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14 de janeiro de 2019
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Inovação

A nova revolução industrial

Como os avanços da Indústria 4.0 estão redesenhando a realidade do setor produtivo, unindo inteligência artificial e gerenciamento de dados ao aprendizado das máquinas
Por Carmen Nery

Ainda que lentamente, o setor de máquinas e equipamentos para construção e mineração vem implementando tecnologias habilitadoras para a manufatura avançada – termo cunhado nos EUA –, ou Indústria 4.0, na definição da Alemanha. O conceito foi desenvolvido nos dois países, a partir do início desta década, como uma resposta à expansão fabril dos países asiáticos, especialmente a China.

O diretor-executivo de Indústria X.O. da Accenture na América Latina, Constantino Seixas, ressalta que manufatura avançada e indústria 4.0 referem-se à 4ª Revolução Industrial, após a 1ª (máquina a vapor, meados do século XVIII), 2ª (produção seriada a partir do fordismo, no início do século XX) e 3ª (automação e microeletrônica, nos anos 1970) revoluções industriais (confira Gráfico na pág. 70). “A 4ª Revolução Industrial é caracterizada pelo uso de sistemas ciberfísicos, unindo a robótica e sistemas de inteligência com impacto na velocidade de produção e na eficiência”, diz Seixas. “Isso permite ter um produto de acordo com a expectativa do usuário, que hoje tem expectativas geradas por outras indústrias, como a de mobilidade. Ao adquirir um veículo, por exemplo, esse consumidor vai querer a mesma experiência que tem no Waze.”

Para Frank Meylan, responsável pela área de tecnologia digital da KPMG, a manufatura avançada está sendo viabilizada pelo aumento da capacidade e barateamento de computadores e sistemas de armazenamento, além do alto volume de informações que se tornou disponível com o acesso à computação na nuvem. Nesse sentido, a KPMG fez uma pesquisa com líderes industriais em que cerca de 90% apontaram que os próximos três anos serão mais desafiadores e emblemáticos para a continuação das empresas do que os últimos 50 anos. “À medida que os provedores de tecnologia oferecem soluções avançadas acessíveis de inteligência artificial, inteligência cognitiva e algoritmos de modelos preditivos, facilitam a disseminação de projetos como os de manutenção preditiva dos ativos de alto valor, cujo custo de ficar parado é enorme”, diz Meylan.

Internet das Coisas (IoT), Big Data, impressão 3D, aprendizado de máquina, inteligência artificial, realidade virtual e aumentada são algumas das tecnologias habilitadoras. Assim, os produtos passam a poder ser customizados em massa e têm alto nível de automação para gestão e manutenção preditiva. Com isso, abre-se a possibilidade para veículos e equipamentos autônomos.