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11 de maio de 2015
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Miniequipamentos

À espera do boom

Aguardando a chance de decolar, principais players da indústria se esforçam para que o segmento obtenha o merecido protagonismo no mercado nacional de equipamentos
Por Joás Ferreira

Em um cenário marcado por instabilidades políticas e econômicas, o que esperar para o mercado de miniequipamentos em 2015? A dúvida, afinal, justifica-se pelos números. Em 2014, segundo o Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção, o mercado de miniescavadeiras avançou 6%, enquanto as minicarregadeiras retraíram em rotundos 15,4%. Para a primeira categoria, o Estudo aponta uma tendência de leve recuo neste ano, mas com a demanda mantendo-se positiva (+5,2%), enquanto as skid steers podem se recuperar bastante, alcançando 4,5% de crescimento.

Para aferir tais expectativas, a revista M&T foi a campo ouvir alguns dos principais players com atuação neste segmento, que há anos se prepara para deslanchar no mercado nacional. Atributos não faltam às máquinas, destacando-se versatilidade, economia e praticidade na adaptação de implementos.

Então, o que falta para decolar?

POTENCIAL

Primeiro, os trunfos. Para Chrystian Garcia, gerente de desenvolvimento de mercados da Sotreq, o mercado de miniequipamentos tem uma excelente oportunidade nos segmentos de locação e de construção leve, especialmente devido às necessidades de aumento de eficiência operacional e redução de custos.

Segundo ele, o mercado mundial já está mais “maduro e intenso” para essas máquinas, justamente por conta do alto custo de mão de obra e da crescente mecanização das obras. “Na Europa e nos EUA existe uma máquina compacta para cada três operários”, destaca. “No Brasil, essa proporção é de uma para 150 trabalhadores.”

Tanto que, em mercados como o norte-americano e o europeu, as minis representam fatia significativa do consumo de equipamentos de construção, marcando presença em todos os segmentos do mercado. “Lá, o mercado dos minis é muito maior do que em países em desenvolvimento, onde ainda há demanda por grandes obras de infraestrutura”, corrobora o gerente da Case CE, Carlos França.

Expandindo o raciocínio, Garcia aponta que o grande potencial para desenvolvimento do mercado nacional deve-se também à versatilidade frente aos equipamentos de maior porte. Nesse sentido, os atrativos incluem a substituição de attachments por meio de engates rápidos, com agilidade e total segurança. “As minicarregadeiras e miniescavadeiras são consideradas canivetes suíços, devido à possibilidade de troca da caçamba por


Em um cenário marcado por instabilidades políticas e econômicas, o que esperar para o mercado de miniequipamentos em 2015? A dúvida, afinal, justifica-se pelos números. Em 2014, segundo o Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção, o mercado de miniescavadeiras avançou 6%, enquanto as minicarregadeiras retraíram em rotundos 15,4%. Para a primeira categoria, o Estudo aponta uma tendência de leve recuo neste ano, mas com a demanda mantendo-se positiva (+5,2%), enquanto as skid steers podem se recuperar bastante, alcançando 4,5% de crescimento.

Para aferir tais expectativas, a revista M&T foi a campo ouvir alguns dos principais players com atuação neste segmento, que há anos se prepara para deslanchar no mercado nacional. Atributos não faltam às máquinas, destacando-se versatilidade, economia e praticidade na adaptação de implementos.

Então, o que falta para decolar?

POTENCIAL

Primeiro, os trunfos. Para Chrystian Garcia, gerente de desenvolvimento de mercados da Sotreq, o mercado de miniequipamentos tem uma excelente oportunidade nos segmentos de locação e de construção leve, especialmente devido às necessidades de aumento de eficiência operacional e redução de custos.

Segundo ele, o mercado mundial já está mais “maduro e intenso” para essas máquinas, justamente por conta do alto custo de mão de obra e da crescente mecanização das obras. “Na Europa e nos EUA existe uma máquina compacta para cada três operários”, destaca. “No Brasil, essa proporção é de uma para 150 trabalhadores.”

Tanto que, em mercados como o norte-americano e o europeu, as minis representam fatia significativa do consumo de equipamentos de construção, marcando presença em todos os segmentos do mercado. “Lá, o mercado dos minis é muito maior do que em países em desenvolvimento, onde ainda há demanda por grandes obras de infraestrutura”, corrobora o gerente da Case CE, Carlos França.

Expandindo o raciocínio, Garcia aponta que o grande potencial para desenvolvimento do mercado nacional deve-se também à versatilidade frente aos equipamentos de maior porte. Nesse sentido, os atrativos incluem a substituição de attachments por meio de engates rápidos, com agilidade e total segurança. “As minicarregadeiras e miniescavadeiras são consideradas canivetes suíços, devido à possibilidade de troca da caçamba por outras ferramentas mais complexas, com baixo custo operacional”, diz.

E tais características realmente tem estimulado o mercado. De acordo com Marcos Rocha, gerente de marketing de produto da New Holland Construction, a partir de 2010 o mercado de miniescavadeiras de fato deu um salto importante, obtendo 113% de crescimento desde então. “Em 2014, o segmento ultrapassou 1.200 máquinas até 12 t de capacidade”, contextualiza.

Em linha com as projeções do Estudo Sobratema, Rocha concorda que haverá aumento nas vendas neste ano, principalmente para equipamentos entre 2,8 t e 3,5 t. Com isso, o patamar de vendas deve atingir níveis de anos anteriores, com mais de 3 mil máquinas/ano. “Para minicarregadeiras, o crescimento é esperado no range de 680 kg e 816 kg”, projeta. “Até 2017, esperamos atingir o patamar de 6.500 unidades.”

No entanto, em função das diferenças geográficas do país, há graus distintos de maturidade no mercado. “Os equipamentos são usados em variadas aplicações”, pontua Garcia. “Um modelo aplicado em construção civil urbana no Sudeste pode ter uso agrícola nas regiões Centro-Oeste, Nordeste ou Norte, apenas alterando a ferramenta de trabalho”.

França também já vê uma importante diversificação do mercado de máquinas no Brasil. “Aumentou a procura por equipamentos menores para aplicações específicas, em locais com restrição de espaço”, avalia, acrescentando que isso também implica em uma representatividade cada vez maior no mercado. “Além disso, à medida que a segurança do trabalho é ampliada, restringindo o uso de recursos humanos em atividades de risco, a utilização de compactos tende a ganhar espaço nas obras, na agricultura, pecuária e paisagismo, entre outros segmentos.”

LOCAÇÃO

Com esta disseminação por vários mercados, além de um vantajoso custo-benefício e versatilidade operacional, não deve demorar muito para que as minis se consolidem no país. De fato, segundo Garcia, da Sotreq, as principais vantagens dessas máquinas incluem o baixo custo operacional e o investimento relativamente baixo em ferramentas, principalmente quando comparado à aquisição de um equipamento com função específica e sazonal.

Até por isso, o especialista cita o rental – ao lado das empresas de construção leve – como um dos mercados mais promissores para os miniequipamentos (leia mais no Box da pág. 32). “Tendo em vista suas características de aplicação, o mercado de locação é uma excelente oportunidade para quem aluga e quem contrata”, explica.

O argumento é referendado por Rocha, da New Holland Construction, para quem o mercado de rental é muito interessante para este tipo de equipamento justamente pelas necessidades temporais em cada fase de execução de uma obra. “Quando o cliente põe na balança o custo de aluguel frente ao custo de outras formas de execução do serviço, como a necessidade maior de mão de obra, ele sempre opta pelas minis”, afirma. “Tanto que a locação hoje é o mercado mais forte para as minis.”

Nesse mercado, inclusive, as empresas estão preocupadas com a aquisição e diversificação do parque de equipamentos, de modo a atender às crescentes necessidades operacionais. “É comum que as empresas de locação adquiram equipamentos ou ferramentas de trabalho para aumentar o portfólio de serviços prestados”, diz Garcia. “Nesse sentido, buscamos oferecer equipamentos com itens exclusivos na indústria, que atendam a esses anseios.”

O gerente da Sotreq refere-se a soluções como acumuladores de nitrogênio no sistema hidráulico, para garantir o acionamento do mecanismo mesmo que haja algum tipo de pane. “Também estão neste rol os assentos e joysticks integrados com ajustes ergonômicos, cabines seladas, pressurizadas e com ar condicionado e ferramentas integradas aos sistemas eletrônicos para otimizar o desempenho”, afirma o executivo.

Com tantos recursos, as expectativas de crescimento das vendas desses produtos são positivas, justificando até novos aportes no nicho. “Também estamos investindo forte em estoque de máquinas e peças, treinamento de pessoal, ferramentas e oferta de serviços”, revela Garcia, destacando que a rede conta com três Centros de Distribuição, localizados em Contagem (MG), Sumaré (SP) e Belém (PA), além de um armazém de peças em Piracicaba (SP), totalizando mais de 120 mil itens para pronta-entrega.

DIVERSIDADE

E não é mesmo por falta de opções que este mercado demora a amadurecer no país. A linha de minicarregadeiras Skid Case, por exemplo, é composta por sete modelos, sendo cinco de levantamento radial (SR130, SR150, SR175, SR200 e SR250) e dois de levantamento vertical (SV185 e SV300), com carga operacional que vai de 590 kg a 1.360 kg e potência bruta de 46 hp a 90 hp.

As miniescavadeiras CX27B, CX36B e CX50B possuem motor de potência líquida de 21,3 hp a 39,8 hp e força de escavação da caçamba de 2.881 kgf a 5.048 kgf. Segundo França, os modelos combinam potência de motor, pressão e fluxos hidráulicos para fornecer maior força e velocidade, resultando em ciclos menores de trabalho. “Fabricadas no Japão, as miniescavadeiras também possuem raio de giro zero, girando dentro da área de suas próprias esteiras”, diz o especialista. Outro diferencial é o design da lança de pivotamento central, que permite a escavação ou operação de acessórios, diretamente em paralelo a fundações, cercas, árvores ou outros obstáculos.”

Já a pá carregadeira compacta 321E é indicada para trabalhos em porões de navio, construção residencial, depósitos de construção, manuseio de material e atividades agrícolas. “Esta máquina alia os benefícios da alta potência de uma máquina grande ao tamanho de um modelo compacto”, diz França. “Além disso, a articulação Versa-Boom melhora a elevação, possibilitando maior altura e alcance de descarga.”

Um dos pontos altos dos miniequipamentos da Case CE é a facilidade de manutenção, garante França. “O sistema iNDr (integrated Noise & Dust reduction) das miniescavadeiras elimina a necessidade de limpeza dos radiadores e proporciona um nível de ruído externo muito mais baixo”, aponta.

No portfólio de miniescavadeiras a Sotreq é possível encontrar produtos de 2 t a 7 t. Quanto às minicarregadeiras, a distribuidora da Caterpillar fornece equipamentos com capacidade operacional nominal na faixa de 600 kg a 1.338 kg. São várias opções, incluindo os modelos 302.7D CR, 303.5E2 CR, 305E2 CR e 307E. No conjunto, as máquinas oferecem raio de giro compacto, sistema hidráulico auxiliar para ferramentas e para detecção de carga, esteira de borracha ou aço e lâmina com função flutuação, além de cabine fechada com ar condicionado e painel de controle Compass com indicadores de manutenção e diagnósticos. “Ainda que o nome remeta à carregadeira ou escavadeira, as aplicações desses equipamentos vão muito além, pois os sistemas hidráulicos auxiliares permitem a instalação de ferramentas para aplicação na maioria das indústrias e mercados”, pondera Garcia.

PROFISSIONALIZAÇÃO

A New Holland Construction, por sua vez, oferece três modelos de miniescavadeiras de 2,7 t a 5,5 t, além de sete diferentes minicarregadeiras, de 589 kg a 1.360 kg. Segundo Rocha, “as miniescavadeiras são extremamente versáteis para operação na construção civil, podendo atuar em espaços reduzidos sem danificar o piso, graças às esteiras de borracha, realizando operações mais precisas que uma retroescavadeira”.

O gerente destaca ainda a possibilidade de as máquinas da marca atuarem com outros implementos além da caçamba, como perfuratrizes, marteletes hidráulicos e assentador de bloco, uma vez que a pré-disposição para terceira função está presente em todos os modelos.

Pequenas e ágeis, as máquinas oferecem vantagens como alto desempenho, respostas rápidas para obter menores tempos de ciclos e maiores velocidades de deslocamento. “As minicarregadeiras combinam estabilidade com grande alcance do cinematismo Super Boom de elevação”, diz Rocha. “Sua estrutura compacta também permite ampla manobrabilidade em espaços pequenos.”

Na demanda, os setores de construção civil e habitacional e manutenção urbana ocupam papel de destaque, mas as aplicações agrícolas também vêm ganhando espaço em detrimento a outros equipamentos mais tradicionais. “Também registramos números crescentes de aquisição por pequenos escritórios de engenharia e avicultores, por exemplo”, enfatiza o gerente.

Mesmo assim, Rocha avalia que o ano de 2015 se manterá desafiador até seu final. Até por isso, o especialista espera uma estabilidade dos números em relação a 2014. “O segmento de construção é muito ligado às obras de infraestrutura e, no Brasil, ainda há muito por fazer”, avalia, mantendo a confiança de uma retomada rápida. “Mas, diante do potencial e das oportunidades, acreditamos que o setor inevitavelmente irá crescer nos próximos anos, já a partir de 2016.”

Para ele, o mercado está mais maduro, pois o cliente não olha mais somente o preço na hora da aquisição, buscando realizar bons negócios em todos os sentidos. “Esses clientes profissionais estão pensando em tudo o que envolve a vida útil do equipamento, além da qualidade do produto e da tradição da marca no mercado”, ressalta.

Para minicarregadeiras, o market share atual da New Holland Construction ultrapassa 25%, enquanto em relação às miniescavadeiras a participação é, em média, de 5%, diz Rocha.

MERCADO DEVE ACOMPANHAR CONSTRUÇÃO PESADA

Apesar de suas qualidades indiscutíveis, as minis também enfrentam alguns revezes. O diretor da Escad, Eurimilson Daniel, sublinha que as empresas especializadas na Linha Amarela ainda têm pouca atração por linhas menores, pois o custo de um mecânico de máquinas que geram R$ 4 mil/mês é o mesmo em relação às máquinas que geram R$ 14 mil/mês, por exemplo. “Apesar disso, os locadores respondem por um índice próximo de 30% na aquisição de minis”, afirma.

O histórico de referência, segundo ele, são a venda e a aplicação. Nos dois casos, a linha de minis teve um crescimento importante quanto à aprovação do mercado, seja pela produtividade como pelo baixo valor de investimento. Tanto que já há uma frota significativa operando com bom nível de produtividade.

Neste sentido, a Escad – locadora com sede em São Paulo (SP) e que atua com rolos, miniescavadeiras e minicarregadeiras – avalia que as minis realmente têm excelente custo/benefício, substituindo a mão de obra em escavações, carregamento e movimentação de material. “O mercado de locação teve um crescimento importante da frota disponível e os preços são baixos, favorecendo muito os clientes”, acresce o diretor.

Entretanto, Daniel acredita que neste ano o mercado vai acompanhar a demanda da construção, sem crescimento expressivo acima disso. Ou seja, ainda não será desta vez que as minis ocuparão o lugar que merecem. “No Brasil, o locador ainda é uma forte porta de entrada, mas o mercado precisa melhorar”, frisa. “E estamos longe de ver pessoas usando miniequipamentos em suas chácaras, por exemplo.”

 

 

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