FECHAR
FECHAR
12 de novembro de 2020
Voltar
Guindautos

Com o toque de um botão

Ainda que opcionais, dispositivos especiais garantem a segurança das operações com guindastes veiculares articulados, que não abrem mão da qualificação dos profissionais
Por Antonio Santomauro

Comuns nas vias urbanas, eles têm várias denominações: guindastes veiculares articulados, guindautos ou mesmo caminhões munck, nesse caso derivado da associação com a marca pioneira nesse tipo de equipamento. Contudo, o conceito é o mesmo, pois na estrutura estendem-se braços mecânicos montados sobre chassis de caminhões, aptos a operar em locais onde mobilidade é mais restrita, tanto em canteiros, parques industriais ou vias públicas, como na movimentação de máquinas, peças pesadas, estruturas metálicas e de concreto, postes da rede elétrica etc.

E como qualquer equipamento de movimentação de cargas, a operação com guindautos está sujeita a acidentes, que podem pôr em risco as pessoas, a carga e o próprio equipamento. Para evitar, é imprescindível contar com profissionais qualificados em sua operação [v. Box]. As fabricantes também fazem sua parte ao desenvolverem recursos que minimizam os riscos, como dispositivos de travamento da operação, acionados quando o limite do momento de carga é ultrapassado, além de soluções que avaliam em tempo real a estabilização do equipamento e informam se a posição dos componentes está correta. Por enquanto, todavia, esses recursos ainda são majoritariamente opcionais.

REQUISITOS

No Brasil, a NBR-14.768 estabelece requisitos mínimos para o projeto e fabricação de guindastes veiculares articulados, recomendando que, assim como outros equipamentos de movimentação de carga, contem com válvulas de segurança para proteger o sistema hidráulico contra sobrepressão, sobrecarga e ruptura de mangueiras, entre outros fatores.

Somente esses requisitos básicos, no entanto, não eliminam os riscos de acidentes, como observa o engenheiro Hélio Domingos Carvalho, consultor em Ferramentas e Equipamentos de Trabalho para o Setor Elétrico. “Independentemente de seu tamanho ou capacidade, os guindastes articulados já deveriam sair de fábrica com os sistemas de controle e limitação


Comuns nas vias urbanas, eles têm várias denominações: guindastes veiculares articulados, guindautos ou mesmo caminhões munck, nesse caso derivado da associação com a marca pioneira nesse tipo de equipamento. Contudo, o conceito é o mesmo, pois na estrutura estendem-se braços mecânicos montados sobre chassis de caminhões, aptos a operar em locais onde mobilidade é mais restrita, tanto em canteiros, parques industriais ou vias públicas, como na movimentação de máquinas, peças pesadas, estruturas metálicas e de concreto, postes da rede elétrica etc.

E como qualquer equipamento de movimentação de cargas, a operação com guindautos está sujeita a acidentes, que podem pôr em risco as pessoas, a carga e o próprio equipamento. Para evitar, é imprescindível contar com profissionais qualificados em sua operação [v. Box]. As fabricantes também fazem sua parte ao desenvolverem recursos que minimizam os riscos, como dispositivos de travamento da operação, acionados quando o limite do momento de carga é ultrapassado, além de soluções que avaliam em tempo real a estabilização do equipamento e informam se a posição dos componentes está correta. Por enquanto, todavia, esses recursos ainda são majoritariamente opcionais.

REQUISITOS

No Brasil, a NBR-14.768 estabelece requisitos mínimos para o projeto e fabricação de guindastes veiculares articulados, recomendando que, assim como outros equipamentos de movimentação de carga, contem com válvulas de segurança para proteger o sistema hidráulico contra sobrepressão, sobrecarga e ruptura de mangueiras, entre outros fatores.

Somente esses requisitos básicos, no entanto, não eliminam os riscos de acidentes, como observa o engenheiro Hélio Domingos Carvalho, consultor em Ferramentas e Equipamentos de Trabalho para o Setor Elétrico. “Independentemente de seu tamanho ou capacidade, os guindastes articulados já deveriam sair de fábrica com os sistemas de controle e limitação do momento de carga, que travam sua movimentação em caso de sobrecarga”, ele destaca.

Como qualquer norma, ele acrescenta, a NBR-14.768 é basicamente um conjunto de recomendações técnicas. O ideal, pondera Carvalho, seria transformar suas principais recomendações em uma NR (Norma Regulamentadora), que tem força de lei. “Há muitos fabricantes de guindastes articulados no Brasil”, ressalta. “E há dúvidas se todos seguem os critérios de projeto e dimensionamento propostos pela norma ABNT.”

Entre os diversos fatores de risco para a operação, o engenheiro cita dois: carga excessiva e estabilização incorreta. “Também acontecem muitos acidentes por falha estrutural do guindaste, em decorrência de projetos malfeitos e/ou fabricação deficiente”, acrescenta.

Há ainda acidentes decorrentes da falta de inspeções e ensaios rotineiros, que detectam as falhas e necessidades de manutenção. “´Um ensaio como o de emissão acústica é muito importante, pois detecta problemas estruturais como trincas, rachaduras e folgas excessivas”, especifica Carvalho. “O problema da sobrecarga nem é o risco de um acidente imediato, uma vez que os equipamentos têm coeficientes de segurança que minimizam essa possibilidade, mas sim o fato de gerarem problemas cumulativos, que posteriormente acarretarão fadigas e falhas estruturais.”

TECNOLOGIAS

Dentre as tecnologias oferecidas para garantir segurança à operação com guindastes veiculares articulados destacam-se sistemas de controle e monitoramento do momento da carga, que na Madal Palfinger, por exemplo, têm duas versões: hidráulica e eletrônica. Ambas travam a operação em caso de excesso de carga. “Porém, na versão eletrônica, o travamento é mais suave”, explica Juliano Menegolla, executivo de produtos da empresa.

Interesse do mercado por recursos de segurança já impacta negócios

Em seu portfólio, a fabricante conta com dois modelos de guindastes veiculares articulados. Um deles, o ‘modelo canivete’, assume posição de transporte acima da linha do chassi do veículo. Já no ‘modelo trave’, as lanças são guardadas em posição vertical, abaixo dessa linha. Considerando ambos, o portfólio inclui equipamentos com capacidade entre 6 e 150 ton/m. “No primeiro modelo, o sistema de controle de sobrecarga é padrão já a partir das 40 ton/m”, detalha Menegolla. “No segundo, a partir de 50 ton/m.”

A Madal Palfinger oferece ainda um pacote para monitoramento durante o transporte, composto por duas soluções: uma comunica se o estabilizador está travado; a outra informa a posição da lança, evitando que fique acima da linha horizontal e possa chocar-se com obstáculos. “Geralmente, esses sistemas são opcionais, mas obrigatórios nos guindastes que transportam cestos”, informa Menegolla.

Segundo ele, a empresa também começa a disponibilizar no Brasil seu sistema HPSC, que ajusta a capacidade de carga em função das condições de estabilização. Na versão básica, o sistema informa individualmente a abertura de cada estabilizador, verifica se estão em contato com o solo e monitora a posição de trabalho do guindaste.

Em versões mais completas, pode incluir o cálculo da posição dos braços e a extensão do guindaste, assim como o contato dos estabilizadores sobre o solo e a presença de contrapeso, entre outras variáveis. “Outra opção é o BSCPlus, um sistema de controle de estabilidade simplificado que permite a operação apenas do lado em que os estabilizadores estão completamente abertos”, complementa Menegolla.

Na Hyva, o sistema LMI (Load Moment Indicator) atua no controle e monitoramento do momento de carga, sendo já padrão nos guindastes veiculares articulados com capacidade a partir de 12 ton/m (dependendo da configuração, pode ser opcional em outros modelos).

Para especialista, sistemas de controle e limitação do momento de carga deveriam ser fornecidos de fábrica

Também como opcional, alguns equipamentos importados da marca dispõem do sistema DLD (Dynamic Load Diagram), que calcula a estabilidade em todo o veículo, de acordo com as posições dos estabilizadores. “Em outros países é oferecido o Magic Touch, que permite passar da posição de transporte para a de operação, e vice-versa com o simples toque de um botão”, acrescenta José Alberto de Matos, gerente de vendas da Hyva.

Atualmente, o portfólio da Hyva abrange equipamentos com capacidade entre 1 e 119 ton/m, incluindo tanto modelos fabricados localmente quanto importados. Os equipamentos da marca trazem como item de série um recurso que indica com sinal sonoro ou luminoso – ou ambos – se os estabilizadores estão abrindo. “Todos os equipamentos que produzimos são testados individualmente em bancadas hidráulicas, antes de saírem da fábrica”, ressalta Matos.

CONTROLE

Além de mais seguros – ou talvez até por isso –, os guindautos dotados de recursos adicionais de segurança também exigem menos manutenção, como aponta o profissional da Madal Palfinger. “Nossos dados mostram que equipamentos que saem com controle de carga de fábrica exigem menos garantia e pedem menos peças”, destaca Menegolla. “Isso é um indicador de menos acidentes.”

Segundo ele, cerca de 60% dos guindastes articulados comercializados pela empresa possuem controle remoto, ainda que opcional. “Além de conferir maior produtividade, pois facilita o trabalho com um único operador, o recurso amplia a segurança, permitindo ao operador observar melhor a operação”, ressalta o executivo. Na mesma linha, Matos, da Hyva, ratifica o crescente interesse dos clientes por esse recurso. “Em equipamentos maiores, o custo adicional do controle remoto nem é relevante”, pondera.

Junto a recursos para controle de momento de carga e estabilização, o controle remoto confere maior segurança à operação de guindastes veiculares articulados, confirma Marcos Cunzolo, diretor comercial e de operações da Cunzolo, que disponibiliza para locação cerca de 25 equipamentos, com capacidades entre 2 e 40 toneladas. “Todos trazem ao menos um desses recursos”, garante. “E alguns trazem todos.”

Ele observa que ainda há quem pense basicamente no preço quando avalia a possibilidade de locação de um guindauto. “Mas o interesse pelos recursos de segurança é crescente, sem eles eu já não conseguiria atender a alguns clientes”, afirma. “Não é comum que apresentem problemas, mas é importante fazer a manutenção preventiva, para garantir que, na hora em que forem necessários, estejam funcionando bem”, recomenda Cunzolo.

Equipamento traz sistema como item padrão de segurança

Dotados de lanças telescópicas e sem patolas, os guindastes do tipo pick and carry movimentam-se sobre suas próprias rodas – ao invés de serem instalados sobre chassis –, mas também contam com tecnologias de segurança elaboradas.

A Franna, por exemplo, atualmente inclui como padrão em sua linha um sistema que mensura informações como pressão em cada eixo, ângulo e extensão da lança e inclinação do equipamento – tanto longitudinal quanto transversal. Quando uma carga excede o limite estabelecido, o sistema interrompe a operação, permitindo apenas o retorno do equipamento a uma condição mais segura.

Sem patolas, o guindaste veicular do tipo pick and carry traz sistema para controle de pressão sobre o eixo, ângulo da lança e inclinação do equipamento

Composta por modelos com capacidades entre 15 e 40 toneladas, a linha pick and carry da Franna é produzida na Austrália. Até por não terem patolas – e, assim, poderem operar mais facilmente em minas –, os equipamentos têm alta demanda em mineração, como relata Alexandre Vaccari, supervisor de treinamento da Terex, que controla a marca. “No ano passado, vendemos nossa primeira unidade no Brasil”, diz. “Na construção, esse equipamento pode substituir o manipulador telescópico com vantagens, como a maior capacidade de carga”, destaca.

Qualificação de operadores é crucial para a segurança

Mesmo dispondo de vários recursos de segurança, os guindautos ainda têm aspectos relevantes de sua operação – como a velocidade de movimentação – controlados pelos operadores. “Por isso, é importante que sejam bem-treinados”, destaca Juliano Menegolla, executivo de produtos da Madal Palfinger.

Geralmente, como observa José Alberto da Rosa de Matos, gerente de vendas da Hyva, os operadores sabem lidar com os equipamentos, mas isso não dispensa a necessidade de treinamento contínuo. Até para manterem a disciplina em uma operação que requer planejamento prévio, assim como o cumprimento de várias etapas, como o isolamento da área de operação e a análise do terreno onde haverá a estabilização. “Deve sempre haver um processo de reciclagem que enfatize a questão da disciplina”, destaca Matos.

Natureza da operação requer treinamento contínuo dos operadores

A minimização dos riscos da operação, comenta o especialista Hélio Carvalho, realmente requer treinamento do operador, que também deve trabalhar sob supervisão se possível. “O operador deve ser treinado para a operação do equipamento e a movimentação das cargas”, ressalta. “E também para seguir as recomendações dos fabricantes.”

Na Cunzolo, o diretor Marcos Cunzolo diz que sempre designa um profissional próprio para operar os guindautos da frota. “E deve ser qualificado por entidades reconhecidas e constantemente reciclado”, ressalta o executivo, lembrando que, além dos fabricantes, entidades como o Sest/Senat oferecem essa qualificação.

Saiba mais:
Cunzolo: www.cunzolo.com.br
Franna: www.terex.com/franna/en-au
Hyva: www.hyva.com/pt-br
Palfinger: www.palfinger.com/pt-br

Mais matérias sobre esse tema