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30 de agosto de 2012
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Minibetoneiras Autopropelidas

A máquina que entra onde as outras param

Utilizadas há décadas no exterior, minibetoneiras autopropelidas destacam-se por produzir concreto no próprio local de aplicação e ganham espaço em obras pelo Brasil
Por Marcelo Januário (Editor)

Nos últimos anos, um equipamento que já é utilizado na Europa há pelo menos cinco décadas vem ganhando um espaço cada vez maior nos canteiros do Brasil, com aplicações principalmente em conjuntos habitacionais, obras de arte rodoferroviárias e outras construções lineares.

Surgidas na Itália, as minibetoneiras autopropelidas (também conhecidas como autobetoneiras ou autoconcreteiras) encontram no país um campo fértil para uma utilização crescente, provendo segundo fabricantes e usuários ouvidos pela revista M&T vantagens como maior versatilidade no deslocamento, economia no volume de material, redução da mão de obra e, principalmente, produção rápida e contínua de concreto no próprio local de aplicação.

Uma das marcas pioneiras desse novo mercado é a italiana Fiori. Distribuída no Brasil pela Copex, há quatro anos, a empresa forneceu as duas primeiras máquinas DB 460 CBV com capacidade de 4 m³ para a Construtora Odebrecht, que as utilizou para drenagem e construção de bueiros nas obras da Ferrovia Norte-Sul.

O que motivou a opção, segundo explica José Érico Eloi Dantas, diretor de engenharia e equipamentos da Odebrecht (Área Norte), foi a constatação de que a aplicação exigia um concreto muito espalhado, com baixa densidade e cuja produção sairia muito cara para ser feita com uma central única, além da necessidade também onerosa do uso de aditivos para se transportar o concreto. “Em qualquer obra muito espalhada, quando se tem vários pontos de concreto para fazer a drenagem, o uso de caminhão betoneira é um custo absurdo e um desperdício”, diz ele. “Outra vantagem é a logística, pois ela chega ao local da obra e no primeiro dia você já tem concreto, sendo imbatível para o início e o final de obra.”

A partir dessa primeira experiência, a construtora passou a utilizar o equipamento em outras obras, como as da Mina do Salobo e da Transnordestina. Em pouco tempo, a frota chegou a 62 máquinas. Segundo Dantas, a minibetoneira veio fechar uma lacuna na construção, principalmente no uso de fôrmas deslizantes. “Por sua mobilidade fora de estrada e tração 4x4, é uma máquina indicada para aplicações em ferrovias, rodovias, gasodutos e adutoras, destacando-se também em obras de infraestrutura como conjuntos habitacionais e saneamento.”

Saindo na frente, as máquinas autocarregáveis da Fiori apostam


Nos últimos anos, um equipamento que já é utilizado na Europa há pelo menos cinco décadas vem ganhando um espaço cada vez maior nos canteiros do Brasil, com aplicações principalmente em conjuntos habitacionais, obras de arte rodoferroviárias e outras construções lineares.

Surgidas na Itália, as minibetoneiras autopropelidas (também conhecidas como autobetoneiras ou autoconcreteiras) encontram no país um campo fértil para uma utilização crescente, provendo segundo fabricantes e usuários ouvidos pela revista M&T vantagens como maior versatilidade no deslocamento, economia no volume de material, redução da mão de obra e, principalmente, produção rápida e contínua de concreto no próprio local de aplicação.

Uma das marcas pioneiras desse novo mercado é a italiana Fiori. Distribuída no Brasil pela Copex, há quatro anos, a empresa forneceu as duas primeiras máquinas DB 460 CBV com capacidade de 4 m³ para a Construtora Odebrecht, que as utilizou para drenagem e construção de bueiros nas obras da Ferrovia Norte-Sul.

O que motivou a opção, segundo explica José Érico Eloi Dantas, diretor de engenharia e equipamentos da Odebrecht (Área Norte), foi a constatação de que a aplicação exigia um concreto muito espalhado, com baixa densidade e cuja produção sairia muito cara para ser feita com uma central única, além da necessidade também onerosa do uso de aditivos para se transportar o concreto. “Em qualquer obra muito espalhada, quando se tem vários pontos de concreto para fazer a drenagem, o uso de caminhão betoneira é um custo absurdo e um desperdício”, diz ele. “Outra vantagem é a logística, pois ela chega ao local da obra e no primeiro dia você já tem concreto, sendo imbatível para o início e o final de obra.”

A partir dessa primeira experiência, a construtora passou a utilizar o equipamento em outras obras, como as da Mina do Salobo e da Transnordestina. Em pouco tempo, a frota chegou a 62 máquinas. Segundo Dantas, a minibetoneira veio fechar uma lacuna na construção, principalmente no uso de fôrmas deslizantes. “Por sua mobilidade fora de estrada e tração 4x4, é uma máquina indicada para aplicações em ferrovias, rodovias, gasodutos e adutoras, destacando-se também em obras de infraestrutura como conjuntos habitacionais e saneamento.”

Saindo na frente, as máquinas autocarregáveis da Fiori apostam na tecnologia embarcada. Todo-terreno, possuem transmissão hidrostática e são equipadas com computador de bordo que permite registrar diferentes traços com componentes memorizáveis, garantindo um alto grau de precisão nas dosagens, de homogeneidade dos materiais e de resistência do concreto.

Umidade da areia, alimentação dos materiais, seleção de aditivo e adição de água são controlados por um sistema digital acionado via joystick, sendo que uma portinhola permite descarregar os materiais em excesso antes do carregamento do balão. Segundo a Copex, este sistema de controle resulta em maior produtividade, reduzindo ainda o desperdício de cimento em cerca de 10%.

“Se comparar com uma usina móvel, ela é bem mais eficiente, pois pode fazer até quatro ciclos reais por hora, produzindo 2.500 m³ por mês, o que uma central não faz, pois vai precisar de concreteira, betoneira, dumper, energia elétrica, mão de obra excedente, sem falar de licença ambiental, toda uma estrutura que este equipamento dispensa”, afirma Fabio Ietto de Mello, diretor de desenvolvimento de produto e marketing da Copex. “Além disso, é possível aumentar o fck e reduzir o fator água/cimento, sempre mantendo a resistência exigida pelo projeto.”

Além da máquina de 4 m³, a distribuidora oferece um modelo menor, o DB 260 CBV, de 2,5 m³. Produzida em Modena, a compacta máquina (2.260 mm x 5.910 mm x 3.785 m com braço de carregamento estendido) memoriza até 20 receitas com 32 diferentes componentes e inclui sistema de aditivos equipado com dois tanques que totalizam 19 l, tambor de duplo tronco de cone com hélices de mistura de dupla espiral, pá com braços de carregamento de 510 l de capacidade volumétrica e cabine fechada ROPS FOPS, com torre de condução giratória em 180o. “Quando há excesso no carregamento de material, a máquina para o movimento, aciona um alarme sonoro e dá o aviso na tela, registrando tudo em relatórios”, explica Ietto.

Até o momento, um dos maiores feitos do modelo ocorreu na construção da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre (RS), primeira obra do país que utilizou concreto branco aparente e armado com 50 MPa em toda sua extensão. “Era um espaço muito reduzido, com um concreto de alta responsabilidade e, para complicar, branco”, frisa Ietto. “Só foi possível produzi-lo na velocidade e qualidade necessárias com o uso das minibetoneiras Fiori DB 260, que fizeram tudo lentamente e com um controle tecnológico muito grande.”

Após o sucesso da Fiori, outra marca italiana que aportou recentemente no país foi a Silla. Com sede na cidade de Poggibonsi e representada no Brasil pela Gamma Cobra, a marca já disponibiliza os modelos DB 2000 (de 2 m³), DB 2500 (de 2,5 m³) e, em breve, trará o DB 3000 (de 3 m³). Apesar das opções, o foco da marca no Brasil está no modelo de menor porte, uma máquina mecânica e operacionalmente mais simples que é considerada ideal para desbravar o mercado nacional. É o que, na indústria de equipamentos, chama-se de “modelo de entrada”, utilizado para se criar um novo mercado.

“Na Europa, não se considera necessária essa espécie de contínua corrida armamentista. Nesse sentido, nossa estratégia é oferecer uma máquina que não dê problemas por um excesso de eletrônica e possa ser mantida até pelo próprio usuário”, sublinha Carlos Mazzeo, diretor técnico da Gamma Cobra.

Tal qual um trator agrícola, a cabine da máquina é aberta e sua transmissão é mecânica. Segundo a Gamma Cobra, isso torna a manutenção mais fácil, sendo mais indicada para países sem tanto acesso a recursos, como o nosso e os países africanos. “Trata-se de um modelo muito atrativo, pois é uma faixa em que não se quer investir muito”, diz Mazzeo. “Como a operacionalidade no Brasil não é muito cuidadosa, esse modelo tem a garantia de funcionar sem ter de colocar um engenheiro em cima da máquina. À parte o custo, que é menor, evidentemente.”

O diretor explica que a grande vantagem comparativa do equipamento é sua versatilidade, uma vez que, com o uso de betoneiras, o concreto pode chegar atrasado, correndo o risco de a massa ficar seca ou descurada demais. “Em uma construção a 100 km de qualquer cidade, por exemplo, a necessidade de concreto no local é iminente”, afirma. “Então, essa versatilidade é essencial, pois se chega ao local com a massa no ponto certo e na quantidade exata que se vai usar.”

Com controle volumétrico, o modelo DB 2000 possui caçamba de 170 l, reservatório de água de 230 l e tanque de combustível de 30 l. Como é de praxe neste tipo de equipamento, as dimensões são compactas, com 2.050 mm x 4.500 mm x 1.900 mm. Outro aspecto vantajoso é que muitos dos componentes, como cruzeta, cardan, cubo de roda e rolamento, são de marcas globais. A máquina, por exemplo, utiliza peças de transmissão Spicer e rolamentos SKF ou INA.

“Em princípio, o que precisamos é criar um mercado, pois não estamos trazendo uma motoniveladora ou um guindaste, que todo mundo sabe o que faz”, pontua o diretor da Gamma Cobra. “Isso não quer dizer que não traremos equipamentos maiores e mais sofisticados, mas nesta máquina de entrada o que queremos é que funcione e não que fale sozinha.”

A mesma linha de simplicidade combinada com versatilidade também é a aposta de outra fabricante italiana, a Dieci. Representada no Brasil pela Machbert, a marca disponibiliza os modelos AB 2400 (com capacidade de 1,7 m³), AB 3500 (2,5 m³), AB 4700 (3,5 m³) e AB 7000 (5 m³), todos produzidos no complexo industrial de Montecchio Emilia.

Após um ano e meio, a Machbert já forneceu 26 equipamentos ao mercado brasileiro, a maior parte para obras no Nordeste, além de atuarem em intervenções urbanas no Rio de Janeiro, como calçamento, meio-fio e ciclovias. “Esta máquina tem um nicho de mercado específico, que é o de alto consumo, mas com pequenos volumes”, explica Rui Máximo da Fonseca, diretor comercial da Machbert.

Por isso, o equipamento faz poucas intersecções com os métodos tradicionais e não concorre com a central de concreto ou com a betoneira convencional, como explica Fonseca. “A central é montada onde há grande demanda de concreto, então está em outra esfera de aplicação”, diz. “Por outro lado, se você fizer uma fundação em um terreno com muita lama, uma betoneira não chega até lá. Já com a minibetoneira, você descarrega nela e, como é traçada, ela chega até o ponto da obra.”

Apesar de ser relativamente nova no país, relata Fonseca, a máquina já conta com quase meio século de utilização no exterior e não tem muito mais o que evoluir em termos estruturais. “Trata-se de um equipamento de base da obra, que trabalha com um serviço pesado e bruto, por isso é simples e muito fácil de fazer a manutenção”, diz ele.

Com exceção da balança digital de série para controle do traço do concreto e um equipamento eletrônico (opcional) para pesagem de agregados, a máquina da Dieci não tem nenhum outro componente eletrônico. A balança mede quanto entra de cimento, areia e brita, fornecendo relatórios por batida, sejam diários, semanais ou como o cliente preferir configurar. Quando se atinge o volume pré-determinado, ela emite um alarme sonoro e imediatamente cessa o abastecimento.

Com dimensões (com a pá estendida) de 4.480 mm x 3.250 mm x 2.000 mm, o modelo Dieci 4700 é equipado com motor Iveco NEF de 101 hp, transmissão hidrostática e engrenagem de inversão eletro-hidráulica, que pode ser acionada com o veículo em movimento. A capacidade da pá de carregamento é de 600 l, enquanto o sistema hidráulico do modelo inclui uma bomba de entrega de circuito fechado variável, com regulador da velocidade de rotação do tambor. Outra característica do modelo é sua configuração com três lados e elevação do tambor de mistura, para facilitar a descarga do material, além do assento de controle reversível.

Ao lado de uma máquina de 2,5 m³, uma unidade da Dieci 4700 já vem sendo utilizada há nove meses pela empresa EngenhArq na construção do Residencial Novo Jardim, em Maceió (AL), atuando em serviços como montagem de lajes e aplicações de argamassa de alvenaria e reboco. Segundo o engenheiro responsável pela obra, Davi de Araújo Pelef, os comandos do equipamento se assemelham muito aos de uma retroescavadeira, oferecendo vantagens como a facilidade de deslocamento e de entrega da massa nos locais onde as atividades são exercidas, além de uma grande homogeneidade do produto, seja concreto ou argamassa.

Em relação à manutenção, o engenheiro explica que a lavagem do equipamento é realizada ao final das operações diárias e de forma igualmente simples, pois a massa não resseca e há menos impacto dos materiais de desgaste do que ocorre nas betoneiras. “A máquina inclui uma bomba que funciona como um lava-jato acoplado, servindo para fazer a limpeza do tambor, tirar lama etc., só utilizando água”, descreve.

Com a popularização crescente do equipamento, as previsões são de triplicar ou até mesmo quadruplicar sua demanda no médio prazo. Afinal, mercados como o Peru, como cita Fonseca, da Machbert, consomem cerca de 100 máquinas deste tipo por ano, volume que o Brasil deve atingir em breve.

 

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