 52 ton e capacidade de 6,1 m3, com dois pontos de articulação. Havia, contudo, diversos modelos operando nessa faixa de capacidade, de modo que a máquina só foi produzida de 1966 a 1968, em pequena quantidade.

No período, foram lançados diversos modelos articulados: 3.000 (2,3 m3) e 4.000 (3,5 m3), em 1966; 2.000 (2 m3) e 6.000 (4,5 m3), em 1968; 1.700 (1,3 m3), em 1969; 1.500 (1,1 m3) e 1.900 (1,5 m3), em 1970; 2.500 (2,9 m3), em 1972 e, finalmente, a 7.500 (5,7 m3), em 1975. Vários desses modelos sofreram aperfeiçoamentos nos anos seguintes, recebendo letras após a designação do modelo. As máquinas 1500 e 1900B foram lançadas no Brasil em 1971, enquanto a 3000B surgiu em 1972, chegando-se a mil máquinas vendidas no país em 1973. Essa linha permaneceu em produção até a venda da empresa brasileira para a Fiat, em 1977.

Em 1982, a Divisão Trojan da Eaton foi vendida para a Faun. As máquinas projetadas pela Trojan foram então descontinuadas e substituídas por modelos da Faun. Em 1986, a empresa alemã O&K adquiriu a Faun, mantendo a produção em Batavia até 1992, quando a produção foi descontinuada, e a fábrica fechada.

Leia na próxima edição: O engate de três pontos