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06 de agosto de 2018
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Editorial

A digitalização do setor da construção

“As tecnologias digitais podem aumentar a produtividade e reduzir os atrasos, mas também aperfeiçoar a qualidade das construções e estimular a segurança, as condições de trabalho e a proteção ambiental.”

Enquanto o Brasil luta para voltar a crescer, um olhar sobre o mercado europeu de equipamentos pode ser inspirador ao permitir aferir o atual estágio desta indústria em um dos seus polos mais avançados. Sede de muitos dos principais fabricantes do setor, o velho continente – por meio do CECE (Comitê Europeu para Equipamentos de Construção, da sigla em inglês) – lançou recentemente um “manifesto pela digitalização da indústria europeia da construção”, que ilustra o potencial e desafios para os players.

O documento traz números reveladores, mostrando, por exemplo, que essa indústria participa com 29,3% das vagas no setor industrial e 6,4% do total de vagas no continente, contando 14 milhões de empregos diretos distribuídos por 3,1 milhões de companhias. Atualmente, o setor gera um volume de 1,3 trilhão de euros em negócios, o que representa nada menos que 8,9% do PIB europeu, sendo que 95% de empresas são de pequeno a médio porte, com menos de 20 empregados. Ou seja, a pulverização é considerável, assim como a importância econômica para o bloco.

Por meio do manifesto, os agentes europeus clamam por uma liderança política mais fortalecida, amparada por um ambiente regulatório apropriado e foco orçamentário nas áreas de digitalização, pesquisa & desenvolvimento e estrutura de tecnologia da informação (TI). Essa transformação, diz o documento, não pode ser obtida de forma isolada, mas requer o posicionamento do setor como pivô de uma interface entre diferentes agentes econômicos, desde a fabricação de produtos e maquinário, até o fornecimento de serviços, infraestrutura e moradias.

Nesse sentido, as tecnologias digitais podem aumentar a produtividade e reduzir os atrasos, mas também aperfeiçoar a qualidade das construções e estimular a segurança, as condições de trabalho e a proteção ambiental. Segundo o CECE, isso se dará pela adoção de novos recursos de base digital, desenvolvidos em conjunto com a indústria de TI, tendo à frente ferramentas como Big Data, BIM, armazenagem em nuvem, pré-fabricados, robotização, impressão em 3D, inteligência artificial, sistemas de reconhecimento de voz e novos modelos de negócios, assim como construções e cidades inteligentes, que mudarão para sempre a forma como o setor atua.

Para lidar com o ritmo disruptivo dessa transformação, o CECE propõe o desenvolvimento de redes interoperacionais para uma transferência mais rápida de conhecimento, superando desafios relativos a gestão de dados, propriedade intelectual, cibersegurança, monopólios e outros, ao passo que favoreçam o surgimento de novas tecnologias acessíveis a todos. Tudo isso para os próximos anos. Enquanto isso, no Brasil, esperamos chegar a tempo de embarcar nessa revolução. Boa leitura.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral