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12 de maio de 2020
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Plataformas

Uma nova era para equipamentos de acesso

Conforme o mercado se expande para outros nichos, as fabricantes diversificam suas linhas, que já incluem opções com eletrônica embarcada e propulsão elétrica e híbrida
Por Antonio Santomauro

A intensificação do uso de sensores e sistemas eletrônicos que elevam a segurança das operações é um dos principais focos das atuais normas de construção e operação de PEMTs (Plataformas Elevatórias Móveis de Trabalho), como também são designadas as PTAs (Plataformas de Trabalho Aéreo). Normas, aliás, que vêm sendo atualizadas recentemente, como é o caso do conjunto ANSI A92 (do American National Standards Institute) – que deveria ter entrado em vigor já no final do ano passado, mas teve o prazo adiado – e da brasileira NBR 16776, à qual o texto da entidade norte-americana serviu de base e cuja vigência deve ter início em setembro próximo.

Assim, as exigências normativas expandem para o universo das PEMTs algumas tecnologias de eletrônica embarcada já empregadas em outras famílias de equipamentos. É o caso dos sistemas de telemetria que, além de contribuírem para a segurança das atividades, abrem espaço para outras possibilidades de gerenciamento operacional, como o controle mais preciso da operação e a manutenção preditiva. E, para acompanhar essa nova era tecnológica que se anuncia para as plataformas, as fabricantes já programam a expansão desses sistemas inclusive no mercado brasileiro.

SISTEMAS

Até o final deste ano, a Genie – fabricante de plataformas do grupo Terex – deve lançar no Brasil seu sistema de telemetria de plataformas ‘Lift Connect’, que disponibiliza informações referentes não apenas à geolocalização da máquina, mas ainda sobre sua utilização e respectivas análises de falhas. Simultaneamente, a tecnologia amplia o alcance das ações de segurança, como requerem as novas normas. “Se necessário, o sistema permite até mesmo desativar remotamente a plataforma”, destaca Gustavo Faria, presidente da Terex Latin America. “Mais que uma tendência, a telemetria das plataformas já é uma realidade.”

Na mesma linha, a Haulotte já oferece


A intensificação do uso de sensores e sistemas eletrônicos que elevam a segurança das operações é um dos principais focos das atuais normas de construção e operação de PEMTs (Plataformas Elevatórias Móveis de Trabalho), como também são designadas as PTAs (Plataformas de Trabalho Aéreo). Normas, aliás, que vêm sendo atualizadas recentemente, como é o caso do conjunto ANSI A92 (do American National Standards Institute) – que deveria ter entrado em vigor já no final do ano passado, mas teve o prazo adiado – e da brasileira NBR 16776, à qual o texto da entidade norte-americana serviu de base e cuja vigência deve ter início em setembro próximo.

Assim, as exigências normativas expandem para o universo das PEMTs algumas tecnologias de eletrônica embarcada já empregadas em outras famílias de equipamentos. É o caso dos sistemas de telemetria que, além de contribuírem para a segurança das atividades, abrem espaço para outras possibilidades de gerenciamento operacional, como o controle mais preciso da operação e a manutenção preditiva. E, para acompanhar essa nova era tecnológica que se anuncia para as plataformas, as fabricantes já programam a expansão desses sistemas inclusive no mercado brasileiro.

SISTEMAS

Até o final deste ano, a Genie – fabricante de plataformas do grupo Terex – deve lançar no Brasil seu sistema de telemetria de plataformas ‘Lift Connect’, que disponibiliza informações referentes não apenas à geolocalização da máquina, mas ainda sobre sua utilização e respectivas análises de falhas. Simultaneamente, a tecnologia amplia o alcance das ações de segurança, como requerem as novas normas. “Se necessário, o sistema permite até mesmo desativar remotamente a plataforma”, destaca Gustavo Faria, presidente da Terex Latin America. “Mais que uma tendência, a telemetria das plataformas já é uma realidade.”

Na mesma linha, a Haulotte já oferece no mercado europeu seu sistema de telemetria ‘Track Unit’, também provedor de dados referentes a localização, falhas e utilização (no caso de equipamentos elétricos, também informa a vida útil das baterias, entre outras coisas). “Ainda não há data para o início desse serviço no mercado nacional, mas sabemos que sua aplicação é tendência também aqui”, destaca Marcelo Racca, diretor da operação brasileira da empresa.

Sistemas eletrônicos expandem as funcionalidades das plataformas

A JLG oferece no Brasil o sistema de telemetria ‘ClearSky’, uma ferramenta que permite gerenciar aspectos como segurança e produtividade de operadores. Combinando sensores e eletrônica, a empresa também vem agregando novas funcionalidades aos seus equipamentos, incluindo o sistema (ainda opcional) de detecção de objetos ‘SkySense’ para lanças e tesouras, aumentando a percepção do operador do equipamento quanto ao ambiente ao seu redor. “Quando os operadores estão usando a máquina, os sensores estabelecem zonas de aviso e criam distâncias de parada relacionadas à direção da máquina”, explica Ricardo Bertoni, gerente nacional de vendas da marca.

Já a marca Skyjack lançou recentemente um produto digital que promete conectar em tempo real os operadores às máquinas que estão operando.

Batizado de ‘Elevate Live’, o sistema de telemática permite acesso por meio de códigos QR – sem necessidade de senhas ou download de programas – às informações críticas da máquina, incluindo suas condições estruturais, carga da bateria e ações recomendadas, além de fornecer check-list pré-operacional, guias e manuais de referência, inclusive em vídeo. “Em máquinas de combustão, também são apresentadas as avarias do motor e as métricas de utilização diária”, informa a empresa.

VARIAÇÕES

Tudo isso vai ao encontro das novas regras introduzidas pela ANSI A92. Entre outras exigências, as normas recentemente atualizadas para as plataformas incluem a obrigatoriedade da presença de recursos como sensores de ângulo, carga e pressão de pneus, aumentando o nível de eletrônica embarcada e transferindo do operador para o equipamento grande parte do poder de definição sobre o potencial de risco de uma operação.

Na JLG, afirma Bertoni, desde dezembro todas as plataformas fabricadas já atendem a essas determinações que, segundo ele, não implicam em alterações nos procedimentos de operação. “Mas qualquer atualização de equipamento reforça a necessidade de um novo treinamento”, ressalta o especialista da JLG. “Ou ao menos uma atualização sobre os novos recursos e suas funcionalidades.”

Modelos híbridos estabelecem novos padrões de eficiência operacional

Porém, a inclusão de sensores e sistemas eletrônicos certamente acarretam aumento nos preços das máquinas. Nesse aspecto, Faria, da Genie, estima que o ajuste da tabela deva ficar entre 5% e 6%, considerando valores em dólares. Em contrapartida, as inovações assimiladas proporcionam melhor aproveitamento do equipamento. A célula de carga, por exemplo, além de proteger o operador possibilita que a carga seja aumentada em determinados pontos. “Temos equipamentos que antes definiam 300 kg como capacidade máxima de carga, em qualquer ponto de operação”, afirma o executivo. “Com o sensor, essa carga pode atingir até 454 kg em cerca de 80% do envelope de uso do equipamento, que é o conjunto de posições que a plataforma pode assumir em sua operação.”

As plataformas comercializadas pela Genie no Brasil, complementa Faria, já seguem as novas normas da ANSI, lembrando ainda que, em alguns países, a fabricante considera as normas CE, da Comunidade Europeia. Na Haulotte, uma empresa de origem francesa, todas as plataformas são projetadas levando em conta as normas CE. “De modo que as novas normas ANSI e NBR não produziram qualquer impacto em nossos equipamentos, pois suas exigências já apareciam na norma europeia”, destaca Racca.

NICHOS

Assim como as demais marcas, a Haulotte também vem buscando atender à crescente demanda por plataformas elétricas e híbridas. Enfatizando essa proposta, a empresa lançou em 2018 sua primeira PEMT híbrida: a articulada 20LE, de 20 m de altura.

As máquinas híbridas, observa Racca, têm um custo de aquisição cerca de 10% a 15% superior ao de equivalentes a diesel. Mesmo assim, no ano passado a Haulotte já comercializou duas unidades da plataforma 20LE no mercado brasileiro. “A máquina híbrida é mais eficiente pois pode trabalhar sem parar, uma vez que, se necessário, o motor a diesel entra e carrega as baterias”, ele argumenta. “Alguns locadores percebem que isso pode ser um nicho, pois os equipamentos híbridos atendem tanto aos trabalhos internos quanto aos externos.”

Telemática permite acesso direto às informações críticas da máquina

Na empresa, todas as plataformas tipo tesoura com alturas entre 8 e 14 m já são elétricas, bem como as articuladas com alturas de 12 m (que também mantêm a versão a diesel) e 15 m. “No médio prazo, a tendência é de os equipamentos todo terreno de maior altura – acima de 15 m – também se tornarem híbridos, tanto tesouras quanto articuladas”, projeta o diretor. “No ano passado, cerca de 90% das nossas vendas no Brasil foram de máquinas elétricas, que atendem melhor ao segmento de mercado que mais cresceu no país, que foi o de plataformas para manutenção, assim como para a indústria.”

Na Genie, como relata Faria, o segmento das máquinas para alturas menores – até 60 pés – tem registrado a maior parte de suas vendas no mercado brasileiro com equipamentos elétricos. As máquinas híbridas, mais recentes, também começam a ser demandadas, embora em volume ainda menor. “O mercado investe cada dia mais em equipamentos híbridos com motores de combustão cada dia menores, suficientes apenas para recarregar o motor elétrico ou movimentar alguma bomba”, destaca.

Também a JLG mantém equipamentos híbridos e elétricos em seu portfólio. Na opinião de Bertoni, “com a evolução das baterias, deverá haver uma substituição gradual de equipamentos a diesel por elétricos em todas as aplicações”.

DIVERSIFICAÇÃO

Porém, equipamentos híbridos e elétricos, com mais sensores e eletrônica embarcada, não constituem as únicas diretrizes do atual processo de desenvolvimento das plataformas.

Mais que isso, o interesse no melhor aproveitamento das oportunidades de mercado para menores alturas – um segmento denominado low level – já comporta plataformas que não têm qualquer motor, seja elétrico ou a combustível. É o caso da linha ‘Ecolifts’, da JLG, que inclui equipamentos acionados manualmente – com o uso de uma manivela – e atualmente é composta por dois modelos: um com 2,2 m e outro com 4 m de altura de trabalho.

Com chassi estreito, plataformas articuladas sobre esteiras facilitam o transporte

Para esse mercado, a JLG também produz uma linha de plataformas articuladas de lança montadas sobre esteiras (‘Compact Crawler Boom’) – e, portanto, mais facilmente transportáveis –, com opções de acionamento por energia da rede, gás ou bateria de lítio. “Com chassi estreito, os equipamentos dessa linha passam por portões, pátios e portas de edifícios, sendo indicados para vários trabalhos internos e externos”, destaca Bertoni.

Já a Genie lançou recentemente sua ‘Linha J’ de equipamentos de construção e manutenção. Mais simples, a linha já conta com duas opções, sendo o mais recente deles o modelo S-80 J, com capacidade de 300 kg – para dois ocupantes, além de ferramentas – e altura de 24,4 m.

Essa nova linha, destaca Faria, foi desenhada para os nichos que mais se expandem atualmente – como manutenção e logística –, além de aplicações mais ligeiras, nas quais a plataforma será utilizada durante menos tempo. “Conforme o mercado vai se sofisticando, é importante essa diversificação de linha”, finaliza o especialista.

Tecnologia aumenta produtividadee valor agregado das máquinas

Embora eleve o custo de aquisição, a inserção de sensores e recursos eletrônicos também pode aumentar o valor agregado de uma plataforma, argumenta Daniel Brugioni, diretor comercial e de marketing da Mills Solaris, que atualmente conta com uma frota de 9 mil equipamentos. “A decisão de investimento em um novo equipamento deve fundamentar-se em uma análise do TCO (Total Cost Ownership), ou seja, deve considerar a diluição desse custo durante toda a vida útil do equipamento”, comenta.

Decisão de investimento deve considerar TCO e ganhos em produtividade

Além disso, a expansão do uso da eletrônica no mercado das plataformas, ele observa, não se baseia apenas em recursos de segurança e sistemas de telemetria, já havendo também soluções de treinamento em realidade virtual valiosos. “Essa tecnologia facilita a operacionalização dos treinamentos, pois no mesmo simulador pode-se selecionar diferentes tipos de equipamentos, com situações de risco que não seriam possíveis em treinamentos convencionais”, diz.

Do mesmo modo, também começam a surgir plataformas com maior capacidade de carga, que permitem aos operadores trabalhar com mais ferramentas no cesto, bem como o embarque de até três operadores de uma só vez. “Evidentemente, isso proporciona maior produtividade”, destaca Brugioni.

Empresas desenvolvem nova solução para movimentação de materiais

Equipamento MZ100 também pode ser acoplado a manipuladores telescópicos

Uma parceria entre a JLG e a Construction Robotics vem introduzindo inovações que prometem superar tarefas incômodas e repetitivas no mercado da construção. Um exemplo é o novo modelo MZ100, lançado na ConExpo 2020. Autonivelado, o equipamento para elevação de materiais (Material Unit Lift Enhancer) é alimentado por bateria de íons de lítio e também pode ser acoplado a manipuladores telescópicos. “Soluções como o MZ100 estão alinhadas com o imperativo de produtividade, suplementando a força de trabalho e reduzindo os ferimentos por meio de autonomia, para melhorar a eficiência”, disse Rob Messina, desenvolvimento de produtos da JLG Industries.

Nova locadora tem foco em operações low level

Plataformas para operações low level – com alturas ao redor de 6 m – constituem o foco da Nest Rental, locadora fundada há pouco mais de um ano por Paulo Esteves, profissional com atuação em algumas das principais empresas do setor. “Pesquisas identificaram que apenas 10% dos serviços em altura são feitos acima de 6 m”, ele ressalta, destacando que a frota da empresa já conta com três diferentes modelos da JLG, sendo dois elétricos e outro manual, apto ao uso em áreas de risco de setores como a indústria petroquímica, na qual não pode haver faíscas provenientes de combustão ou eletricidade. “No momento, estou adquirindo uma plataforma para dois operadores”, conta o executivo.

Nest Rental mira serviços de manutenção em ambientes industriais e comerciais

Além disso, diz ele, uma das máquinas tem apenas 150 kg, passível de utilização em locais que não suportam o peso de uma plataforma convencional, como lajes. “Também temos equipamentos desmontáveis, que cabem em um elevador comum de um edifício ou na mala de um automóvel”, detalha o executivo, que aposta nos serviços de manutenção em ambientes industriais e comerciais como os nichos mais promissores para suas máquinas. “A construção é mais conservadora na adoção de novas tecnologias, mas também utilizará esses equipamentos, pois uma plataforma é muito mais produtiva que uma escada”, pondera Esteves.

Saiba mais:
Genie: www.genielift.com.br
Haulotte: www.haulotte.com.br
JLG: www.jlg.com/pt-br
Mills Solaris: www.mills.com.br
Nest Rental: nestrental.com.br
Skyjack: www.skyjack.com